“Estamos entregues à própria sorte”, diz sócia de jornal alvo de criminosos

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Redação da Folha do Acre foi alvo de criminosos

Fomos furtados: o dia que o jornal virou notícia

Confesso que confundo um pouco os termos roubo e furto, já que a doutrina jurídica difere um do outro apenas pelo emprego ou não da violência, como se violência psicóloga de alguém que vê ir todos os bens materiais de sua empresa também não fora violência sem precedente. Enfim, termos e explicações jurídicas a parte eu fui furtada, roubada, sei lá que termo querem usar. Fato é que a redação da Folha do Acre, localizada na Avenida Ceará, em frente a um dos hotéis mais luxuosos cidade, um meliante em plena luz do dia entrou e saqueou a redação. Levou de computadores a máquinas fotográficas, não esquecendo do lixeiro do banheiro e do frasco de remédio de vitaminas que tomo para dar conta de uma jornada de quase 18 horas de trabalho.

Em pleno domingo, à luz do dia, levaram todas as coisas da redação que tanto custamos a montar. Uma luminária do nosso futuro estúdio foi encontrada em um terreno baldio. A sensação é horrível. Quem já passou por isso sabe exatamente do que estou falando. Uma mistura de pavor que muda para uma raiva e termina em uma melancolia sem precedente por perder em segundos o que levou anos para conquistar a duras penas.

Um dos bandidos foi preso, algumas coisas foram recuperadas, a segurança, na medida do possível, foi reforçada, mas o que fica gritante na alma é a sensação de que o Estado nos abandonou à própria sorte. Os bandidos sequer esperam o pôr do sol para iniciaram seus crimes.

Peritos da Polícia Civil periciam o local arrombado

Tudo bem que a Polícia Militar prendeu um dos envolvidos e recuperou algumas coisas, mas estou falando de prevenção. Que o crime poderia ter sido evitado. Estou falando desse medo que nos sufoca de que a qualquer hora, qualquer um de nós pode ser vítima de um crime.

No jornal cansamos de noticiar crimes, dos mais bobos, aos mais barbáros, mas nunca cogitamos que um dia pudesse ser conosco. Acho que todo mundo tem essa síndrome de intocáveis e achar que “conosco nunca”. Mas aconteceu. O jornal teve seu dia de notícia, lamentavelmente.

*Gina Menezes é jornalista, colunista política e sócia-fundadora do Jornal Folha do Acre

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