Desemprego avança no início de 2026 e expõe fragilidades no Norte; Acre registra uma das maiores altas do país

Por Aikon Vitor, da Folha do Acre

A taxa de desocupação no Brasil voltou a subir no primeiro trimestre de 2026 e chegou a 6,1%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O movimento interrompe a trajetória de queda observada ao longo de 2025 e revela um início de ano mais difícil para o mercado de trabalho, especialmente em estados do Norte.

No Acre, o aumento foi de 1,8 ponto percentual em relação ao trimestre anterior, colocando o estado entre os destaques negativos do país. A alta acompanha uma tendência observada em outras unidades da federação, mas ganha peso na região Norte, onde as condições de emprego são historicamente mais instáveis.

Apesar do avanço recente do desemprego, o Acre apresenta uma característica distinta: a baixa proporção de trabalhadores por conta própria, que ficou em 18,9%, uma das menores do Brasil. O dado sugere menor dependência do trabalho autônomo em comparação com outros estados nortistas, embora não elimine os desafios do mercado local.

O contraste aparece de forma mais evidente no Amazonas. O estado tem quase um terço da população ocupada trabalhando por conta própria (29,9%) e uma taxa de informalidade que ultrapassa metade da força de trabalho, chegando a 53,2%. Esse cenário evidencia uma economia mais baseada em ocupações precárias e com menor proteção social.

No Pará, a situação é semelhante: a informalidade atinge 56,5% dos trabalhadores, uma das mais altas do país. Já Rondônia, embora tenha registrado aumento no desemprego no trimestre, mantém uma das menores taxas de desocupação nacional, de 3,7%.

O Amapá, por sua vez, lidera o ranking nacional de desemprego, com 10,0%, reforçando o quadro de desigualdade regional. Enquanto estados do Sul e Sudeste apresentam índices próximos do pleno emprego, parte da região Norte ainda enfrenta dificuldades para gerar postos de trabalho formais.

Os dados nacionais também revelam desigualdades estruturais. Mulheres continuam sendo mais afetadas pelo desemprego, com taxa de 7,3%, ante 5,1% entre os homens. A diferença também se repete no recorte racial: pretos e pardos têm taxas superiores à média nacional, enquanto brancos registram níveis mais baixos de desocupação.

A escolaridade segue como fator determinante. Trabalhadores com ensino médio incompleto enfrentam as maiores taxas de desemprego, de 10,8%, enquanto aqueles com nível superior completo apresentam índice significativamente menor, de 3,7%.

Outro indicador que ajuda a dimensionar o cenário é a taxa de subutilização da força de trabalho, que ficou em 14,3% no país. Embora os estados do Norte não liderem esse ranking, a combinação entre desemprego, informalidade e ocupações precárias mantém a região em posição vulnerável.

Mesmo com o aumento recente da desocupação, há sinais pontuais de melhora. O número de pessoas que procuram emprego há dois anos ou mais caiu de 1,4 milhão para 1,1 milhão em um ano. Além disso, o rendimento médio mensal subiu para R$ 3.722, embora tenha permanecido estável na região Norte.

Publicidade