Aldeia do Acre vai abrir ecomercado onde produtos serão adquiridos por trocas de latas e plásticos

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Imagine ir ao supermercado para comprar alimentos cultivados na localidade e pagar por eles com latas de alumínio, detritos plásticos e outros objetos que seriam despejados na natureza. Isso será possível graças à implantação do primeiro ecomercado indígena do Brasil que vai ser inaugurado no dia 31 desse mês em Marechal Thaumaturgo, no Acre.

O primeiro ecomercado foi pensado e criado por meio de acordos entre a Fundação House Of Indians, instituição holandesa com sede em Bruxelas (Bélgica), e a Tribo Ashaninka do Rio Amônia de Marechal Thaumaturgo em meados de 2014.

O ecomercado oferecerá alimentos e artesanato originário da cultura local, reforçando a economia indígena, favorecendo uma agricultura ecologicamente durável e garantindo às comunidades os meios de permanecerem proprietários de suas terras e simultaneamente protegendo a floresta.

A gestão do empreendimento será da tribo Ashaninka, que irá cuidar do estoque de alimentos, da negociação com os fornecedores e da manutenção do estabelecimento. Também serão responsáveis pelo processo de recebimento, pesagem, armazenamento e enfardamento dos recicláveis. O transporte do material recebido será realizado por meio de uma parceria com a prefeitura local. O espaço que irá abrigar o ecomercado foi reformado e mobiliado com investimentos da fundação House.

Com a parceria entre a Tribo Ashaninka e a Prefeitura de Marechal Thaumaturgo, a Fundação House Of Indians espera ir além da geração de renda para a tribo. A outra meta é conscientizar a população para a necessidade de manter limpa a cidade e as margens do Rio Amônia, principal via de transporte na região.

Inicialmente, estarão disponíveis aos consumidores somente produtos orgânicos produzidos pela agricultura familiar local. Alimentos industrializados, produtos de limpeza ou outros itens de consumo poderão ser incluído com o avanço do projeto.

Para Benki Pyãko, líder ashaninka, a iniciativa tem como objetivo desenvolver uma abertura de consciência sobre o valor ecológico e econômico da reciclagem. Com a medida, as comunidades indígenas das florestas tropicais tornam-se atores essenciais na proteção da Amazônia.

“Vivemos a consequência direta do crescimento do contato entre as populações e a consumo industrial (garrafas, sacos e embalagens plásticas, latas de alumínio). Infelizmente as políticas de reciclagem são raras nas regiões rurais da floresta, por isso temos de agir”, enfatiza.

Um grupo composto por 15 europeus além dos representantes das instituições parceiras e autoridades locais confirmou presença na solenidade. O grupo realizará também na cidade a entrega de sacolas para o transporte de recicláveis e panfletos.

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