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Rio Branco, Acre,

 

Política

Diretor do Depasa é acusado de sabotar sistema de água para pressionar Gladson a pagar empresa da esposa

Gina Menezes

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Após 40 horas com o sistema de abastecimento de água parado, no início da noite de quarta-feira (22), as Estações de Tratamento de Água (ETAs) 1 e 2 começaram a funcionar em Rio Branco. Para que o abastecimento volte à normalidade levará até 5 dias. O mais grave é que a falta de água pode não ter sido apenas falta de planejamento do Departamento Estadual de Água e Saneamento (Depasa), mas uma ação deliberada do atual diretor-presidente do órgão, Tião Fonseca.

A reportagem da Folha do Acre obteve com exclusividade informações de fontes, que não podem ter os nomes revelados, que afirmaram que a falta do Cloreto de Polialuminio (PAC), o que comprometeu o abastecimento, se deu por conta de uma decisão deliberada e duvidosa de Tião Fonseca que optou por pagar a empresa da própria esposa, a Bucar Engenharia, ao invés de pagar o fornecedor do produto.

A ação, segundo as fontes, foi deliberada, pois Fonseca estava pleiteando repasse de recurso do Estado para pagar os fornecedores de produto químico, mesmo tendo usado do recurso do Depasa a quantia de R$ 570 mil para pagar a empresa Bucar Engenharia, de propriedade da sua própria esposa.

Um dos pagamentos já efetuados pelo Estado à empresa da família de Tião Fonseca, mas ainda falta outro

“Foi uma ação deliberada, para provar que poderia levar ao caos se quisesse e que o governador não teria outra opção a não ser resolver os problemas que ele havia colocado na mesa. Infelizmente por mais que o governador se esforce ele sempre acaba sendo chantageado e fica sem reação. Não existe essa de caminhão que sofreu acidente e demorou a entrega. A entrega não foi feita porque o Depasa precisava pagar pelo menos R$ 600 mil a uma empresa que ele já deve quase R$ 4 milhões. O fornecedor, como era de esperar, não entregou o produto. Era algo previsível que o diretor-presidente sabia que aconteceria e optou pelo caos. Ele jogou o Governador contra a parede e preferiu sabotar o próprio sistema, parando as duas ETAS por quase 48 horas, um fato inédito, que nunca ocorreu em Rio Branco. Você parar por pressão ao Governador todo um sistema, ainda mais nessa pandemia, sem dúvida é um crime, inclusive previsto na Lei de terrorismo, conforme diz a Lei 13.260/2016, em seu art. 2º, § 1º, inciso IV, e tem que ser apurado pelas autoridades, que fala sobre sabotar o sistema de água”, diz.

Com a ação impensada Rio Branco entrou num caos, houve motim no Complexo Penitenciário de Rio Branco, com 56 presos feridos, falta de água nas UPAs, Pronto Socorro, Fundação Hospitalar, dentre inúmeros importantes órgãos governamentais, além das mais de 110 mil residências que recebem água do Depasa.

Milhares de famílias estão há uma semana sem água em Rio Branco

No início da tarde, o próprio Tião Fonseca emitiu nota afirmando que o abastecimento foi paralisado por causa de um acidente envolvendo a carreta que faria a entrega de um dos produtos utilizados para o tratamento da água o que acabou provocando uma parada não programada. No final da tarde a reportagem da Folha do Acre esteve na ETA 2 e foi informada por um dos caminhoneiros que transportou o material, pedido de última hora, que não houve acidente com nenhum dos veículos.

“O fornecedor é daqui, mas ele compra de São Paulo. Eles arranjaram um plano B de compra porque o fornecedor daqui não queria continuar fazendo negócio sem receber. Daí por causa da demora inventaram essa desculpa de acidente”, reforça o caminhoneiro.

Funcionário do Depasa que foi buscar o sulfato de última hora conversa com empresário Alexandre Silveira/Foto: Folha do Acre

Além do suposto calote na empresa local, o Depasa ainda se antecipou em uma compra grande de sulfato de alumínio em uma marmoraria local. Segundo as fontes, a compra foi de 70 toneladas de sulfato de alumínio, mas a nota da compra será de 100 toneladas.

A reportagem da Folha do Acre esteve na empresa localizada no bairro Floresta Sul e o conversou com o dono da empresa, Alexandre Silveira, que confirmou a compra, mas não disse a quantidade.

Reportagem tentou contato com Tião

“Só posso dizer que isso aí resolve por uns 15 dias e garante a mesma qualidade”, garantiu o empresário.

Se o sulfato, que substitui o PAC tinha em estoque em Rio Branco, em quantidade suficiente para não parar o tratamento de água, qual a razão de ter pego somente ontem à tarde (22)? Por que não pegaram antes, para justamente não parar?

A reportagem da Folha do Acre entrou em contato com Tião Fonseca, mas não obteve sucesso. A reportagem ligou e deixou mensagem no telefone 9xxx- xx60, mas sem sucesso. O espaço continua aberto para a manifestação do presidente do Depasa sobre as acusações.

A Folha do Acre como veículo de informação que presa pela informação e confiabilidade da relação fonte e repórter manterá o anonimato dos denunciantes, mas coloca à disposição as provas e evidências coletadas na matéria.

Certamente o governador Gladson Cameli tomará as medidas rígidas sobre a ação impensada do diretor-presidente Tião Fonseca, sob pena de acobertar a insana decisão que prejudicou grande parte da população, em detrimento de interesse particular.

Versão do diretor do Depasa (Atualização às 10h28min)

Tião Fonseca, depois de 14 horas de tentativas de contato da reportagem, retornou uma ligação via WhatsApp e afirmou que não responderá ilações e que não tem dinheiro para receber do governo.

Ele iniciou a conversa perguntando se a reportagem da Folha do Acre era do Tribunal de Contas ao ser questionado sobre por que o Depasa teria comprado 70 toneladas de sulfato e pago por 100 toneladas.

“Você é do Tribunal de Contas? Porque eu não estou entendendo. Tem órgãos para fazer estas denúncias, tipo Ministério Público, TCE. Eu respeito a imprensa, mas não respondo a ilações, só posso dizer que esta história é sem pé e nem cabeça e e irei entregar o caso para a minha assessoria jurídica”, diz.

Minutos antes da ligação, Fonseca respondeu por WhatsApp e debochou dos questionamentos com risos. Veja print abaixo:

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