Início / Versão completa
Destaque

“Golpe do Boi” no Acre: Sargento do BOPE é condenado por aplicar golpe milionário em colegas de farda; Veja detalhes

Por Por Kauã Lucca, da Folha do Acre 07/01/2025 20:31 Atualizado em 08/01/2025 05:06
Publicidade

A reportagem da Folha do Acre obteve, com exclusividade, detalhes de um esquema fraudulento envolvendo a compra e venda fictícia de gado que abalou as estruturas da Polícia Militar do Acre. Conhecido como “Golpe do Boi”, o esquema gerou prejuízos estimados em R$ 6 milhões e envolveu dezenas de policiais militares, desde praças até oficiais de alta patente. A fraude foi orquestrada pelo sargento Daniel Sampaio de Albuquerque, de 46 anos, conhecido como Sargento Sampaio.

Publicidade

Os crimes teriam sido cometidos durante a pandemia, em 2021. Em dezembro de 2024, a Justiça do Acre aceitou a denúncia feita pelo Ministério Público do Acre (MPAC) contra Sampaio e o condenou a sete anos e seis meses de reclusão e pagamento de multa. no entanto, o juiz Flávio Mundim estabeleceu para o cumprimento de pena o regime semiaberto, podendo assim apelar da decisão da sentença em liberdade.

O esquema

Na época integrante do Batalhão de Operações Especiais (BOPE), Sampaio, em sociedade com um indivíduo identificado como Márcio Bartolomeu Silva de Oliveira, mais conhecido como “Gordo” e/ou “Zarolho”, prometia altos rendimentos em um suposto negócio de compra e venda de gado. O sargento aliciava colegas de farda, especialmente os mais novos, para contrair empréstimos consignados e investir no esquema, garantindo que o lucro mensal seria suficiente para pagar as dívidas e ainda gerar rendimentos.

Publicidade
Sargento Sampaio e seu “sócio” Márcio (vulgo Gordo/Zarolho) respectivamente – Foto/cedida

O golpe atingiu não apenas policiais do BOPE, mas também militares de outros batalhões, como o de Cruzeiro do Sul, o Batalhão de Trânsito e o 1º Batalhão. Oficiais do GIRO e da Companhia de Policiamento com Cães (CPCAES, também foram citados como investidores no esquema.

Para dar credibilidade ao golpe, Sampaio chegou a abrir um CNPJ com o nome fantasia de CPCarne. Ele ostentava luxo, com carros e motos de alto padrão, e fazia pagamentos de supostos rendimentos dentro do BOPE, local considerado seguro para evitar desconfianças ou fiscalizações externas.

Transferência e escolta

Devido à repercussão do golpe, o sargento Sampaio foi transferido para o policiamento escolar. A decisão visava afastá-lo do BOPE, onde as tensões entre as vítimas do esquema eram altas. Segundo informações de uma fonte de dentro da caserna, Sampaio precisou de escolta para retornar ao BOPE e retirar seus pertences pessoais, evidenciando o clima de animosidade gerado pelas acusações e prejuízos financeiros sofridos pelos policiais.

Promessas não cumpridas

Sampaio chegou a assinar termos de confissão de dívida com diversas vítimas, prometendo devolver os valores investidos. No entanto, as devoluções nunca saíram do papel, deixando os policiais endividados e com empréstimos vultuosos para pagar.

Em um áudio obtido pela Folha do Acre, Sampaio afirmou ter, em determinado momento, mais de R$ 1,5 milhão em espécie. “[Sic] Minha pretensão era, quando chegar junho, começar a fazer algumas devoluções. É tanto que em janeiro eu tinha, em dinheiro, sobra, gordura de R$ 1.580.000 reais em espécie”, declarou.

Denúncias em andamento e o desfecho judicial

Sampaio foi condenado, após a descoberta do esquema e denúncias de três vítimas do golpe, a sete anos de prisão, mas, segundo informações repassadas à reportagem, o número de lesados é muito maior. Ainda há várias vítimas que não formalizaram suas queixas, e novos processos contra o sargento devem surgir nos próximos dias. A expectativa é que, com o avanço das investigações, mais policiais lesados se sintam encorajados a denunciar o estelionatário e buscar reparação judicial. Inclusive, Sampaio já foi denunciado na Corregedoria da Polícia Militar pelas vítimas do golpe fraudulento.

Apesar da sentença, o caso deixou um rastro de dívidas e prejuízos para dezenas de militares que acreditaram no “conto do boi”.

O golpe também expôs uma rede de aliciamento que utilizava a confiança entre os policiais como base para atrair novas vítimas. “Ele dizia que os oficiais também investiam, o que dava uma sensação de segurança para quem estava entrando no negócio”, revelou a mesma fonte ligada à corporação.

Impacto no meio militar

A condenação de Sampaio não encerra as consequências do golpe. Muitos dos envolvidos continuam enfrentando dificuldades financeiras, com empréstimos consignados que comprometeram grande parte de seus rendimentos. O caso também gerou desconforto e desconfiança dentro da corporação, abalando a imagem do BOPE e de outros batalhões envolvidos.

O “Golpe do Boi” se junta a uma série de casos que demonstram como fraudes financeiras podem atingir até mesmo instituições consideradas exemplares em disciplina e ética, deixando um alerta para práticas de aliciamento e promessas de lucros fáceis.

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.