Criador do filme Tropa de Elite diz que ataque em escola de Rio Branco expõe falhas na prevenção e negligência
O ex-capitão do Bope do Rio de Janeiro e especialista em segurança pública Rodrigo Pimentel afirmou que o ataque ocorrido em uma escola de Rio Branco (AC) é reflexo de uma série de falhas estruturais que vão desde a negligência familiar até a ausência de protocolos eficazes nas instituições de ensino.
Em análise publicada nas redes sociais, Pimentel destacou que episódios de violência em escolas não são casos isolados e vêm se repetindo ao longo dos anos no Brasil. “Nos últimos 15 anos, tivemos 55 pessoas mortas em escolas, incluindo alunos, coordenadores, merendeiras, zeladores e vigias”, afirmou.
O especialista também prestou homenagem às vítimas, destacando o papel de profissionais da educação que, em diversas situações, tentaram proteger alunos. “Colocaram seus corpos para proteger crianças que sequer eram seus filhos. Foram verdadeiras heroínas”, disse.
Segundo Pimentel, uma das principais causas desses ataques está relacionada a situações de bullying não identificadas ou negligenciadas pelas escolas.
“Em cerca de 80% das ações, isso começa com uma situação de bullying que não foi identificada. E quando é identificada, não há uma resposta imediata ou punição adequada”, afirmou.
Ele ressaltou que esse tipo de violência, antes associado a casos como o massacre de Massacre de Columbine, já se consolidou como uma realidade também no Brasil.
Responsabilidade familiar e acesso a armas
Outro ponto levantado pelo especialista é a responsabilidade de adultos no acesso de adolescentes a armas de fogo. Para ele, há falhas graves na guarda desses armamentos.
“Esse padrasto não teve a capacidade de tutelar essa arma. Na minha opinião, ele é partícipe dessa tragédia”, afirmou.
Pimentel criticou a legislação atual, prevista no Estatuto do Desarmamento, que estabelece pena de um a três anos de detenção para casos de negligência.
“É uma pena muito pequena. Em muitos casos, a pessoa nem chega a ser presa. Isso precisa mudar”, disse.
Debate sobre responsabilização de adolescentes
O especialista também abordou a responsabilização de adolescentes envolvidos em crimes graves. Segundo ele, a legislação atual limita a aplicação de medidas socioeducativas.
“O adolescente não será preso. No máximo, ficará até três anos em medida socioeducativa”, afirmou.
A declaração reacende o debate sobre a eficácia das medidas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente.
Prevenção e papel das famílias
Pimentel defendeu maior participação das famílias no acompanhamento da rotina escolar dos filhos como forma de prevenção.
“Os pais precisam visitar a escola, perguntar se há protocolos para identificar bullying, se existe plano de emergência e ações de prevenção”, disse.
Para ele, a ausência de políticas eficazes e de responsabilização pode contribuir para a repetição de episódios semelhantes. “Sem prevenção e sem leis mais rígidas, isso tende a continuar acontecendo”, afirmou.
Ao final, o especialista reforçou a homenagem às vítimas. “Essas profissionais foram heroínas ao proteger crianças sem qualquer treinamento. Precisamos mudar essa realidade”, concluiu.