Homicídios e discriminação: homossexuais não têm o que comemorar no Dia do Orgulho LGBT, diz jornalista

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Por Marcos Dione

Hoje é quarta-feira (28), data em que é celebrado o Orgulho LGBT, mas na realidade o que essas pessoas têm como motivo para se orgulhar? No estado do Acre, somente no ano de 2016, pelo menos 6 homossexuais foram assassinados. Travestis que ganham a vida se prostituindo nas ruas e avenidas da capital são tratadas como lixo, parecem até um estorvo para uma sociedade hipócrita que finge acreditar que esse é um problema que não faz parte do nosso cotidiano. A verdade é que os LGBTs, não têm nada a comemorar nesse dia.

Caso Paiuca

Corpo da vítima foi encontrado por moradores em estado de putrefação/FOTO: cedida

Pouco se fala de homofobia no Acre, mas esse problema existe e precisa ser combatido. Um caso sério, que se não for contido a tempo pode terminar em homicídio ou no próprio suicídio. Em novembro de 2014, a transexual Paiuca, de apenas 17 anos, foi encontrada morta nas águas do Igarapé Iquiri, na altura do km 30 da BR-364. A vítima foi morta a tiros e teve os dedos decepados. Quatro anos após o bárbaro assassinato, nenhum suspeito chegou a ser preso. As investigações que foram realizadas pela Polícia Civil não chegaram a sequer descobrir a motivação para a morte da adolescente que morava sozinha em Rio Branco, e sobrevivia com o pouco dinheiro que ganhava vendendo o próprio corpo na Via Chico Mendes.

Preconceito institucionalizado

O preconceito também está dentro dos órgãos públicos. Há duas semanas atrás, o estilista Jean Silva denunciou que foi humilhado, agredido e preso sem qualquer motivo na Delegacia de Atendimento à Mulher (DEAM). Silva acompanhava uma vizinha menor de idade quando foi surpreendido pelo comportamento desqualificado de dois agentes de Polícia Civil que tiravam plantão naquela delegacia. Ele foi obrigado a tirar a roupa, teve o celular quebrado e ficou preso por horas na carceragem. O jovem, mesmo com medo de sofrer represálias, não se acovardou e registrou denúncia na Corregedoria Geral da Polícia Civil.

Criminalização da homofobia

Homofobia ainda não é considerado crime no Brasil/FOTO: Divulgação

Diferente do que muitos pensam, a homofobia ainda não é crime no Brasil. No geral, quem é xingado e agredido por ser gay registra Boletim de Ocorrência por injúria ou ameaça. Isso mostra que os representantes dos movimento LGBT Brasil afora, precisam sim tomar partido e cobrar da classe política ações coletivas que venham coibir essa prática. Para quem segue ideologias religiosas é simples, pois não é preciso ser contra, nem a favor, só ter em mente como você se sentiria no lugar daquela pessoa que você está julgando, se você gostaria de ser agredido ou respeitado. Nosso povo precisa abrir os olhos e saber que ninguém escolhe ser o que é, todos nascem com um destino traçado, e independente de quem são merecem direitos iguais e acima de tudo respeito.

 

Marcos Dione é jornalista profissional e atualmente apresenta o Programa Notícias do Acre, na Rádio Amazônia FM e é repórter do jornal Folha do Acre.

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