16 julho 2024

Entre notas de apoio a si mesmo, o vídeo que assombra a Casa Civil e o afastamento de Henrique Maciel: igredientes de uma narrativa com desfecho pronto

Por Gina Menezes

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Por que notas repudiando acusações e notas de apoio a si mesmo em nome da instituição Polícia Civil não serão suficientes para estancar o estrago que causará o depoimento da “vítima x” que acusa Henrique Maciel de assédio sexual? Por que o vídeo com o depoimento de uma das supostas vítimas assombra a Casa Civil e por que a saída do secretário-geral de Polícia Civil é questão de dias? Essas são as perguntas que rondam os bastidores do poder no Acre nos últimos tempos, que todos sabem, mas poucos falam.

A resposta sobre não conseguir escamotear fatos e desfazer narrativas é muito simples. Quase uma daquelas frases de mãe que se ouve na infância: Porque a verdade é inexorável. Se ela existir virá a tona.  Se não se cristalizar na onda de denúncias dos  supostos terríveis crimes que Henrique Maciel é acusado, ao menos restará claro que ele não tem apoio, lideranças ou poderá contar com espírito de corporação dos próprios delegados.

Sobre as notas e mais notas em apoio ao delegado Henrique, podemos dizer que é fichinha perante ao que está prestes a vir a público. Simplesmente porque nada é mais contundente que o depoimento temeroso, poderoso e dolorido de uma suposta vítima de crimes contra a dignidade sexual. O vídeo  onde uma mulher acusa o delegado de assédio sexual existe. É pesado, doloroso e para horror de alguém que tenta escamotear a verdade ele já está nas mãos das autoridades. Fatos não podem ser ignorados por muito tempo e para além do vídeo que é como soco no estômago de qualquer mulher que ver uma semelhante sofrer de dor e medo, haverá o depoimento da vítima. 

Nesta quinta-feira (9), faz 14 dias que o Conselho Estadual dos Direitos da Mulher (CEDIM-Acre) cobrava que o governo do Acre agisse com rapidez e rigor diante de notícias de assédio sexual sob pena de sua leniência ser interpretada como uma concordância velada com a prática de crimes e de concordar com institucionalização de práticas nefastas no seio da gestão pública. Depois da nota, como em uma comunicação de loucos, surgiram notas defendendo o acusado e nenhuma palavra sobre a suposta vítima, mas esta realidade está prestes a mudar.

Aguardem o desenrolar dos dias e a imprensa se prepare para procurar o CEDIM-Acre que tanto ignoraram para pedir notas sobre o assunto. 

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