“Em Rio Branco impera a ‘lei do silêncio'”, diz delegado sobre dificuldade em investigar assassinatos

0
Delegado Rêmulo Diniz

O delegado titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Rêmulo Diniz, afirmou em entrevista à Folha do Acre que uma das maiores dificuldades para se apurar a autoria das mortes no Acre é o medo que as pessoas têm de auxiliar a polícia. Rêmulo afirmou que nos bairros de Rio Branco as facções têm imposto uma espécie de ‘lei do silêncio’, impendido que as informações circulem e ajudem a elucidar crimes.

“É a ‘lei do silêncio’, ninguém quer falar nada e isso, obviamente, dificulta nosso trabalho”, diz o delegado que investiga dezenas de assassinatos na capital acreana.

A respeito do silêncio que impera nos bairros quando se trata de informações a respeito de crimes, boa parte pode ser fruto do medo das pessoas ou ameaças de forma explícita por líderes de facções.

Rêmulo fala sem arrodeios que dos 732 inquéritos instaurados pela DHPP, desde que foi fundada em 2016, a maioria tem relação com a atuação de facções criminosas e disputa pelo território do tráfico de drogas que impera no Acre.

“A maioria dos crimes foram motivados ou ordenados por facções criminosas e disputa do tráfico de drogas”, diz.

Mesmo em meio a dificuldades para apurar os crimes, o delegado afirma que a DHPP possui um alto grau de resolutividade e a maioria dos inquéritos já foram encaminhados à Justiça.

“Judicializados já são mais de 500 processos, mas lógico que ainda há muitos que estão em investigação”, diz.

Rio Branco é considerada a capital mais perigosa do Brasil

Questionado sobre a possibilidade da atuação de milícia diante do aumento da execuções que amedrontam o Acre, Rêmulo diz que a DHPP não despreza nenhuma hipótese, mas frisa que não há nenhuma evidência que coloque as forças policiais como suspeitas de atuação em crimes.

“Nunca chegamos a autoria de um crime aqui que tenha sido praticado por uma milícia. Nunca foi encontrado uma prova que exista isso aqui no estado do Acre. Lógico que existe crimes que ainda não foram elucidados. A DHPP não despreza nenhuma hipótese, mas sabemos o modus operantis de uma milícia”, diz.

Sobre os homicídios cometidos com armas de uso restrito, Rêmulo afirma que não são armas de uso de forças da segurança.

“As armas de uso restrito, inclusive a maioria são praticadas por armas que não são das forças de segurança como é o caso da pistola 9mm, que é a principal arma do crime organizado hoje, ela é uma arma de uso das forças armadas e essas armas entram através da fronteira”, explica.

Comentários

comentários