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Líder de ocupação nega ameaça ao pecuarista Zamora Filho e diz que ‘terras são da União e destinadas à reforma agrária’

Por Redação Folha do Acre 16/01/2024 08:37
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Agricultor acreano Paulo Sérgio, 50 anos, e outras 200 famílias vivem conflito com a família Zamora, pela posse de terra, em uma área na divisa do Acre com o Amazonas.

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O agricultor acreano Paulo Sérgio, 50 anos, apontado como líder do grupo que ocupa parte de uma área de fazenda que vem sendo palco de conflitos, na divisa do Acre com o Amazonas, se defendeu das acusações feitas, na semana passada, pelo pecuarista Sidney Zamora Filho, 36.

Um vídeo enviado À GAZETA mostra o momento em que o camponês mostra uma arma de fogo ao fazendeiro, durante ronda de rotina de Zamora pela propriedade rural, chamada de Palotina, localizada em Lábrea e Boca do Acre, no interior do estado vizinho.

Segundo Paulo, a arma não pertencia a ele, mas a um colega, que estava cortando castanha e havia pedido para o agricultor segurá-la. O intuito de mostrar a arma, “sem postura de disparo e apontada para cima”, segundo ele, seria para comunicar ao rival que os camponeses não estavam ali à procura de conflito.

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“Assumo o que tiver que assumir, mas fiz menos que ele, que já atirou (pra cima) e ainda nos ameaçou. Então, se eu estiver errado, ele está mais errado que eu”, disse Paulo, referindo-se a um episódio, ocorrido em dezembro, em que Zamora efetuou um disparo para cima para expulsar os ocupantes.

“Ele passou lá na nossa comunidade, na semana passada, só para nos provocar. Quem conhece a realidade do campo, sabe que é comum o agricultor ter arma. Eles também têm a deles. O trabalhador rural não tira posse de arma pra amedrontar ninguém, aqui só tem trabalhador e pai de família”, defende-se.

Comprada pelos Zamora em 1985, a Fazenda Palotina tem 150 mil hectares, e a área ocupada pelos trabalhadores rurais abrangeria pouco mais de 10% da terra. Segundo Paulo, o espaço reivindicado pelas 200 famílias não seria, originalmente, parte da propriedade.

“São terras devolutas da União, destinadas à reforma agrária. Eles que se apropriaram, para estenderem seus domínios por aquela área. Eles não têm limites para fazerem a sua ocupação. Tem até processo na Justiça Federal sobre a quem, de fato, pertence parte daquelas terras”.

Ele diz, ainda, desconhecer que possui extensa ficha de processos na Justiça, entre eles de crime ambiental. “Tenho alguns que foram abertos por eles [fazendeiros]. A gente só derruba para abrir área para roçado”.

Paulo nega, também, que comercialize lotes de terra para famílias e rebate com uma série de outras acusações aos fazendeiros.

O colono afirma que as famílias despertaram interesse por aquela região a partir de 2015, após informações de que a área estaria na lista de terras devolutas da União a serem destinadas à política de assentamento.

“Só pode ocupar terra da União quem precisa dela. Ele é fazendeiro e empresário. Não pode ser beneficiado pela reforma agrária. Uma juíza do Amazonas mandou o processo para a esfera federal, porque são, como falei, terras da União”, finaliza um dos líderes da comunidade, que fica a 8 quilômetros de distância, via ramal, das construções da fazenda.

A Gazeta do Acre

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