“O Huerb voltou à era da escravidão. Não tem nem cadeira pra descansar”, denuncia enfermeira

Servidora do Pronto Socorro afirma que hospital não oferece cadeiras para enfermeiros e técnicos descansarem durante plantões

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Enfermeiros trabalham até 24 horas em pé por falta de cadeiras para descanso, denuncia servidora

Uma enfermeira que presta serviços no Pronto Socorro do Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb), que preferiu não se identificar com medo de represálias, denunciou à reportagem da Folha do Acre nesta quinta-feira (9) que os servidores do PS estão trabalhando sem poder ao menos sentar durante os plantões para descansar. A servidora classificou a decisão da direção do Huerb como retrógrada e que beira o trabalho escravo.

“Depois de tirar o repouso e jogar os pertences dos técnicos no chão como se fossem lixo, a gerência do Huerb agora volta a era do trabalho escravo, fazendo com os técnicos trabalhem até 24 horas em pé, sem nenhum direito a sentar, pois até cadeiras faltam, e as únicas 3 que tem em um setor de mais de 10 funcionários, estão quebradas, os funcionários passam até 24 horas sem direito algum de um descanso digno, estão tratando os funcionários que são trabalhadores dignos, que são eles que levam aquele hospital nas costas, como vagabundos. Como se já não faltasse de um tudo, os técnicos e enfermeiros além do trabalho puxado voltaram ao trabalho escravo”, desabafou a enfermeira.

A servidora afirma que após demissões no quadro do Pró-Saúde o Pronto Socorro ficou com a escalada defasada e sem trabalhadores em número apto a cobrir as escalas. Segundo a denunciante, com a falta de profissionais, os técnicos e enfermeiros que prestam serviços no hospital estão sobrecarregados.

Goteiras quase caem em cima de pacientes

“As escalas sempre desfalcadas sobrecarregam todos os plantonistas que são obrigados a aceitar o desfalque. Existem muitos problemas no setor como péssima estrutura por todo lado, paredes esburacadas, ar condicionado parado há anos, baldes pra conter a água que goteja do único ar que tenta funcionar”, diz.

O enfermeira também denúncia a falta de medicamentos básicos como Omeprazol e Ranitidina além de colchões e lençóis para pacientes.

“Falta material de proteção básico, falta medicação básica como Omeprazol, Ranitidina. Faltam colchões e lençóis para os pacientes e o mais importante é encontrar meios de tirar o mínimo que a enfermagem tinha, um lugar pra descansar e sentar pra comer, já que o Huerb não serve comida digna para os funcionários e nem pacientes, não servem café da manhã, nem refeições entre horários e é uma raridade ter um tomate e uma farofa no almoço e no jantar. Com tantas obras necessárias pra se fazer na unidade, inventam coisas pequenas que afetam diretamente os servidores que se doam tanto ao trabalho. Quem sofre mais são os que mais trabalham, os que mais se dedicam e são os mais desvalorizados”, desabafa a servidora.

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Versão do Huerb

A reportagem da Folha do Acre entrou em contato com a assessoria de comunicação da Secretaria de Saúde que informou que a direção do Huerb não foi comunicada da falta de cadeiras para descanso dos plantonistas. Mas a assessoria garantiu que as cadeiras quebradas serão substituídas por poltronas.

Direção diz que poltronas serão ofertadas a servidores

“A direção não está informada disso. Inclusive, estamos dispondo de espreguiçadores para os servidores. As cadeiras quebradas estão sendo substituídas por espreguiçadeiras, que são, inclusive, mais confortáveis”, diz mensagem enviada pela direção do Huerb.

Sobre a falta de estrutura e medicamentos, a direção do hospital negou que os medicamentos citados na reportagem estejam em falta.

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