4 março 2024

Professor do Ifac admite que agrediu estudante: ‘dei uma pisa grande nele’

A Gazeta do Acre

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Uilson Fernando Matter, professor do Instituto Federal do Acre (Ifac), Campus Xapuri, está sob investigação policial após ser denunciado por manter em cárcere privado, espancar e tentar dopar um aluno de 16 anos de idade em sua propriedade rural.

A denúncia ganha ainda mais peso com a revelação de um áudio comprometedor enviado por Matter à família da vítima. No áudio, o professor, que trata o menor como filho, admite ter agredido fisicamente o adolescente, justificando a ação como uma resposta à queda no desempenho escolar do estudante.

“Ele é meu filho, e tem que se exemplar, né? Acho que quando a gente tá farreando, a gente farreia. Ele é o menino que estava cotado pra ser o melhor aluno do IFAC, entendeu? E eu sempre defendi, sempre conversei muito com ele. Um tempo desse ele não dava indo bem na escola, eu dei uma dura nele. Dei uma pisa nele aqui que foi grande”, diz um dos trechos do áudio.

O caso veio à tona após a família do menor procurar a polícia de Xapuri, que iniciou uma investigação. Segundo relatos, o professor continuou ameaçando a vítima, chegando a propor um acordo e oferecer dinheiro para amenizar a situação.

O Conselho Tutelar do município já ouviu a vítima e a mãe, encaminhando o caso ao Ministério Público (MPAC). O IFAC emitiu uma nota informando que afastou preventivamente o professor e instaurou um procedimento administrativo para investigar o incidente.

O episódio suscita preocupações sobre a conduta do professor, que, segundo denúncia anônima, estaria influenciando alunos menores, levando-os à sua propriedade. A falta de clareza sobre se a direção do instituto tinha conhecimento dessa prática e a demora na manifestação pública da instituição geram questionamentos sobre o caso.

Além disso, a ordem das medidas tomadas pelo IFAC no âmbito administrativo levanta dúvidas, com o aluno sendo afastado antes do acusado.

Entre alguns servidores, o comportamento do professor não era surpresa, levantando a questão sobre a falta de ação prévia. O caso permanece sob investigação da Delegacia de Polícia Civil. O acusado ainda não foi ouvido pela Justiça.

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