Mesmo após suspensão da greve, escolas municipais de Rio Branco seguem sem aulas; servidores mantêm mobilização

Por Aikon Vitor, da Folha do Acre

Mesmo após suspensão da greve, escolas municipais de Rio Branco seguem sem aulas; servidores mantêm mobilização

A decisão judicial que determinou a suspensão da greve dos servidores da educação municipal de Rio Branco não encerrou a mobilização da categoria. Embora o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Acre (Sinteac) tenha acatado a liminar expedida pelo Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC), diversas escolas da rede municipal permaneceram sem aulas nesta sexta-feira (29).

A paralisação havia sido iniciada na semana passada em meio às reivindicações por reajuste salarial e melhorias nas condições de trabalho. Em decisão liminar, a Justiça considerou o movimento grevista abusivo e determinou sua suspensão, sob pena de multa diária de R$ 50 mil ao sindicato.

Diante da decisão, a entidade sindical anunciou oficialmente o fim da greve. No entanto, professores e demais profissionais da educação decidiram manter atos de protesto de forma independente, sem a participação formal do sindicato.

Na manhã desta sexta-feira, servidores se reuniram em frente à sede do Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), em Rio Branco, para protestar contra a decisão judicial e apresentar reivindicações relacionadas à valorização profissional e à estrutura das unidades de ensino.

Representantes do movimento foram recebidos por membros do Ministério Público e entregaram relatos sobre problemas enfrentados nas escolas municipais. Entre as principais reclamações estão a defasagem salarial, dificuldades na negociação com a Prefeitura de Rio Branco e falhas na infraestrutura das unidades de ensino.

Enquanto isso, algumas escolas continuaram com os portões fechados. Na Escola Municipal Francisca Aragão, por exemplo, não houve atividades no período da manhã. Em outras unidades da capital, o cenário foi semelhante, gerando incerteza para pais e responsáveis sobre a retomada das aulas.

Segundo os servidores, uma comissão formada por representantes de diferentes escolas assumiu a condução das negociações após a saída formal do sindicato do movimento. O grupo afirma que os protestos não configuram uma greve, já que a paralisação oficial foi encerrada em cumprimento à decisão judicial.

Uma nova rodada de discussões está prevista para a próxima segunda-feira (1º). Os representantes da categoria devem se reunir com integrantes do Tribunal de Justiça e também aguardam encaminhamentos do Ministério Público sobre as demandas apresentadas.

Durante o ato, a assistente de creche Pâmela, uma das representantes do movimento, afirmou que os profissionais buscam não apenas reajustes salariais, mas também melhores condições para o funcionamento das escolas.

“A educação do município precisa ser ouvida. Temos problemas estruturais, dificuldades relacionadas à alimentação escolar e pautas salariais que precisam ser discutidas. Estamos buscando apoio das instituições para que essas reivindicações sejam analisadas”, declarou.

Até o momento, não há definição sobre a normalização das atividades em todas as escolas da rede municipal. O retorno integral das aulas deverá depender dos desdobramentos das reuniões previstas para os próximos dias.

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