Início / Versão completa
Opinião

Artigo: Buzinaços explodem pelo Brasil e viram o som da esperança popular

Por Por Adriano Gonçalves, da Folha do Acre 28/07/2025 10:19
Publicidade

Na última sexta-feira (25), o Brasil acordou com um som diferente: um coro de buzinas vindo de todos os cantos do país. Das ruas movimentadas de São Paulo às margens do Rio Acre, passando pelos pampas gaúchos e pelas ladeiras históricas de Ouro Preto, um fenômeno tomou conta das avenidas, vielas e até das estradas de terra: os buzinaços populares.

Publicidade

Mais do que barulho, os buzinaços se tornaram uma linguagem coletiva de manifestação e alegria, um código sonoro que mistura protesto, festa, e uma pitada de resistência bem brasileira. Em Rio Branco, o epicentro acreano do movimento, dezenas de motoristas se reuniram na frente do Palácio Rio Branco, fazendo ecoar uma sinfonia de buzinas que mais parecia o ensaio geral de uma escola de samba misturada com desfile cívico.

Um Brasil que fala por buzinas

O movimento, espontâneo e descentralizado, começou com um simples vídeo nas redes sociais de um caminhoneiro de Minas Gerais, que dizia: “Se você acredita no Brasil, buzine agora!”. O resto é história. O vídeo viralizou, e em poucas horas, motoristas em todo o país estavam com o dedo na buzina e o coração na garganta.

Publicidade

Em Salvador, os taxistas formaram uma carreata em espiral no Dique do Tororó. Em Brasília, até os ônibus da linha circular entraram na onda, transformando a Esplanada dos Ministérios em palco de um buzinaço sinfônico. Já em São Paulo, alguns prédios acompanharam com vuvuzelas nas sacadas — uma mistura sonora que faria até o maestro Villa-Lobos sorrir.

Buzinaço com poesia

No Acre, a criatividade deu o tom. Teve motorista colando versículos bíblicos no para-brisa, outros com alto-falantes tocando Asa Branca e até quem pintou o capô com frases como “Meu carro buzina por um Brasil mais justo!”. Alguns pedestres aplaudiam. Outros respondiam com panelas, batuques e gritos de “Vai, Brasil!”.

“É uma forma de dizer que estamos vivos, atentos, e que temos voz — mesmo que em forma de buzina”, disse Dona Zuleide, 68 anos, que foi à frente do Via Verde Shopping com um cartaz que dizia: “Meu coração vibra, meu carro buzina!”

Ninguém segura esse buzinaço

Especialistas já chamam o fenômeno de “Buzinacultura” – uma nova forma de mobilização que une humor, protesto e identidade nacional. É o Brasil sendo Brasil, com criatividade, barulho e fé.

Enquanto isso, em Rio Branco, o sol se põe por trás do Rio Acre, e ainda se ouve uma buzina solitária ecoando ao longe. Talvez seja só um motorista impaciente. Ou talvez seja o som do povo, que aprendeu que até mesmo uma buzina pode mudar o país.

*Adriano Gonçalves é colunista da Folha do Acre

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.