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Opinião

Crise Brasil–EUA: Itamaraty reage e convoca chefe diplomático após ameaças contra aliados de Moraes

Por Por Adriano Gonçalves, da Folha do Acre 11/08/2025 10:24 Atualizado em 11/08/2025 10:46
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Em meio a sanções e acusações de censura, governo brasileiro exige explicações formais a Washington e promete defender soberania nacional “sem ingerências externas”.

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Brasília – Em mais um capítulo da escalada diplomática com os Estados Unidos, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro convocou na manhã desta sexta-feira (8), o encarregado de negócios dos EUA em Brasília, Gabriel Escobar, para prestar esclarecimentos sobre recentes mensagens consideradas inaceitáveis pelo governo brasileiro.

A convocação reforça o clima de intensa tensão entre os dois países, com graves repercussões políticas e comerciais.

Segundo fontes oficiais, Escobar foi recebido às 9h pelo embaixador Flavio Goldman, chefe interino da Secretaria de Europa e América do Norte no Itamaraty.

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A diplomacia brasileira expressou sua “profunda indignação” com o conteúdo e o tom das publicações veiculadas pela embaixada e pelo Departamento de Estado americano, que vinham fazendo acusações diretas ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, qualificando-o como o “principal arquiteto da censura e perseguição” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

As mensagens foram interpretadas como “ameaças inaceitáveis” aos aliados de Moraes e tentativas claras de interferência em assuntos internos do Brasil   .

Sinalizando a gravidade do episódio, esta é pelo menos a terceira convocação formal feita por Brasília a Escobar, desde o início do segundo mandato de Donald Trump – período em que as relações entre os dois países vêm se deteriorando visivelmente   .

A situação se insere em um contexto de crise diplomática que ganhou contornos ainda mais tensos após sanções impostas pelos EUA sob a Lei Magnitsky contra o ministro Moraes e aliados — incluindo a revogação de vistos — e a adoção de tarifas de até 50 % sobre produtos brasileiros, em retaliação aos processos judiciais envolvendo Bolsonaro    .

Por sua vez, a Presidência da República reforçou que “não aceita ingerência ou tutela de parte alguma”, enfatizando a solidez das instituições brasileiras e a necessidade do respeito à soberania nacional  .

Contexto relevante:

•Sanções e combate à suspeição: As medidas de Washington — incluindo sanções pessoais contra magistrados — criaram uma crise sem precedentes entre dois dos maiores democracias das Américas.

•Impacto econômico imediato: O “tarifaço” tem afetado setores exportadores brasileiros e colidido com interesses comerciais emergentes, sobretudo após impulsos por parcerias com países do BRICS.

•Diplomacia em xeque: A sequência de convocatórias demonstra que o governo Lula está buscando combater publicamente qualquer tentativa externa de influenciar decisões jurídicas internas

A convocação desta sexta-feira deixa claro que a crise diplomática entre Brasília e Washington ultrapassou o campo das declarações e entrou em uma fase de confronto direto.

Com sanções em vigor, tarifas punitivas e um discurso cada vez mais inflamado de ambos os lados, a relação bilateral vive um de seus momentos mais delicados e imprevisíveis desde o restabelecimento das democracias nos dois países.

A grande incógnita agora é se a diplomacia terá fôlego para transformar o embate em diálogo ou se o impasse abrirá caminho para um distanciamento profundo e duradouro entre as duas maiores potências das Américas.

Adriano Gonçalves é colunista da Folha do Acre

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