Início / Versão completa
Polícia

MPAC busca reparação histórica e indenização às vítimas de grupo de extermínio que atuou no Acre nos anos 90

Por Por Mirlany Silva, da Folha do Acre 10/01/2026 10:38 Atualizado em 10/01/2026 10:51
Publicidade

Em uma iniciativa voltada à defesa dos direitos humanos e à preservação da memória histórica, o Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) abriu um Procedimento Preparatório para investigar elementos ligados à atuação de um grupo de extermínio no estado nos anos 1990. A decisão foi formalizada por meio da Portaria nº 01/2026/PEDDHCA, assinada pelo promotor de Justiça Thalles Ferreira Costa.

Publicidade

O procedimento tem como objetivo identificar o objeto narrado na portaria e verificar a existência de investigações já realizadas ou eventualmente consolidadas no âmbito do próprio Ministério Público sobre os fatos. A iniciativa está fundamentada em dispositivos constitucionais e legais que atribuem ao MPAC a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos direitos humanos.

No documento, o promotor destaca a importância do princípio da dignidade da pessoa humana e da necessidade de políticas públicas voltadas à memória, verdade e justiça, especialmente em casos de graves violações cometidas pelo próprio Estado ou com sua omissão. Segundo a portaria, o registro histórico permanente dos fatos é essencial para o fortalecimento da democracia e para a promoção da justiça de transição.

Entre os episódios citados está a atuação de um grupo de extermínio no Acre, em 1996, cujas vítimas eram, em sua maioria, pessoas de baixa renda, incluindo adultos e crianças, suspeitas de delitos ou consideradas “indesejáveis” por critérios preconceituosos. O texto também menciona o chamado “crime da motosserra”, classificado como um ato violento, brutal e desumano, cujas consequências ainda repercutem na memória coletiva da sociedade acreana.

Publicidade

De acordo com o MPAC, além da apuração histórica, há a necessidade de discutir medidas de reparação, como a indenização das vítimas indiretas e a formalização de um pedido de desculpas por parte do Estado. A portaria sustenta que houve dano moral coletivo, decorrente da quebra da confiança e da legítima expectativa que a população depositava nos órgãos públicos.

Entre as providências determinadas estão o envio de ofício à Procuradoria-Geral de Justiça para verificar a existência de levantamentos anteriores sobre o caso, a realização de uma pesquisa jornalística aprofundada sobre os fatos e a juntada de todo o material apurado aos autos do procedimento. Também foi designada a assessoria jurídica da Promotoria Especializada para secretariar os trabalhos.

Após o cumprimento das diligências iniciais, os autos deverão retornar ao promotor responsável para análise e deliberação sobre os próximos encaminhamentos.

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.