Início / Versão completa
Polícia

Grupo invade frigorífico e liberta 170 bois apreendidos pelo ICMBio em operação no Acre

Por Por Aikon Vitor, da Folha do Acre 17/06/2025 08:56 Atualizado em 17/06/2025 09:09
Publicidade

Na madrugada desta terça-feira (17), um grupo ainda não identificado invadiu as dependências do frigorífico da empresa Norte Carnes, no município de Brasiléia, interior do Acre, e libertou cerca de 170 cabeças de gado que estavam sob custódia após terem sido apreendidas por fiscais ambientais na Reserva Extrativista Chico Mendes.

Publicidade

A informação foi confirmada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão federal responsável pela gestão da unidade de conservação. “Houve sim a invasão ao frigorífico. Roubaram o gado apreendido”, afirmou a assessoria de imprensa do instituto à Folha do Acre.

Os animais haviam sido levados ao local por orientação de agentes da operação Suçuarana, ação coordenada por Ibama e ICMBio para combater a ocupação ilegal e o desmatamento dentro da reserva. Segundo o empresário Eduardo Cesário, um dos sócios da Norte Carnes, a empresa recebeu o rebanho sob a justificativa de que havia uma ordem judicial autorizando a guarda e o abate das reses — embora essa ordem nunca tenha sido apresentada por escrito.

“Disseram que levariam todo o gado para Rio Branco, mas isso não aconteceu. Ele (ICMbio) garantiu que tudo seria legal e que havia ordem judicial e não tinha como voltar atrás”, declarou Cesário à reportagem.

Publicidade

A invasão ao frigorífico ocorreu por volta das 4h da madrugada. De acordo com a direção da empresa, as câmeras de segurança não registraram a ação dos invasores. Ao todo, mais de 200 animais estavam sob custódia da empresa. Após o arrombamento dos currais, cerca de 170 bois foram soltos. Apenas 59 permaneceram presos.

Ainda não há informações sobre o paradeiro dos animais libertados nem sobre a identidade dos responsáveis pela invasão. Fontes ouvidas pela reportagem indicam que o episódio pode estar ligado à crescente tensão entre posseiros e órgãos ambientais federais, agravada nos últimos dias com interdições de rodovias e protestos de produtores rurais da região.

Diversos animais chegaram a ser abatidos antes da invasão. A carne permanece estocada na câmara fria da empresa, mas o empresário já declarou que não tem mais interesse em adquiri-la. O destino final do produto é incerto.

A empresa emitiu nota oficial à imprensa. No texto, a Norte Carnes afirma que foi surpreendida com a chegada dos animais e que não compactua com as ações da operação Suçuarana. Alega também que foi informada de que os bois seriam levados a outro frigorífico, mas que, devido à dificuldade no transporte, o rebanho acabou sendo entregue à unidade em Brasiléia.

A nota também relata que, desde que recebeu o gado, a empresa e seus funcionários passaram a ser alvo de acusações e ameaças. “A partir deste momento a empresa não irá abater mais nenhuma cabeça de gado proveniente desta operação é que o gado que está no curral foi solicitado para o órgão que realizou a apreensão fazer a retirada do mesmo”, diz o comunicado.

A operação Suçuarana, deflagrada entre maio e junho deste ano, é considerada uma das maiores intervenções recentes em áreas protegidas do Acre. Além de multas e apreensão de gado, a ação resultou na destruição de cercas, currais e estruturas utilizadas por criadores ilegais.

O roubo do gado ocorre em um momento de forte tensão na Reserva Extrativista Chico Mendes, criada em 1990 para garantir o uso sustentável da floresta por seringueiros e comunidades tradicionais. Nos últimos anos, o avanço do desmatamento e da pecuária extensiva tem gerado conflitos entre posseiros e agentes do Estado.

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.