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Comentário racista contra candidata à vice-reitoria da Ufac provoca reação de chapas, universidade e nota de retratação

Por Por Aikon Vitor, da Folha do Acre 13/03/2026 12:09
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Um comentário considerado racista contra a professora Almecina Balbino Ferreira, candidata a vice-reitora da Universidade Federal do Acre (Ufac), durante o debate entre chapas que disputam a reitoria da instituição provocou reação de grupos envolvidos na eleição e da própria universidade. O episódio ocorreu na noite de quinta-feira (12), durante transmissão ao vivo no canal da UfacTV no YouTube.

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A manifestação foi publicada no chat da transmissão, espaço utilizado pelo público para comentar o debate. Na mensagem, uma usuária questionou a etnia da professora Almecina, o que foi interpretado por integrantes da comunidade acadêmica como um ataque de cunho racista.

Almecina integra a chapa “Juntos pela Ufac”, encabeçada pelo pró-reitor de Extensão da universidade, Carlos Moraes, que disputa a reitoria para o quadriênio 2026-2030.

As primeira reações

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Horas após o debate, a chapa “Radical é a Mudança” divulgou uma nota pública repudiando o comentário publicado durante a transmissão.

Segundo o grupo, o autor da mensagem mencionou indevidamente o nome da chapa após reproduzir o comentário racista. A organização afirmou que a manifestação não representa suas candidatas, apoiadores ou militantes.

“A Chapa Radical é a Mudança, juntamente com todos os seus apoiadores, vem a público repudiar veementemente uma manifestação de caráter racista realizada nos comentários da transmissão no YouTube”, diz trecho da nota.

No comunicado, o grupo também afirmou que defende o debate de ideias no ambiente universitário e rejeita ataques relacionados a etnia, religião, gênero ou orientação sexual.

Chapa de Almecina divulga nota de repúdio

No fim da tarde de quinta-feira, a chapa “Juntos pela Ufac” também se manifestou publicamente.

Em nota, o grupo classificou o comentário como racista e afirmou que manifestações desse tipo não podem ser toleradas na universidade.

“Racismo é crime e não pode, em hipótese alguma, ser tratado como opinião, brincadeira ou manifestação aceitável dentro da universidade ou em qualquer espaço da sociedade”, afirmou a chapa.

O comunicado também expressou solidariedade à professora Almecina e a pessoas que já tenham sido vítimas de discriminação.

Universidade condena ataque

Também na quinta-feira, a gestão superior da Ufac divulgou nota oficial condenando o episódio.

Segundo a universidade, o comentário reproduz uma forma de violência incompatível com os princípios da instituição e tenta deslegitimar a presença da professora em espaços de gestão.

“A instituição reafirma que manifestações racistas são inaceitáveis e configuram grave violação aos direitos humanos, aos princípios democráticos e aos valores que orientam a universidade pública”, informou a nota.

A administração da universidade afirmou ainda que serão adotadas medidas para apurar o caso e responsabilizar os envolvidos.

Autora faz nota de retratação

Na manhã desta sexta-feira (13), a professora Maria de Jesus Morais publicou uma retratação em suas redes sociais e afirmou ser autora da mensagem no chat da transmissão.

Na nota, ela pediu desculpas à professora Almecina e à comunidade acadêmica.

“Reconheço que fui infeliz em um comentário publicado no chat do YouTube. Ressalto que não tive a intenção de disseminar qualquer forma de racismo ou desrespeito”, escreveu.

Morais afirmou ser professora da Ufac há 30 anos e disse que está à disposição para esclarecimentos.

O episódio ocorre durante o processo eleitoral que definirá a nova reitoria da Universidade Federal do Acre para o período de 2026 a 2030.

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