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Programa 1.001 Dignidades acumula atrasos, falhas, vira sinônimo de desperdício de dinheiro e poderia se chamar “1.001 problemas”

Por Redação Folha do Acre 15/01/2026 15:08 Atualizado em 16/01/2026 09:00
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O Programa 1001 Dignidades bem que poderia mudar de nome, dado o volume de atrapalhos que acumulou desde o seu anúncio, e passar a se chamar “1001 Problemas”. Com quase três anos de lançado, o programa, que já teve o lançamento adiado, segue sendo modelo de entrave e suposto desperdício de dinheiro público. Após a Prefeitura de Rio Branco já ter pago, em dezembro de 2025, a empresa responsável pela construção dos graiders, placas construídas como uma espécie de fundação, a reportagem da Folha do Acre esteve no local de construção e constatou que o trabalho está sendo refeito, supostamente após sido mal construído. Outra denúncia dá conta que a empresa que ganhou a licitação passou parte da obra para ser executada por outra empresa.

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Lançado oficialmente em 2023, o programa foi apresentado pela gestão do prefeito Tião Bocalom como uma iniciativa ousada, com a promessa de construir 1.001 casas populares em um único dia, atendendo famílias em situação de vulnerabilidade e moradores de áreas de risco. A proposta chegou a ser divulgada como candidata a recorde no Guinness Book, tornando-se uma das principais vitrines da administração municipal.

Entretanto, passados quase três anos do anúncio, o que se vê é um programa marcado por atrasos sucessivos, falhas de planejamento, retrabalho e ausência de resultados concretos. A entrega das casas, inicialmente prometida para o Dia das Mães de 2024, não ocorreu. Posteriormente, novas datas foram anunciadas e também não cumpridas.

Ao que tudo indica os problemas não se limitam ao cronograma. O programa passou a ser alvo de denúncias de desperdício de dinheiro público, especialmente relacionadas ao pagamento de empresas contratadas, aluguel de galpões e máquinas, compra e armazenamento de madeira e execução de serviços que precisaram ser refeitos. O caso mais recente envolvendo os graiders reforça esse cenário, pois mesmo após o pagamento, a estrutura apresentou falhas técnicas, exigindo nova intervenção e levantando questionamentos sobre a qualidade da execução e a fiscalização dos contratos.

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Vale frisar que os vereadores de oposição realizaram fiscalizações em 2025  nos locais onde a madeiras da construção das casas estavam armazenadas e denunciaram a existência de materiais deteriorando por falta de uso, além de estruturas paralisadas. As críticas apontam que recursos públicos foram empregados sem o devido planejamento, resultando em prejuízos e atraso ainda maior na execução do programa.

Outro ponto que contribuiu para o desgaste do 1001 Dignidades foi o ano eleitoral de 2024. A prefeitura alegou impedimentos legais para realizar entregas naquele período, mas, mesmo após as eleições, o programa continuou sem avançar no ritmo anunciado. Em 2025, a própria gestão municipal confirmou a suspensão do formato original do projeto, informando que os terrenos preparados para o 1001 Dignidades seriam destinados ao programa federal Minha Casa, Minha Vida.

A mudança, embora apresentada como uma readequação estratégica, foi interpretada por críticos como o esvaziamento do programa, que deixou de existir como concebido inicialmente. Na prática, a promessa de construir 1.001 casas em um único dia foi abandonada.

O Ministério Público do Estado do Acre também passou a acompanhar o caso, instaurando procedimentos para apurar falhas no planejamento, ausência de projeto executivo completo e problemas de licenciamento urbanístico e ambiental. O Tribunal de Contas do Estado foi acionado para analisar contratos e despesas vinculadas ao programa, diante das denúncias públicas.

Enquanto isso, as famílias que aguardavam uma moradia digna continuam vivendo em áreas alagadiças ou de risco, enfrentando enchentes e insegurança. Para esses moradores, o 1001 Dignidades representa hoje mais uma promessa frustrada do poder público.

A respeito dos “gradiers” e sublocação de parte da obra, o secretário de infraestrutura, Cid Ferreira, negou qualquer irregularidade. Cid afirmou que a sub-rogação de contrato está prevista em lei, sendo que o contrato está segundo dentro dos trâmites legais. Até o fechamento desta matéria, Cid Ferreira não havia exercido o direito de contraditório quando a denúncia dos “gradiers”. O espaço segue aberto.

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