Acre registra 6 conflitos de mineração e ocupa penúltima posição no ranking nacional, aponta relatório

Redação Folha do Acre

O Acre aparece entre os estados com menor incidência de conflitos ligados à mineração no Brasil entre 2020 e 2024. Dados do Relatório Anual da Mineração 2024, publicado em dezembro de 2025 pelo Comitê Nacional em Defesa dos Territórios Frente à Mineração, mostram que o estado ocupa a 26ª posição no ranking nacional, à frente apenas do Distrito Federal.

No período de cinco anos analisado, foram contabilizadas 6 ocorrências de conflitos minerários em território acreano. O número posiciona o estado com um dos menores registros do país, dentro de um universo que soma 4.399 ocorrências e 3.698 localidades monitoradas desde 2020.

No recorte regional, o Acre apresenta o menor volume de ocorrências da Região Norte. O contraste é expressivo em relação a outros estados amazônicos: o Pará acumula 632 registros, o Amazonas 218, Roraima 114, Rondônia 69 e o Amapá 45 ocorrências no mesmo período.

O ranking nacional é liderado por Minas Gerais, com 1.627 ocorrências, seguido pelo Pará e pela Bahia, com 632 e 366 registros, respectivamente. Esses estados concentram a maior parte dos conflitos relacionados à atividade mineral no país, especialmente em áreas de forte exploração.

O levantamento também mostra que, apenas em 2024, foram registradas 875 ocorrências distribuídas em 736 localidades, envolvendo mais de 1 milhão de pessoas. Os conflitos mais recorrentes estão ligados à disputa por terra (57,5%) e água (32,1%), além do avanço da extração ilegal, responsável por 24,2% dos casos no último ano.

Mesmo inserido no bioma Amazônia — que concentrou 32% dos conflitos nacionais em 2024 —, o Acre mantém baixa incidência de registros. O dado reforça um padrão distinto em relação aos estados vizinhos, onde a pressão da atividade mineral é mais intensa.

A posição do Acre no gráfico nacional evidencia essa diferença: o estado aparece logo acima do Distrito Federal, que teve apenas 1 ocorrência no período analisado. Sergipe e Rio Grande do Norte, por exemplo, registraram 9 casos cada.

A baixa incidência, no entanto, deve ser analisada com cautela. O próprio relatório aponta que os dados são baseados em fontes secundárias e podem refletir limitações de mapeamento ou menor visibilidade dos conflitos em determinadas regiões.

Ainda assim, o cenário coloca o Acre entre os estados menos impactados, proporcionalmente, pelos conflitos da mineração no Brasil ao longo da série histórica recente.

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