Início / Versão completa
Destaque

Bittar diz que votará contra indicação de Jorge Messias para o STF: “Ele é um soldado do partido”

Por Por Mirlany Silva, da Folha do Acre 02/12/2025 11:42
Publicidade

O senador Márcio Bittar (PL) declarou que votará contra a indicação de Jorge Messias, atual advogado-geral da União (AGU), para o Supremo Tribunal Federal (STF). As declarações foram feitas nesta terça-feira, 2, após debate em que o parlamentar rebateu um “jornalista” que, segundo ele, tentou defender a escolha feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Publicidade

Bittar afirmou que “a chance de votar no Messias é zero”, alegando que o indicado não reúne condições para ocupar uma cadeira na Suprema Corte. O senador citou episódios envolvendo Messias durante os governos Dilma Rousseff e Lula, classificando o AGU como “um militante político” e “soldado do partido”.

Segundo o parlamentar, Messias teria atuado para “blindar Lula” em investigações no passado e desconsiderado recomendações técnicas no episódio envolvendo a CONTAG, citado na CPMI.

“Isso é notório saber jurídico? Não, isso é notório saber de um militante político. O Messias é um soldado do partido e nós estamos vendo já o que aconteceu com o Supremo Tribunal”, declarou Bittar.

Publicidade

Márcio Bittar ainda afirmou que o atual cenário institucional do país demonstra distorções. “Nós temos um homem que nunca roubou uma caneta BIC, está preso e a pessoa que foi processada e condenada por corrupção está na presidência da República do Brasil”, afirmou.

Paralelamente às declarações de Bittar, informações reveladas pelo Blog do Gustavo Uribe, da CNN Brasil, mostram que o governo Lula trabalha intensamente para garantir votos suficientes para aprovar Messias no plenário do Senado Federal.

De acordo com o colunista, Lula aposta em possíveis traições na direita para assegurar a aprovação. O presidente teria sido informado de que Messias recebeu sinalizações positivas de setores conservadores e que uma articulação do ministro André Mendonça — indicado por Jair Bolsonaro ao STF — poderia influenciar parlamentares do PL e do Republicanos.

Messias teria um almoço agendado com a bancada de oposição nesta terça-feira, mas o encontro foi cancelado após repercussão negativa. Ainda assim, o indicado deve continuar se reunindo individualmente com senadores da direita ao longo da semana.

Mesmo com votos contrários previstos em partidos como União Brasil e PSD, o Palácio do Planalto acredita que Messias tem hoje uma “vantagem apertada” para ser aprovado. O governo trabalha com a meta de alcançar 52 votos a favor, o mesmo placar obtido por Edson Fachin em 2015, também em meio a forte resistência.

Lula, segundo Uribe, tem atuado pessoalmente para estimular apoios públicos à indicação, numa estratégia para criar “clima de vitória” e estimular eventuais traições durante a votação secreta. A avaliação interna é de que, quando um cenário favorável parece consolidado, os senadores tendem a evitar desgaste com um futuro ministro do Supremo.

O presidente, porém, ainda aguarda um mapeamento mais preciso antes de nova reunião com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil–AP). O Planalto tenta evitar concessões consideradas desnecessárias diante de uma narrativa de possível derrota.

Apesar do esforço do governo para consolidar votos, Márcio Bittar reforça que sua decisão é definitiva. “Eu acho que pode piorar para o governo. A chance de eu votar no Messias é zero”, concluiu.

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.