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Três cidades do Acre figuram entre as 100 piores do país; Rio Branco também aparece mal posicionada

Por Por André Gonzaga, da Folha do Acre 16/12/2025 10:11 Atualizado em 16/12/2025 10:20
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Capital e municípios do interior revelam falhas históricas no acesso a serviços básicos

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As cidades de Manoel Urbano, Porto Acre e Porto Walter figuram entre os 100 piores do país em condições de bem-estar, segundo levantamento do Observatório das Metrópoles, ligado ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) e coordenado pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O estudo, baseado em dados do Censo 2010, aponta que problemas estruturais, como ausência de saneamento, ruas sem pavimentação e moradias frágeis, colocam essas localidades na parte mais baixa do ranking nacional. O índice avalia cinco dimensões: infraestrutura, serviços coletivos, habitação, mobilidade e ambiente urbano.

Nos três municípios do estado, as deficiências se repetem, com baixa cobertura de água tratada e rede de esgoto, coleta irregular de lixo, iluminação insuficiente e casas construídas com materiais pouco resistentes. A população, em sua maioria inferior a 20 mil habitantes, convive com limitações que refletem a dificuldade de pequenos municípios da Amazônia em garantir serviços básicos.

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O levantamento também mostra que Rio Branco está entre as seis sedes estaduais classificadas com condições ruins de bem-estar. Ao lado de Manaus, Belém, Porto Velho e Macapá, todas da região Norte, a principal cidade acreana ocupa a 23ª posição no ranking das capitais.

O relatório destaca que, mesmo dispondo de mais recursos que localidades menores, a metrópole enfrenta obstáculos semelhantes, com saneamento precário, transporte coletivo limitado e desigualdade na oferta de serviços entre áreas centrais e periferias. A sede administrativa do estado, que deveria ser referência, acaba refletindo o mesmo abandono que marca localidades menores.

O estudo revela um padrão em que cidades do Norte estão entre as piores colocadas, enquanto municípios do Sul e Sudeste concentram os melhores índices. Essa disparidade não é fruto apenas da geografia, mas de um histórico de políticas públicas que reforçaram privilégios em determinadas regiões e deixaram outras à margem.

O resultado é um país fragmentado, onde o lugar de nascimento define as chances de acesso a serviços básicos. A narrativa oficial insiste em falar de integração nacional e desenvolvimento equilibrado, mas os números mostram outra realidade.

No Acre, a população enfrenta diariamente a ausência de infraestrutura mínima, enquanto em Vitória ou Curitiba os indicadores apontam qualidade urbana elevada. Essa distância não é apenas estatística: traduz-se em vidas mais curtas, em oportunidades perdidas e em um cotidiano marcado pela exclusão.

O Observatório das Metrópoles alerta que, sem planejamento de longo prazo e investimentos consistentes, a desigualdade tende a se aprofundar. O Brasil, ao permitir que centros urbanos inteiros convivam com condições indignas, expõe sua incapacidade de transformar promessas em políticas efetivas.

O caso do Acre é emblemático e mostra que o país ainda não conseguiu garantir o direito básico de viver em cidades que ofereçam dignidade.

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