Exploração sexual de menores no Acre envolve falsas promessas e atuação de facções criminosas, diz conselheiro

Por Aikon Vitor, da Folha do Acre

Casos de exploração sexual de adolescentes, muitas vezes associados ao tráfico de pessoas, também foram tema da entrevista do conselheiro tutelar Anilton Andrade ao FolhaCast.

Segundo ele, jovens são frequentemente atraídas com promessas de trabalho e acabam sendo levadas para outros estados, onde passam a ser exploradas. “Eles vendem o mundo. Oferecem emprego, oportunidade. Quando a menina chega lá, já não consegue sair”, afirmou.

Andrade relatou o caso de uma adolescente de 17 anos, natural de Rio Branco, que foi levada para Rondônia e mantida em uma casa de prostituição sob controle de uma facção criminosa.

“Ela não recebia pelo programa. O dinheiro ficava com a exploradora. O que ela ganhava era R$ 10 por bebida colocada na mesa do cliente”, disse.

Conselheiro tutelar Anilton Andrade foi o convidado do FolhaCast/Foto: Folha do Acre

O conselheiro afirmou que situações semelhantes já foram identificadas também em Mato Grosso, incluindo casos envolvendo adolescentes ainda mais jovens.

Além da exploração sexual, ele alertou para a possibilidade de outros crimes associados. “A gente não pode descartar o tráfico humano e até o tráfico de órgãos. Isso não é só coisa de filme. Infelizmente, acontece.”

Dados apresentados por Andrade indicam que, somente em 2025, um dos conselhos tutelares de Rio Branco registrou 74 casos de abuso sexual. Em 2026, até o momento da entrevista, já haviam sido contabilizados 27 casos.

Segundo ele, cada conselho da cidade recebe, em média, de três a quatro ocorrências por dia.

“O problema não está restrito a uma região. Acontece em todo lugar. Por isso, os pais precisam redobrar a atenção.”

O conselheiro destacou que o enfrentamento depende de uma atuação integrada entre instituições. “Conselho Tutelar, polícia, Ministério Público — todos precisam atuar juntos para combater esse tipo de crime.”

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