Prefeito convoca audiência e pede ajuda da população para que Acrelândia não entre em colapso

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Prefeito Ederaldo Caetano/Foto: Gleilson Miranda/Secom

Contas abertas ao público, sugestão de gestão compartilhada e pedido de ajuda, em sugestões, para que o município de Acrelândia não entre em colapso financeiro e administrativo. Essa foi a proposta da audiência pública realizada na segunda-feira (30) na sede do Ministério Público daquela cidade. A audiência foi proposta pelo prefeito Ederaldo Caetano (PSB) e contou com representantes de diversos sindicatos, igrejas, vereadores e representantes da sociedade civil organizada.

Usando slides, o prefeito Caetano mostrou os números de receitas, despesas e dívidas da prefeitura e através dos técnicos municipais mostrou que o município está com o limite de gastos prudenciais estourado, sendo que mais de 57% do total da renda da cidade é destinada apenas a uma secretaria, a de educação.

Confira vídeo da audiência:

Caetano também mostrou que gestões anteriores deram aumentos acima do que a lei permitia e atualmente inviabilizou a administração pública.

“O que estamos fazendo aqui é sermos mais que transparentes, é chamando todos as pessoas interessadas nessa discussão da crise, mostrando como estão as coisas. Aqui estão os números que não mentem, o que temos hoje é uma gestão à beira de um colapso financeiro e nem adianta dizer que isso começou agora, pois não foi. Porém não sou homem de discutir passado e estamos aqui para juntos buscarmos uma solução”, declarou.

O anúncio de contenção de gastos, demissão de servidores comissionados e adiamento no pagamento de 1/3 das férias dos servidores da educação e corte de gratificações não agradou a todos e mesmo diante de contestações e interrupções constantes, Caetano se manteve firme e frisou que seguirá agindo dentro da lei e lutando para o município não se tornar inviabilizado economicamente.

“Houve aqui uma sugestão que eu reduzisse da Secretaria de Obras, mas lá só temos dois funcionários e tirar mais alguém para tudo. Temos apenas 2 garis para a limpeza geral da cidade, se demitirmos secretários e corpo técnico o administrativo todo para”, frisou.

Bastante criticado pelos representantes do Sindicato da Educação, o secretário da pasta, Donizete Melo, sugeriu abrir mão do próprio salário de secretário e receber apenas como servidor da pasta, mas garantiu que, no momento, não há receita para pagar o percentual de férias dos servidores. O próprio prefeito Caetano afirmou aos sindicalistas que eles irão receber, mas não no momento.

“Ninguém aqui está dizendo que não vai pagar, vocês irão sim receber, mas quero que vejam essas contas, me digam onde devemos cortar e como fazemos para poder honrar com vocês. Estou aqui dividindo o problema e buscando solução conjunta”, frisou.

Acrelândia, um barril de pólvora

A explanação do prefeito Caetano a respeito das contas da prefeitura não agradou os sindicalistas. Um dos representantes sindicais, professor Ricardo, ameaçou ajuizar ações contra a gestão, inviabilizar a administração e processar o próprio prefeito. “Se prepare para processos”, frisou.

O prefeito que enfrentou a plateia nada amistosa de cabeça erguida afirmou que não teme processos e que fará tudo que a lei determinar.

“Vocês estarão no direito de vocês se quiserem processar, eu não temo processo porque não estou fazendo nada de errado. Tenho as mãos e a conciência limpa. Se a Justiça determinar qualquer tipo de pagamento nós faremos mesmo que para isso pare toda a administração. Farei o que manda a lei”, diz.

Logo após a audiência pública, os ânimos se exaltaram ainda mais e o presidente da Câmara de Vereadores da cidade, Tiririca (PSD), fez observações duras ao prefeito, acusando-o de má gestão. Em resposta ao oposicionista, Caetano pediu sugestões de como resolver a questão das contas de Acrelândia e sugeriu que o presidente do Poder Legislativo também abrisse as contas daquele poder.

“Eu aceito sugestões e soluções e não vou ceder pressões políticas quando se tratar do dinheiro público. O que o presidente Tiririca poderia fazer era abrir as contas da Câmara também e tornar tudo mais transparente”, diz.

Acrelândia: lugar onde a política e sangue se misturam

A política e administração pública em Acrelândia já virou caso de polícia algumas vezes nos últimos anos, sendo que um ex-prefeito, Carlinhos, foi condenado por formação de um consórcio para assassinar um vereador da cidade, Pinté. O caso remonta a data de 2011, quando uma vereadora e secretários da cidade também foram condenados pelo mesmo crime.

Caetano busca saída para Acrelândia

Bem menos dramático, mas igualmente danoso para a população de Acrelândia, foram os afastamentos de outros prefeitos acusados de desvio de dinheiro público e que deixaram a cidade à deriva. Jonas Dalle, um dos ex-prefeito que autorizou um aumento acima do limite prudencial e que hoje causa esse problema das contas da prefeitura, chegou a ser afastado da prefeitura por ordem judicial três vezes e impedido de chegar perto do predio da administração.

Historicamete, desde 2006 quando acabou a gestão de Tião Bocalom que Acrelândia enfrenta sucessivas crises. Praticamente nenhum prefeito terminou o mandato sem afastamento judicial ou prisão.

Caetano, o atual prefeito, afirma que está preparado para impopularidade, mas garante que preso e nem condenado será por descumprir a lei.

“Posso não ser o mais aplaudido da história, mas vou honrar meu nome e não farei nada de ilegal para ficar bem com a plateia.

Veja a lista dos últimos prefeitos de Acrelândia:

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