Saúde pública do Acre em crise e sindicalistas defendem causa própria em busca de mandatos

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Por Gina Menezes

Gina Menezes

O principal hospital público do Acre, o Hospital Geral de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb), está em acelerado processo de terceirização, leitos dos sistema de saúde correndo o risco de fechar por falta de profissionais, falta de medicamentos em unidades hospitalares, o Hospital do Juruá com filas de longos meses de pacientes aguardando cirurgias, servidores do Pró-Saúde enfrentando o drama da demissão, e enquanto isso dois profissionais da saúde que fizeram carreira política em cima das frustrações e necessidades da categoria, usando o Sindicato dos Servidores da Saúde do Acre (Sintesac) como trampolim político, resolveram mais uma vez transformar os anseios e sofrimento da categoria em um campo de intensa batalha em busca de votos. Raimundinho da Saúde e João Batista não mais representam as necessidades da categoria, eles se transformaram em candidatos desesperados em campanha fora de época.

A suposta luta pelos direitos dos servidores tem nome e sobrenome: busca desesperada por votos. O campo da batalha, permeado de dor e dificuldade, é explorado sem qualquer pudor por João Batista, aquele que foi presidente interino do Sintesac, e deputado estadual Raimundinho da Saúde, que tem na categoria sua principal base eleitoral.

O jogo de João Batista é tão descarado quanto cruel: ele se passa por defensor dos trabalhadores, crítico mordaz do governo e tenta a qualquer custo se passar por vítima do sistema, bem ao modelo que fez o deputado Rocha na primeira eleição e, assim, captar votos que o levariam a Assembleia Legislativa do Acre. É o jogo político velho e rasteiro, mas que algumas vezes ainda funciona. O outro “candidato da saúde” é o deputado Raimundinho Correia que espertamente usa até o nome da saúde em seu nome político. Mais evidente o interesse em surfar em cima do sindicato impossível.

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João Batista tem tentado a todo custo, com apoio daqueles que sonham em assessorá-lo, ser o mártir perseguido da categoria. Até uma encenação ao ser devolvido do Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb) para assumir funções em outra unidade ele fez. Fez encenação com cara de choro tentando conseguir dividendos políticos não levando em conta que havia centenas de servidores realmente desesperados diante da possibilidade de passarem necessidade ao serem demitidos.

Há pelo menos 20 dias, João Batista deveria comparecer ao trabalho em seu novo posto, o Hosmac, mas resolveu faltar e não se justificar. Ele está tentando ser punido administrativamente para assumir o papel de vítima. É ridiculo, velho e rasteiro essa velha política.

Raimundinho da Saúde por sua vez segue iludindo servidores dizendo que conseguirá articulação suficiente para derrubar o veto governamental dp projeto do Pró-Saúde, que ele sabe ser ilegal. Mesmo sabendo que não há argumentos jurídicos, nem saída que garanta a permanência dos servidores do Pró-Saúde, Raimundinho prefere iludir pessoas em situação de desespero. Coincidentemente os dois candidatos criticam dia e noite o secretário de Saúde, Gemil Junior, que afirmam também ser pré-candidato a deputado estadul. Criticam, mas pretendem continuar usando a saúde para se eleger. Se falta competência para gerir a saúde, que a propósito agoniza, falta muito mais sindicalistas dispostos a lutar mais pelo bem coletivo e menos por causa própria.

Gina Menezes é jornalista e colunista política no jornal Folha do Acre

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