O que falta para termos um Estado forte, uma população instruída e governo honesto?

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Em análise ao legado do mestre Nelson Mandela “A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.”. Muito me chamou a atenção a pergunta sobre o que se faz necessário para que se tenha um Estado forte, uma população instruída e um governo honesto, para que sejemos todos, integrantes de um povo feliz? De plano, logo veio o pensamento, em resposta, que o caminho para que se possa chegar a tal patamar não poderá jamais deixar de passar pela eficiente prestação do serviço público, ou mesmo no âmbito privado, da educação, vale dizer, esta como gênero, e, em analise mais perfunctória, sobretudo sobre a escola moderna, do ensino, como espécie daquela. Sim, mas qual a educação? Qual o ensino? Ou seja, ensino pela politica pública que envolve o tema educação? Ensino que se faz espécie de uma educação que se posiciona, em termos de IDH, quase em que septuagésimo, no mundo, isto em uma economia que beira ao sexto? Ensino pelo direito social e fundamental da educação? Enfim, pela educação como direito de todo cidadão, mormente, do contribuinte, e, mais ainda, pela educação, em sentido amplo ou especifico que seja, como dever do Estado e, também, da família, educação que, por mandamento positivista, vale dizer, no artigo 205, da Constituição, deverá ser promovida e, da mesma forma incentivada com a colaboração da sociedade, sempre no sentido de visar o pleno desenvolvimento da pessoa humana, até como fator primordial na sua dignidade, além, vale frisar, do preparo deste para o exercício da cidadania e, igualmente, a qualificação ou designação necessária, cogente e indispensável, ainda, adequada para o trabalho.

Mais ainda se tem em mente que é a educação, como espécie dela o ensino, essencial à busca de um Estado forte, de uma população instruída e de um governo honesto se se levar em consideração os mandamentos, sobretudo, da lei nº 9.394/96, a lei de diretrizes e bases, que, no seu artigo 1º, coloca a todos que é a educação uma politica pública imperativa que abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, vale dizer, desde os primeiros anos de vida lá na família, da mesma forma, na convivência humana, ou, melhor dizendo, nas relações interpessoais cotidianas, no trabalho, como subsistência de uma sociedade e fator de preservação da dignidade humana, nas instituições de ensino e pesquisa, onde haverá de haver o desenvolvimento pelo conhecimento, pela cognição, nos movimentos sociais, fatores de modificação e atualização dos ideais da sociedade em inserção, e organizações da sociedade civil e, além disso, nas manifestações culturais, estas, em análise, sucinta, culturas tais como, por exemplo, as populares, as indígenas e as afro- brasileiras, e, mais ainda, as de outros grupos participantes do processo civilizatório que, associada a educação, contribuem para a formação e o aperfeiçoamento da sociedade.

Todavia, que ensino, este como espécie do gênero educação, haverá de ser oferecida à sociedade? Imagina-se, em um primeiro momento, até como resposta relativamente fácil, mormente aqueles que associam o poder midiático à realidade, ou seja, agem como definiu o mestre Millôr Fernandes “se você não tem dúvidas é porque está mal informado”, o ensinar da geografia, da matemática, da língua portuguesa, ensino este que, esparsamente, hodiernamente, o que se vê, ante as necessidades de cenário que não se faz ideal na medida em que muitíssimo necessário se faz a definição de qual é o papel da educação, como gênero, e do ensino, como espécie, na formação, da decência e no desenvolvimento da sociedade, mormente, nos dias atuais, ante a galopante e antiética corrupção que assola a todos, não sendo diferente na área da educação, vale dizer, de muita importância, o papel da escola, no contexto mencionado, porém, não só da escola, haja vista, por exemplo, que, no normal, um estudante, vive, das suas horas diárias, quatro na escola e, vinte fora da escola, envolvido em atividades outras, tais como, lazer, televisão, BBB-18, futebol, vídeos-games, shopping, família, entre outras.

De tal modo, pelo posto, vê-se um verdadeiro massacre contra as ideias difundidas e criadas no ambiente escolar, assim, é bom que se diga que a escola faz sim, muita coisa, mas, não faz o conjunto do que deve ser feito, na medida em que há de preocuparem-se, com injunções outras, não menos importantes, como, por exemplo, a educação física, a educação artística, a educação religiosa, a educação de transito, a educação sexual, e outras, da mesma forma, cuidar da merenda escolar, discutir valores da sociedade, denodos de formação moral, de formação ética, cuidar das crianças, dos adolescentes rebeldes, cuidar da saúde, preocupar-se do uso drogas, da violência, zelar para não se matarem, ensinar como deve ser a convivência em sociedade, mormente, com adultos, muitos com origem de indisciplinadas e desregradas famílias, do mesmo modo, o acesso ao mundo digital, o ingresso às novas tecnologias, o entendimento sobre a necessidade de inovação, mais ainda, como agravante, sem esquecer que é o professor, o docente, o educador, muitas vezes, o primeiro adulto que impõe alguns limites, na medida em que ele é que pergunta pela caneta, manda tirar o fone do ouvido, questiona pelo não uso do uniforme, pergunta pelo caderno, etc…, enfim, que combate diretamente a impassibilidade, e, neste intermédio, quando lhe sobra algum tempo, impõe-se a ensinar a matemática, a geografia, a física, a língua portuguesa e outras, buscando sempre a formação continuada, as parcerias, enfim, cabe ao professor, lidar com o povo, discutir as ideias, dar solida formação, e, até, como solução, muitas vezes, incentivar o recolhimento dos tributos, quando deveria este “dar aula”.

Isto colocado, sem perder a oportunidade de falar naquele que é o executor de toda e qualquer providência, vale questionar o que é que o Estado e a população oferecem ao professor? Podem pensar alguns, aumento de salário, bom que se diga que educação, mormente, ensino, não é só salário, não são só melhores condições de trabalho, para isto, basta ver que o reajuste salarial, obviamente, não reajusta o nível da educação, o que se faz preciso é uma educação prestigiada, apoiada e não uma educação tão-somente como uma fala, como um compromisso eventual, principalmente, em discursos de cunho politico, enfim, que saia-se deste panorama em que, se precisar ensina-se português, matemática, geografia, física, ou seja, melhor dizendo, se der tempo.

A luz do supracitado denota-se quão difícil torna-se a missão de ensinar e transformar o cenário contendo um Estado forte, uma população instruída e um governo honesto quando ao que se vê, em um sistema que prega uma inversão de valores, em uma sociedade que estimula cotidianamente a “celebridade banal”, em regra efêmera, transitória e passageira, enquanto impõe ao professor ter que dizer que o aluno, o colegial, o educando deve “estudar para crescer”, talvez, por isto, sabe-se que uma pessoa com quinze no Brasil possui uma capacidade de entendimento igual ou pior do que uma pessoa de dez na coreia.

Em prosseguimento, vale frisar que, de plano, nota-se quem são as vitimas e o por que do cenário em que se tem, em verdade, um Estado fraco, uma população ignorante e um governo corrupto, mas quem são os autores? Quem são aqueles que usufruem ao mesmo tempo em que desprezam, desamparam e desvalem a escola, sobretudo, a pública, pior, entre estes, comum se faz ver até professores, enfim, grupos de agentes que fazem questão de demonstrar e alvitrar quem são os verdadeiros donos da educação, das escolas, que são os pais das crianças e adolescentes, se bem que, vale expor, estes, igualmente, com grande parcela de culpa ao se habituarem, ao se acostumarem a buscar penosamente, em longas filas, com sede e com fome, na chuva, no escuro, uma vaga de algo que lhe é de propriedade, de domínio, de uso, gozo, disposição e reivindicação, na medida em que recolhe seus tributos direta ou indiretamente e, assim, mantém a administração pública objetiva da educação e, no sentido especifico, o ensino.

Pois sim, infelizmente, tal desprezo é tanto que, normal, se faz ouvir que as crianças e adolescentes, mormente, em escolas públicas, “comem” de graça, esquecendo-se, motivados por um sentimento de que a população é ignorante e não sabe disto, que o alimento servido na escola é sim pago e, vale dizer, muito bem pago, na tributação e, assim sendo feito, exige a devolução. Sim, como devolução?

Logicamente, cabe ao Estado devolver ao cidadão, vale dizer, “contribuinte”, nominação estranha, pois, em verdade, tributo é imposto, é infligido, é cominado a todos, portanto, não há o tal “contribuinte”, mas, deve haver a devolução em forma de serviços públicos, ou mesmo no âmbito privado, entre eles, o da educação, a contento, desta forma tornando mais fácil a ação e a busca por outros motivos para satisfazer as necessidades da sociedade e, com isso, ser mais eficiente e proporcionar a felicidade de todos, caso contrário, haverá sim, uma pratica estelionatária, na medida em que presente estará a vantagem ilícita, em prejuízo da sociedade, em que haverá indução ou mantença da sociedade em erro, mediante artifícios, ardis, ou, mesmo, da mesma forma, de qualquer outro meio que seja fraudulento, leonino, de má-fé.

Destarte, sem a apropriada devolução não haverá o respeito ao cidadão, ou, como queiram, ao “Contribuinte”, maiormente, ante a ideia anunciada de que, financiar a educação, é um constante passar da sacolinha, o que, na verdade, não o é e exige, sim, uma eficaz devolução em forma de serviço público, ou mesmo no âmbito privado, adequado, jamais viciado, pois, é bom que se diga, cabe aos órgãos públicos, por si, diretamente, ou suas empresas, de natureza privada, indiretamente, ou ainda, por suas delegadas, vale dizer, as concessionárias, as permissionárias ou aquelas sob qualquer outra forma de empreendimento, que estão obrigados a fornecer serviços, entre eles, o de educação, adequados, eficientes, seguros e, mais ainda, quanto aos essenciais, contínuos.

E ao cidadão? Bem, a ele cabe o papel de cidadania, de cobrar o conjunto de ações daqueles que detém os poderes: politico, econômico, escolar, acadêmico, que assim o tem para que sejam capazes de responder ao compromisso anual de que o poder público, ou mesmo o setor privado, a fim de garantir a todos um Estado forte, uma população instruída e um governo honesto, faça sua parte junto com a sociedade e a escola.

Posto isto, desta forma, à luz da latente verificação de que o problema todo se concentra no fator de que há deficiência na “gestão”, sim, de gestão em todas as áreas, e, desta forma, igualmente, na educação, nesta para que se possa formar, talvez ainda na “geração Z”, um futuro melhor e mais venturoso, vale a pergunta: o que se faz imprescindível, indispensável, imperioso, para que se tenha um Estado eficiente, competente e forte, ainda, uma população adequadamente instruída, estudada, formada e educada e, igualmente, um governo virtuoso, probo, honesto e incorruptível, fazendo prevalecer o legado de Aristóteles quando disse que “A educação tem raízes amargas, mas os seus frutos são doces.”, para que, assim, sejamos um povo feliz? O que falta?

*Marco Aurélio Guilherme Flores é militar da reserva remunerada do Exército Brasileiro e professor de direito

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