Acre está entre os estados com maior carga de trabalho do país; Norte lidera jornadas acima de 44 horas semanais

Por Aikon Vitor, da Folha do Acre

Os trabalhadores acreanos estão entre os que mais cumprem jornadas superiores a 44 horas semanais no Brasil. Levantamento divulgado pelo projeto Brasil em Mapas, com base em dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho, e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), do IBGE, mostra que 68% dos trabalhadores do Acre ultrapassam a carga horária semanal de 44 horas.

O percentual coloca o estado entre os mais afetados pela chamada “jornada longa” no país. Além disso, a média semanal de trabalho no Acre alcança 45,3 horas, quase duas horas acima da média nacional, que é de 43,4 horas.

Os números reforçam uma tendência observada em toda a Região Norte, que aparece como a área do país com maior intensidade de trabalho. Segundo o estudo, 69% dos trabalhadores nortistas atuam além das 44 horas semanais, registrando média de 45,3 horas de trabalho por semana.

Entre os estados da região, os índices mais elevados foram registrados no Pará e no Maranhão, ambos com 71% dos trabalhadores acima da jornada legal. Em seguida aparecem Amazonas e Piauí, com 70%, além do Amapá e Ceará, que registraram 69%.

No Acre, o percentual de trabalhadores submetidos a jornadas prolongadas supera a média nacional em 12 pontos percentuais. Em todo o Brasil, 56% dos trabalhadores exercem atividades acima das 44 horas semanais.

Os dados revelam um contraste regional significativo. Enquanto o Norte lidera o ranking nacional, com média de 45,3 horas semanais, o Sudeste apresenta a menor carga horária média do país, com 42,3 horas.

O levantamento aponta ainda que estados economicamente mais industrializados, como São Paulo e Rio de Janeiro, registram percentuais menores de trabalhadores acima do limite de 44 horas. Em São Paulo, por exemplo, o índice é de 43%, enquanto no Rio de Janeiro chega a 46%.

No Norte, porém, a realidade é diferente. Além do Acre, todos os demais estados da região apresentam índices superiores a 65%, evidenciando uma concentração de atividades que demandam maior tempo de trabalho, especialmente em setores ligados ao comércio, transporte, serviços e atividades primárias.

Os dados surgem em meio ao crescimento do debate nacional sobre redução da jornada de trabalho e flexibilização da escala 6×1. Especialistas apontam que jornadas prolongadas podem impactar diretamente a qualidade de vida, a saúde física e mental dos trabalhadores e o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.

Embora a legislação trabalhista brasileira estabeleça 44 horas semanais como limite padrão, os números indicam que uma parcela expressiva dos trabalhadores brasileiros permanece submetida a cargas horárias superiores a esse patamar.

No Acre, onde mais de dois terços dos trabalhadores ultrapassam esse limite, o levantamento coloca o estado entre os principais exemplos de uma realidade que continua marcando o mercado de trabalho da Região Norte.

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