A violência sexual contra crianças e adolescentes ocorre, na maioria dos casos, dentro do próprio ambiente familiar. A avaliação é do conselheiro tutelar Anilton Andrade, que participou do FolhaCast nesta quinta-feira (7).
“Cerca de 95% dos casos são intrafamiliares. Os abusadores são pais, avós, tios, irmãos”, afirmou.
De acordo com ele, o vínculo de confiança facilita a ação do agressor. “Não é um desconhecido que chega. É alguém da família, alguém que a criança conhece e em quem confia.”
O conselheiro alertou que esse contexto torna o crime ainda mais difícil de ser identificado e denunciado. Por isso, ele destacou a importância de observar mudanças de comportamento.

“Uma criança que era alegre pode ficar retraída. Pode voltar a urinar na cama, ter pesadelos, medo de pessoas. Já adolescentes podem se isolar ou até se automutilar”, explicou.
Andrade também detalhou como funciona o atendimento nesses casos. Segundo ele, o Conselho Tutelar atua no acolhimento e encaminhamento, mas não realiza a escuta da vítima. “A escuta é feita por profissionais especializados, como psicólogos, na delegacia. A gente encaminha para garantir o atendimento adequado.”
Ele reforçou que a denúncia deve ser feita imediatamente diante de qualquer suspeita. “Não precisa ter certeza. A suspeita já é suficiente para acionar os órgãos responsáveis.”
