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Violência recua nos homicídios, mas explosão nas tentativas acende alerta no Acre

Por Por Aikon Vitor, da Folha do Acre 29/04/2026 08:39 Atualizado em 29/04/2026 08:39
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O estado do Acre registrou 14 homicídios em março de 2026, uma redução significativa em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram contabilizadas 20 mortes. O recuo de 30% reforça uma tendência de diminuição da violência letal já observada nos últimos anos, segundo dados do relatório mensal de Mortes Violentas Intencionais, divulgado pela Polícia Civil do Estado do Acre.

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Na comparação com fevereiro deste ano, quando houve 15 registros, a queda foi mais discreta, de 6,7%. Ainda assim, o cenário geral indica estabilidade com leve tendência de retração nos crimes consumados. Por outro lado, o aumento expressivo nas tentativas de homicídio preocupa autoridades e especialistas. Em março, foram 24 ocorrências, contra 18 no mês anterior, alta de 33,3%. O dado sugere que, embora menos vítimas estejam morrendo, a dinâmica da violência permanece ativa e disseminada.

A distribuição geográfica dos homicídios revela predominância de casos no interior do estado, embora a capital, Rio Branco, continue concentrando o maior número absoluto de ocorrências isoladas. Municípios como Cruzeiro do Sul, Sena Madureira e Tarauacá aparecem entre os que registraram episódios no período, evidenciando que a violência não está restrita à capital, mas espalhada por diferentes regiões.

A análise por regionais também aponta concentração de casos em áreas urbanas mais populosas, onde há maior circulação de pessoas e maior incidência de conflitos ligados à criminalidade organizada. As motivações dos homicídios ainda são, em grande parte, preliminares e dependem da conclusão das investigações. No entanto, o relatório aponta que uma parcela relevante dos casos pode estar associada a disputas entre facções criminosas, o que reforça a permanência desse fator como um dos principais vetores da violência no estado.

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Também aparecem registros de crimes classificados como fúteis, frequentemente ligados a discussões sob efeito de álcool, além de execuções com indícios de atuação de organizações criminosas e casos de natureza passional.

O uso de armas de fogo continua sendo predominante nos homicídios. Em março, esse tipo de armamento esteve presente em 64% dos casos. As armas brancas aparecem em segundo lugar, com 14%, enquanto outros meios somam 22%.

O dado reforça a centralidade da circulação ilegal de armas como elemento importante na dinâmica da violência letal. O perfil das vítimas permanece praticamente inalterado em relação a anos anteriores. Todos os mortos em março eram do sexo masculino. A faixa etária mais atingida foi a de 18 a 29 anos, que concentrou 35,7% dos casos. Em seguida aparecem vítimas entre 30 e 39 anos.

Do ponto de vista racial, a maioria das vítimas é composta por pessoas pardas, que representam 72% dos registros.

Os dados confirmam um padrão recorrente no país, em que jovens homens são as principais vítimas da violência letal. O relatório também mostra que não houve registro de latrocínio nem de feminicídio consumado em março de 2026.

As tentativas de feminicídio somaram três casos no período. Houve ainda um registro de morte decorrente de intervenção policial, envolvendo agente em serviço.

No trânsito, os números também chamam atenção. Foram seis acidentes com vítimas fatais, que resultaram em sete mortes, número superior ao do mês anterior.

A análise histórica mostra que o Acre já enfrentou níveis mais elevados de violência letal. Entre 2016 e 2018, o estado registrou um pico nos homicídios, impulsionado por conflitos entre facções criminosas.

Desde então, os números vêm apresentando queda gradual, ainda que com oscilações mensais. O cenário atual é de redução consolidada, mas com sinais de alerta diante do aumento nas tentativas de homicídio.

A Polícia Civil do Estado do Acre ressalta que os dados são preliminares e podem sofrer alterações conforme o avanço das investigações. Ocorrências inicialmente classificadas como homicídio podem ser reavaliadas e ter sua natureza modificada ao longo do processo investigativo.

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