Acre registra mais da metade dos casos da “Doença de Jorge Lobo” no Brasil
Dados do Ministério da Saúde indicam a ocorrência de 907 casos registrados da lobomicose, também chamada de Doença de Jorge Lobo (DJL) no Brasil, sendo quase 500 apenas no Acre.
Segundo o levantamento, a maior parte dos pacientes está entre populações ribeirinhas, indígenas e trabalhadores extrativistas, grupos que enfrentam dificuldades de acesso aos serviços de saúde.
A Doença de Jorge Lobo causa lesões nodulares semelhantes a queloides em partes do corpo como orelhas, pernas e braços, levando a impactos psicológicos profundos e isolamento social devido ao estigma.
O projeto Aptra Lobo, criado pelo Ministério da Saúde em parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein, acompanha 104 pacientes com lobomicose nos estados do Acre, Amazonas e Rondônia. Conduzido no âmbito do Proadi-SUS, pela Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA), o iniciativa integra assistência, pesquisa clínica e geração de evidências para estruturar o manejo da doença no Sistema Único de Saúde (SUS).
O tratamento utiliza o antifúngico itraconazol, disponível no SUS, com doses ajustadas individualmente. Mais de 50% dos participantes já apresentam melhora das lesões. Além do manejo clínico, o projeto amplia o acesso ao diagnóstico em áreas remotas, com biópsias, exames laboratoriais, acompanhamento e cirurgias em casos selecionados.