“Vivemos inseguros, em pânico”, diz produtor ao denunciar ação de facções nos seringais

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Foi na audiência pública realizada nesta segunda-feira (12) pela Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), que o senador Jorge Viana (PT), deputados estaduais e secretários ficaram cientes da insegurança que os seringueiros e agricultores vivem nos lugares mais extremos do Acre. Um desabafo proferido por um extrativista prendeu atenção de todos os presentes no auditório da Fieac quando o assunto era apenas um: Proibir ou não a exportação “in natura” da castanha no Acre.

Durante uso da palavra, o produtor Jeane Mesquita que vive na colocação Palmeira (Reserva Florestal do Antimary), descreveu à morosidade da justiça e a falta de segurança pública ao longo da BR-364 no município de Sena Madureira.

Mesquita chamou atenção das autoridades ao relatar que os produtores de castanha que vivem na reserva estão sendo coagidos, humilhados e ameaçados de morte por poceiros e membros de facções criminosas. Segundo ele, na semana passada, o filho de morador da localidade morreu atingido por arma de fogo após assalto seguido de ameaças por invasores de terra e membros de facções.

“Nós vivemos inseguros. A polícia não vai lá. Estamos em pânico. Estamos à mercê dos bandidos e nada podemos fazer. As autoridades não tomam conhecimento. Espero que o estado e a justiça façam alguma coisa. Vidas inocentes estão em jogo”, acrescentou.

Na concepção de Jeane Mesquita, o desemprego que surge na cidade impulsionou na apropriação de terras particulares ou já tituladas pelo Governo Federal através do Incra. São terras de fácil acesso tendo em vista que suas localidades são às margens da BR-364 e variantes. São nelas que os invasores querem a qualquer custo instalar barracos e se apossarem das produções dos agricultores.

Jeane relatou que o seu próprio irmão já foi ameaçado de morte e que por conta disso, a produção de castanha ficou comprometida. “Meu irmão, por exemplo, mora com a mulher e a filha pequena, recém-nascida. Antes, ele colhia duas mil latas de castanha. Hoje só conseguiu 600. Tudo porque chegam seis homens fortemente armados, de moto, e entram lá e quebram tudo. São perigosos, disparam tiros pra todo lado. Eles estão até com GPS, entram na mata e fazem picadão [abertura/varadouro], fazem a medição das colônias, levam gente pra lá e se dizem donos”, relatou.

O produtor disse que sua área foi invadida por sem terras. Ele não sabe a quem recorrer tendo em vista que pagou mais de R$ 18 mil reais com advogado para solicitar reintegração de posse, no entanto, já se passaram quatro meses e não há nenhum retorno da justiça.

“A justiça está sendo omissa conosco. Já fui duas vezes ao Ministério Público já pediu um posicionamento, alegou que tinha idoso no processo, e passaram quatro meses sem nenhuma novidade. Nós só queremos pedir a manutenção de posse e possamos assim viver em paz”, criticou.

Diante de tamanho descaso, os produtores pedem atenção do poder público. Durante audiência, os deputados confirmaram que farão nas comunidades mais isoladas do estado oitivas para debater não somente o mercado da castanha “in natura” quanto à insegurança vivida nas regiões desertas.

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