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Serra do Divisor: um santuário no coração da floresta

Por Por Aline Querolaine, da Agência de Notícias do Acre 07/09/2025 17:30
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Localizado no noroeste do Acre, o Parque Nacional da Serra do Divisor (PNSD), também conhecido como Serra de Contamana – denominação de origem peruana – é considerada uma das regiões mais biodiversas do planeta. O parque abriga uma das maiores concentrações de espécies já registradas em levantamentos faunísticos: aproximadamente 1.233 animais catalogados.

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A formação geográfica exerce papel singular como divisor de águas. De um lado, as nascentes correm em direção ao Rio Ucayali, no Peru; do outro, seguem para a bacia do Rio Juruá, no Brasil. Essa barreira natural é resultado da proximidade com a Cordilheira dos Andes e da transição de biomas, fatores que ampliam a diversidade de flora e fauna.

Com altitudes que variam entre 200 e 600 metros, o parque apresenta temperatura média de 26°C no período chuvoso. Nas franjas da serra, próximas à fronteira com o Peru, o clima se torna mais úmido e frio, chegando a surpreendentes 7°C nos meses de junho e julho — uma particularidade notável para uma área situada a apenas mil quilômetros da linha do Equador.

Cachoeira Grande, na subida do rio Môa, apenas moradores têm acesso ao local. Foto: Pedro Benevides/Ascom Mâncio Lima

Na Serra do Divisor, turismo tradicional e ecoturismo ganham força

O parque é também um destino turístico em ascensão, reunindo atrativos que combinam aventura e contemplação da natureza. Entre os principais pontos de visitação estão o Mirante, com 609 metros de altitude, acessível por trilha de pouco mais de 1 km; a Cachoeira do Amor, com 20 metros de queda d’água; e a Cachoeira do Ar-Condicionado, onde o vento frio que sopra das pedras cria a sensação de estar em uma sala climatizada.

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Outros locais de destaque são as cachoeiras Pirapora 1 e 2, a Cachoeira Formosa — descoberta por um garimpeiro antes da criação do parque — e a Cachoeira do Pedernal, marcada por tentativas antigas de exploração petrolífera. O Buraco da Central, com aproximadamente 700 metros de profundidade, guarda a história da caldeira a lenha construída em 1938 para gerar energia à região.

Esses atrativos, aliados à cultura local, fazem da Serra do Divisor um polo de turismo de base comunitária que valoriza o conhecimento tradicional dos moradores e promove o contato direto com a floresta.

Água que jorra do buraco da central. Foto: Diego Silva/Secom

Governo e prefeitura de Mâncio Lima levam investimentos ao Parque Nacional da Serra do Divisor

O governo do Acre e a prefeitura de Mâncio Lima têm direcionado investimentos para fortalecer a infraestrutura local e ampliar o acesso da população a serviços essenciais. Entre as obras em andamento, destacam-se:

Reconstrução da Escola Indígena Pedro Antônio de Oliveira, na Terra Indígena Nukini, orçada em R$ 1.955.269,50;

Construção da Escola Pedro de Morais, na comunidade São Salvador, com investimento de R$ 636 mil;

Reforma do Mirante do Parque Nacional, que deve começar em breve;

Reforma das cozinhas das pousadas da Serra do Divisor e do Rio Croa, no valor de R$ 1,4 milhão, já concluídas e prestes a serem inauguradas;

Implementação de sinalização turísticanos atrativos do turismo comunitário, com investimento de R$ 400 mil.

Segundo o prefeito de Mâncio Lima, José Luís, “essas intervenções representam uma parceria fundamental entre prefeitura e governo, garantindo que os moradores da região recebam melhorias que impactam diretamente a vida de cada comunidade”.

O secretário de Estado de Educação do Acre, Aberson Carvalho, pontua que “investir em escolas e em infraestrutura é também investir na permanência das famílias na região, garantindo que o desenvolvimento ocorra de maneira integrada e sustentável”.

A vida na Serra: o que dizem os moradores

Aproximadamente 30 famílias vivem na Serra do Divisor. São agricultores, artesãos e condutores de turismo que se tornaram verdadeiros guardiões do parque. Para eles, a convivência harmoniosa com a natureza é motivo de orgulho.

O condutor de turismo ecológico Edmilson Cavalcante, morador do local há mais de 40 anos, resume a experiência: “Eu amo viver e trabalhar aqui, passar meu conhecimento para as pessoas que vêm nos visitar. Não trocaria por nenhum outro lugar”.

As comunidades locais são peças-chave na preservação do parque e na manutenção da cultura e dos saberes da floresta.

A moradora Eva Maria Lima, nascida e criada no parque, ilustra esse sentimento: “Sou feliz por trabalhar com turismo. Gosto de oferecer meus serviços e apresentar as belezas do nosso parque. Aqui comemos do que plantamos e vivemos em paz com a natureza”.

“Nosso trabalho é garantir que esse potencial seja explorado de forma responsável, gerando renda para a população e preservando esse tesouro natural para as próximas gerações”, disse o secretário de Estado de Turismo e Empreendedorismo, Marcelo Messias.

Agência de Notícias do Acre

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