MPAC abre procedimento para conter divulgação de imagens de alunos após ataque em escola

Por Aikon Vitor, da Folha do Acre

MPAC abre procedimento para conter divulgação de imagens de alunos após ataque em escola

O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) instaurou um procedimento administrativo para conter a circulação de imagens e informações envolvendo crianças e adolescentes após o ataque registrado no Instituto São José, em Rio Branco, no último dia 5 de maio.

A medida, formalizada pela Portaria nº 0005/2026/3ª PEDCA, tem como foco impedir a exposição indevida de vítimas e do adolescente apontado como autor do ato infracional. O procedimento tramita sob sigilo absoluto.

Na portaria, o promotor de Justiça Iverson Rodrigo Monteiro Bueno destaca que a divulgação de fotos, vídeos e dados pessoais em redes sociais e aplicativos de mensagens viola direitos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente, como a preservação da imagem e da identidade.

O documento também aponta que a disseminação desse tipo de conteúdo pode agravar os danos psicológicos às vítimas e familiares, além de contribuir para a chamada “revitimização”. O Ministério Público menciona ainda o risco de “efeito contágio”, com a possível reprodução de episódios de violência.

Entre as medidas determinadas, está o envio de recomendação a plataformas digitais e veículos de comunicação para que removam, no prazo de até 48 horas, conteúdos que identifiquem os envolvidos no caso. O MP também requisitou à polícia a apuração da origem das imagens e a identificação de perfis responsáveis pela disseminação.

Outro ponto previsto é o pedido para que o inquérito policial tramite em sigilo, evitando o vazamento de provas, como vídeos, depoimentos e registros periciais. A Secretaria de Estado de Educação deverá informar quais ações adotou para proteger os dados dos estudantes após o ocorrido.

O procedimento inclui ainda a comunicação ao Conselho Tutelar e à Justiça da Infância e Juventude. O prazo inicial de tramitação é de um ano, com possibilidade de prorrogação.

Segundo o Ministério Público, a iniciativa busca assegurar direitos fundamentais de crianças e adolescentes, diante da repercussão do caso e da rápida propagação de conteúdos nas redes digitais.

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