Início / Versão completa
Política

Acordo inédito no Acre impulsiona mercado de carbono com foco na preservação e inclusão social

Por Redação Folha do Acre 07/08/2025 13:18
Publicidade

O governo do Acre acaba de escrever mais uma página importante do desenvolvimento sustentável no estado. Uma parceria entre a Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), a Companhia de Desenvolvimento e Serviços Ambientais (CDSA S/A) e o banco internacional Standard Chartered constitui um marco histórico no país, ao garantir até 40 milhões de créditos de carbono ligados diretamente à proteção da Floresta Amazônica. A celebração do acordo foi realizada na quarta-feira, 6, no Palácio Rio Branco, na capital acreana.

Publicidade

Os recursos de negociações de ativos florestais funcionam como recompensa financeira para todos os que se esforçam para a adaptação e mitigação climática, como, por exemplo, na agricultura e pecuária sustentáveis e na inclusão socioeconômica de comunidades beneficiárias do Sistema de Incentivos a Serviços Ambientais (Sisa).

O acordo não envolve apenas a instituição bancária e o governo do Estado, mas as comunidades indígenas, extrativistas e ribeirinhas que devem receber, ainda, 72% do total dos recursos gerados pelas negociações.

Na prática, o Estado do Acre fortalece o compromisso de manter suas florestas em pé por meio de estratégias comerciais inovadoras perante o novo parceiro, cujos arranjos negociais terão forte inserção no mercado financeiro nacional e internacional.

Publicidade

Carbono com propósito

O Acre é pioneiro no mercado de carbono florestal, respondendo pelo primeiro projeto de REDD+ Jurisdicional implantado no Brasil.  Os recursos em prospecção envolvem ativos florestais, em especial o carbono florestal, a partir de sua verificação e certificação, cujos trabalhos técnicos estão em andamento para, no futuro próximo, respeitadas a lei, gerem melhores margens de lucratividade com os ativos.

Os trabalhos técnicos serão listados por meio do registro Arquitetura para Transações JREDD+ (ART), utilizando sua metodologia Trees verificada, aprovada pelo Conselho de Integridade para o Mercado Voluntário de Carbono (ICVCM), para uso no âmbito do Esquema de Compensação e Redução de Carbono para a Aviação Internacional (Corsia). É a primeira vez que um grande banco internacional firma parceria com um governo subnacional ou entidade estadual dessa forma.

Para o governador Gladson Camelí, o acordo representa não apenas uma conquista econômica, mas uma reafirmação do compromisso com o desenvolvimento sustentável e com a floresta em pé.

“O Acre tem sido referência internacional em políticas ambientais que conciliam conservação com geração de renda. Somos um dos poucos estados que conseguem mostrar, na prática, que é possível proteger a floresta e ao mesmo tempo criar oportunidades para o nosso povo.  Esse acordo reconhece o papel fundamental das comunidades tradicionais, dos povos indígenas e dos seringueiros, que há séculos vivem em harmonia com a natureza.  É graças a eles que temos uma das menores taxas de desmatamento em terras indígenas – menos de 1%. Isso é prova de que conservar não é apenas possível, é cultural, é parte da nossa identidade”, destaca.

Os recursos, segundo o governador, devem fortalecer a economia local, gerar empregos ecossistêmicos, apoiar projetos comunitários e garantir que o Acre continue sendo exemplo para outros países que buscam soluções reais para a crise climática: “Estamos mostrando ao mundo que o futuro da Amazônia passa por aqui. E que esse futuro será construído com respeito, com justiça social e com a floresta em pé. O Acre está pronto para liderar. E vamos juntos, com coragem e responsabilidade, transformar esse acordo em esperança concreta para as próximas gerações”.

Como vai funcionar?

O acordo ajudará a liberar capital para gerar benefícios econômicos, ambientais e sociais para a região e as comunidades do Acre, localizadas no coração da Floresta Amazônica. De acordo com a legislação do Estado do Acre, os recursos gerados com a venda serão alocados da seguinte forma:

Em momento oportuno, em conjunto com o Estado do Acre. Essa abordagem estabelece um modelo inovador e escalável para eficiência financeira da política climática na jurisdição, combatendo o desmatamento, reduzindo emissões, preservando a floresta e promovendo crescimento econômico a partir de soluções naturais e cadeias produtivas adaptadas às mudanças climáticas.

Desenvolver sem desmatar

O impacto econômico desse acordo estabelece uma ponte sólida entre o desenvolvimento e a preservação ambiental, estabelecendo o Acre como um modelo inspirador para o mundo, conforme frisa o secretário da Fazenda, Amarísio Freitas, palestrante e líder do Projeto Carbono Jurisdicional do Estado: “O governo tem lutado por uma sociedade justa, oferecendo soluções para todos os seus habitantes, criando mecanismos de desenvolvimento nas regiões mais distantes da capital sem impactar negativamente o ecossistema.  Esse acordo nos fornece uma ferramenta eficaz na luta pelo desenvolvimento econômico sustentável. Estamos entusiasmados em trabalhar com o Standard Chartered nesta inovação pioneira”.

Agência de Notícias do Acre

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.