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Pastor é acusado de lucrar com imagem de adolescente autista

Por Redação Folha do Acre 16/03/2026 10:09
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Mãe de um adolescente de 15 anos diz que dirigente religioso usou as imagens do filho dela com a promessa de ajudar com plano de saúde e reforma de casa, mas isso nunca aconteceu

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Uma família do Distrito Federal entrou na Justiça contra o pastor Anderson José da Silva Teixeira, acusando-o de ter usado a imagem de um adolescente de 15 anos, com transtorno do espectro autista (TEA) nível 3 de suporte, para arrecadar dinheiro em nome da família. Na ação, os advogados que representam a família sustentam que o pastor e A Casa John John, liderada por ele, teriam arrecadado cerca de R$ 2 milhões, valor que não foi repassado para o garoto.

Ao Correio, Maria Luiza (nome fictício) diz ter procurado o pastor Anderson no fim de 2023 em busca de ajuda para cuidar do filho. Ela queria conseguir um plano de saúde para ele e dinheiro para arcar com uma escola preparada para lidar com as necessidades do garoto. “Então, ele foi à minha casa e gravou vídeos com o meu filho e mostrou a situação da nossa casa, que precisava de reforma. Eu contei que o Henrique pulava o muro e fugia”, relatou.

No vídeo, a que o Correio teve acesso, o pastor promete pagar o plano de saúde e fazer as compras mensais. Em vários momentos, o pastor parece se emocionar. Cita trechos da Bíblia e implora para que as pessoas o ajudem a cuidar da família de Maria Luiza. “Eu quero levantar R$ 30 mil para alugar a casa, mobiliar a casa e começar o plano de saúde do (..) e da (…) para ontem”.

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O pastor, então, orienta os fiéis a acessar o site da Machonaria. “Lá, vai estar listado tudo o que estamos fazendo. Você pode escolher um projeto ou mais de um projeto. E ser mantenedor dele mensalmente por meio de pix, boleto bancário ou cartão de crédito”. Ele ainda insinua haver risco de a mãe, Maria Luiza, entrar em depressão profunda e tentar tirar a própria vida.

Maria Luiza conta que a Casa do John John alugou uma residência para ela em Samambaia Sul, entre dezembro de 2023 a maio de 2024, enquanto a casa de Sobradinho estaria sendo reformada. Ela também recebeu cestas básicas e teve as contas de água e luz bancadas pela instituição.

Devido à falta de dinheiro para custear as necessidades de Henrique, e com a morte da mãe dela, a casa em Sobradinho I — que, segundo Maria Luiza, nunca foi reformada — acabou sendo vendida, apesar da promessa em troca de mensagens por telefone.

O pesadelo começou quando, após seis meses, a instituição parou de pagar o aluguel. “No final de 2024, eles me pediram para sair da casa em que estávamos morando, em Samambaia. Mas continuamos a viver lá no primeiro semestre de 2025, até que o proprietário solicitou a nossa saída por falta de pagamento do aluguel”, disse. Sem ter para onde ir, Maria Luiza recorreu a familiares para não ficar na rua.

A defesa de Henrique, formada pelos advogados Márcio Antônio de Oliveira e Elizeu Pinheiro de Almeida, sustenta que o pastor “nunca prestou contas à família sobre os valores arrecadados durante o uso da imagem do adolescente. Assim como não houve o repasse do valor integral para o custeio das necessidades deles”, afirmou Márcio Antônio de Oliveira. Eles pedem indenização por danos morais e materiais de R$ 330 mil.

O outro lado

Em entrevista à reportagem, o pastor Anderson Silva confirmou que esteve em contato com Maria Luiza em 2024 e que chegou a auxiliar a família. Segundo ele, durante o período de cerca de um ano e meio, algumas necessidades dela e do filho foram custeadas, e nega que tenha prometido reformar a casa da família. Segundo ele, o montante foi de R$65,1 mil.

Perguntado sobre quanto arrecadou com a campanha para a família, o pastor diz não saber mensurar. “A campanha não teve início e fim, apenas a primeira exposição da situação para levantar os primeiros valores para locação e mobília da casa. Sou autista e pai de três meninos autistas. Nossa missão é familiar! Não faz sentido ser acusado de causar danos à comunidade a qual cuidamos com total dedicação”, afirmou.

O pastor confirmou que foi citado pela Justiça em 10 de março e tem 15 dias úteis para apresentar a defesa. “Inclusive, a minha advogada participou de todo o resgate da vida dessa família”, disse.

Correio Braziliense

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