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Cultura

Samba de Mariá: ancestralidade, resistência e festa em Rio Branco

Por Por Aikon Vitor, da Folha do Acre 18/08/2025 11:22 Atualizado em 18/08/2025 12:41
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No próximo 6 de setembro, o estacionamento do O Casarão, em Rio Branco, será palco de um encontro de música, história e religiosidade: o Samba de Mariá. O evento, que reúne o talento de Brunno Damasceno e a tradição do Grupo Alabê Okan, promete transformar a noite em uma celebração intensa da cultura afro-brasileira — do sagrado ao popular, do batuque ao canto — resgatando ritmos e tradições que remontam às raízes do samba no Brasil.

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Para os organizadores, o Samba de Mariá vai muito além de um show de música. Ele é, segundo Matheus Alexandre, um dos idealizadores, um ato de resistência, memória e celebração da ancestralidade:

“O evento é mais do que um ato político ou religioso. Ele também é entretenimento. É como se diferentes religiões se encontrassem em um mesmo espaço para enaltecer sua fé através do samba, que historicamente nasceu com o povo negro, das senzalas e dos quilombos.”

Segundo Alexandre, a criação do Samba de Mariá nasceu da necessidade de reivindicar respeito e espaço para as religiões de matriz africana em Rio Branco:

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“A ideia surgiu depois da Marcha para Exu. Passamos cerca de oito meses planejando, com mentoria do Pai Célio de Logum, presidente da Federação das Religiões de Matriz Africana. O evento que mais atraiu gente naquele ano foi justamente o Samba de Mariá.”

Para ele, o evento é um ponto de encontro entre o profano e o sagrado, unindo a energia da música à reverência às entidades religiosas:

“O evento é feito do início ao fim respeitando a religião. Pedimos licença aos guias antes de qualquer coisa, oferecemos presentes, conversamos com Exu — orixá dos caminhos, da prosperidade e da felicidade. Todo o evento é guiado pelo sagrado.”

O Samba de Mariá utiliza instrumentos típicos da cultura afro-brasileira, como tambor, atabaque, agogô e xequerê, aliados a elementos populares como violão, cavaquinho e até saxofone. A ideia é unir tradição e contemporaneidade, mantendo vivos os toques que deram origem ao samba, caburé, congo, barravento e ijexá:

“O grupo preserva a ancestralidade e mostra de onde saíram o samba, o caburé, o congo, o barravento, o ijexá. Toques que hoje se espalham pelo pagode e pelo samba nasceram nos terreiros, na ancestralidade preta. Colocamos o tambor para falar e mantemos essa herança viva.”

A organização preparou uma ambientação especial, com banners, cartas, baralhos, incenso, rosas e imagens de Maria Padilha, entidade reverenciada no samba e nas religiões de matriz africana.

“Na decoração, vamos colocar banners em reverência a Maria Padilha, cartas, baralho, incenso, rosas e imagens dela, tudo voltado para a força feminina.”

As cores vermelho e preto, predominantes no evento, remetem à identidade de Maria Padilha e reforçam a ligação entre público e tradição:

“Além do nome, o Samba de Mariá é caracterizado pelo vermelho e preto, cores de Maria Padilha. O nome vem do ponto ‘Ele Maria Mariá’, um dos mais conhecidos ligados à sua identidade.”

A noite começa com Brunno Damasceno, que comandará três horas de samba de raiz, abrindo o espetáculo com repertório popular e ancestral. À meia-noite, o Grupo Alabê Okan assume o palco com o samba de terreiro, trazendo cantigas que reverenciam entidades como Maria Padilha e Exu Tranca-Rua:

“Primeiro o samba de raiz, depois o samba de terreiro. Durante o terreiro, só cantigas da Umbanda e do Candomblé, reverenciando Maria Padilha, Exu Tranca-Rua e outras entidades. É a fusão do profano com o sagrado.”

O público poderá participar ativamente, cantando, dançando e se conectando com a energia dos músicos e das tradições.

O evento se apresenta como uma afirmação da cultura afro-brasileira, uma oportunidade de refletir sobre ancestralidade, resistência e a importância do respeito às religiões de matriz africana. Para os organizadores, é também uma forma de educar e sensibilizar a sociedade sobre a riqueza cultural que emerge dos terreiros e comunidades negras:

“Estamos passando por um processo de aceitação, buscando respeito. Iniciativas como essa ajudam as pessoas a conhecer, respeitar e celebrar nossa cultura.”, afirmou Matheus.

Para mais informações, reservas de ingressos ou dúvidas sobre a programação, o público pode entrar em contato pelo WhatsApp (68) 98113-3432. Também é possível acompanhar novidades sobre o Samba de Mariá nas redes sociais do O Casarão.

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