Internações por síndrome respiratória grave crescem 35,7% no Acre e pressionam rede hospitalar
O Acre registrou 1.438 notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) entre as semanas epidemiológicas 1 e 21 de 2026, um aumento de 35,7% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram contabilizados 1.060 casos. Os dados constam no mais recente boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre).
O número também supera em 27,3% os registros observados no mesmo intervalo de 2024, quando foram notificadas 1.130 ocorrências. Segundo a análise da secretaria, o avanço das internações está relacionado principalmente à circulação do Vírus Sincicial Respiratório (VSR), do Rinovírus e da Influenza A.
O boletim classifica o cenário atual como de alerta para a saúde pública, apontando aumento da demanda por leitos hospitalares e maior pressão sobre as unidades de referência do Estado.
As crianças concentram a maior parte das internações. O grupo de 2 a 4 anos lidera os registros, com 312 casos, seguido pelas crianças de 5 a 9 anos, com 273 notificações, e pelos menores de 2 anos, que somam 222 internações. Entre os idosos com mais de 60 anos foram registrados 266 casos.
A maior concentração de notificações ocorreu em Rio Branco, com 575 registros, seguida por Cruzeiro do Sul, com 223. Municípios como Marechal Thaumaturgo e Feijó também apresentaram números considerados relevantes pela vigilância epidemiológica.
Entre as unidades hospitalares, o Hospital Infantil Iolanda Costa e Silva, na capital, registrou o maior volume de notificações, com 401 casos. Em seguida aparecem o Hospital Regional do Juruá, em Cruzeiro do Sul, com 386 registros, e o Hospital Geral de Clínicas de Rio Branco, com 156.
Apesar do aumento das hospitalizações, o boletim aponta redução da mortalidade associada às síndromes respiratórias graves. A taxa de letalidade caiu para 2,99% em 2026. Entre os idosos, os óbitos passaram de 58 em 2024 e 37 em 2025 para 13 neste ano.
Por outro lado, o número de mortes entre crianças menores de dois anos atingiu o maior patamar do triênio analisado. Foram registrados dez óbitos nessa faixa etária em 2026, ante quatro em 2025 e dois em 2024.
A Sesacre atribui essa mudança no perfil dos casos à redução da circulação do coronavírus e ao aumento da transmissão do Vírus Sincicial Respiratório, considerado atualmente o principal agente associado às internações pediátricas.
O boletim também chama atenção para os índices de vacinação contra a influenza. Nenhum dos grupos prioritários alcançou a meta de cobertura de 90% estabelecida pelo Ministério da Saúde. Entre os idosos, a cobertura chegou a 27,48%. Entre crianças de seis meses a menores de seis anos, ficou em 41,02%.
Em Rio Branco, a vacinação alcançou 44,65% dos idosos e 40,5% das crianças. Já no município de Bujari, os índices foram de 8,28% e 20,87%, respectivamente.
A Secretaria de Saúde reforça a recomendação para que a população dos grupos prioritários procure os postos de vacinação e mantenha as medidas de prevenção, especialmente diante do aumento das internações observado nas últimas semanas.
