“E o vento levou”: em artigo, professor lembra das promessas não cumpridas pelos governos do PT

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…E O VENTO LEVOU

Por Enoque Pereira

Enoque Pereira

Um clássico dos cinemas, prestes a completar 80 anos, “…E o vento levou” é um filme épico com duração de 4 horas, premiado mundialmente e que retrata romance e drama de Scarlett, uma jovem mimada que consegue tudo o que quer, até que as sucessivas tragédias em sua família, atrelado a guerra civil americana a força lutar para sobreviver e manter a fazenda da família.

Guardado a dramaturgia do premiado filme, no campo da política no Acre a expressão “…e o vento levou” remonta a outra interpretação, bem diferente e com final lamentavelmente mais dramático que o próprio filme em si.

Revendo algumas das publicidades governamentais nos sítios oficiais, o Acre de hoje nada tem a ver com o Acre tão falado, há alguns meses e anos, pelos últimos e atual governador e secretariados, como pelos publicitários de plantão.

….E o vento levou, quando a tão falada ZPE, que segundo o governo dezenas de empresas já teriam confirmado suas instalações, algumas delas multinacionais, e que gerariam milhares de empregos e milhões em divisas, ficou num terreno vazio, com estrutura levada pelo vento, gerando tão somente prejuízo aos cofres do Estado; já se passaram 10 anos.

…E o vento levou, quando anunciado pelos três últimos governadores a redução significativa e até o zeramento dos analfabetos no Acre, mas que temos o segundo mais alto percentual de analfabetos acima dos 19 anos da região norte.

…E o vento levou, quando prometeram que gerariam dez mil empregos apenas no primeiro mandato do ex-Governador Jorge Viana, com a tão falada florestania. O que houve foi um verdadeiro êxodo rural para a cidade ao precarizarem os poucos serviços ao homem do campo, como a abertura de ramais, dando lugar aos fazendeiros, aumentando ainda mais a pobreza; o Acre tem a segunda maior dependência nacional do Bolsa Família.

…E o vento levou, quando em quase 20 anos do mesmo grupo político, o Acre ficou fadado ao endividamento, tendo o promissor “ruas do povo” virado em muitos municípios um problemão até para os moradores beneficiados pelo tal programa; um significativo percentual de ruas não durou um inverno.

…E o vento levou, quando a tão falada interligação pela BR 364 até Cruzeiro do Sul, após terem sido gastos bilhões, voltou em grande parte ao estado original da lama, sendo alegadas mil e uma desculpas, para justificar o injustificável, das quais a do terreno inapropriado, menos da incompetência.

…E o vento levou, quando a tão propagada saúde de primeiro mundo se transformou em hospitais sucateados, pessoas morrendo nos corredores hospitalares, falta de medicamentos prioritários, espera por anos por uma cirurgia, demissão em massa.

…E o vento levou, quando milhões foram contraídos em empréstimos, sendo alguns em dólares para, em tese, alavancar o desenvolvimento social e econômico do Acre, mas que gerou uma dívida bilionária, e um pagamento no ano de 2017 de quase 500 milhões de reais, tendo uma dívida a se pagar em mais de 3,1 bilhões de reais. A euforia daquela época gerou um verdadeiro problema para a sociedade acreana.

…E o vento levou, quando teve um governo federal ao seu lado por 13 anos, sem nada fazer pela segurança pública, deixando a violência e o homicídio explodir a níveis inimagináveis; Rio Branco chegou a ser a capital mais violenta do país, estando num vergonhoso segundo lugar. Em 20 anos o planejamento quanto à segurança mostrou-se ineficaz.

…E o vento levou, quando as promessas de um Acre melhor ficaram apenas para um seleto grupo, inclusive para os ex-governadores e suas pomposas pensões, em detrimento da miséria da grande maioria. Os malfadados projetos endividadores são cobertos pela cortina de fumaça da mídia publicitária paga por nós, para expor um Acre inexistente.

 

Tião e Jorge Viana, atual e ex-governador do Acre, respectivamente

…E o vento levou consigo a esperança de muitos, que agora deixaram de sonhar, pelas constantes promessas de políticos inescrupulosos, que vêm num mandato a realização de si mesmo, não da sociedade, deixando àqueles que os elegeram voltarem ao anonimato das suas ruas, becos e ramais e por mais 4 anos, não horas do filme, continuarem no mais completo esquecimento.

Ao contrário do drama vivido na ficção, …e o vento levou do povo do Acre transverte- se cada vez mais na salutar dramatização da vida real, onde o bater palmas e a defesa apaixonante de alguns, sobressai a grande massa, que desesperançadas e desnorteadas com tantas mentiras, preferem se afastar ou enojar os políticos, permitindo que justamente esses voltem ou continuem à governá-los. O povo do Acre passou a ser milhares de Scarlett, com dramas diários, em suas lutas pela sobrevivência.

Enoque é gestor de políticas públicas e professor

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