Início / Versão completa
Destaque

Médico acreano conta detalhes de tragédia em São Paulo: “Era só chegando gente ferida, gemendo”

Por Redação Folha do Acre 02/03/2023 08:36
Publicidade

 

O ex-funcionário do Banacre e do Banco do Brasil, Edilson Lima de Oliveira, um acreano que nasceu em Rio Branco há 57 anos, é testemunha ocular de uma das maiores tragédias naturais registradas no território de São Paulo, as fortes chuvas que atingiram o litoral norte daquele estado derretendo encosta de morros, soterrando centenas de moradias e vitimando até aqui 56 pessoas. Ele é médico plantonista do Hospital das Clínicas de São Sebastião, no centro de uma das áreas mais afetadas.

Publicidade

Edilson Lima é médico há 15 anos e trabalha há 7 anos no litoral norte de São Paulo, cinco dos quais no Hospital das Clínicas. Além de plantonista do HC, tem contrato com o programa “Mais Médico” cujo serviço é prestado em aldeias de índios tupis guaranis. Entrou no plantão na sexta-feira, 24, quando iniciaram as chuvas. Menos de 24h depois, começa a tragédia. “A maior que já vi na vida”, conta ainda consternado, ao AcreNews.

Segundo o médico acreano, que passou cinco dias de plantão ininterrupto, o drama começou quando uma colega dele de trabalho foi levada já sem vida para o hospital. Morreu ela, a filha, a mãe e o padrasto. “Não abalou apenas eu, mas todos os colegas”, conta.

Edilson relata que no ápice da tragédia, na medida que a chuva não parava e os morros desabavam, o caos ia aumentando dentro do hospital. “Iam chegando muitos feridos e o pior: na maioria dos casos, já tinha passado o tempo de fazer sutura nas feridas, que é de seis horas. Tínhamos que debridar o ferimento para poder fazer a sutura. Ou seja: fazer sangrar novamente o ferimento”, dá detalhes.

Publicidade

Naquilo que sobrou de tragédia, transbordou em solidariedade. Edilson conta que o povo se envolveu. A população inteira. “Veio ajuda de vários lugares de São Paulo e de fora”, elogia. Além de vidas, houve muita perda material. “Muita gente perdeu tudo”, diz.

Edilson conta que o maior apoio veio do Estado. “Nosso governador veio no local da trajedia e se comprometeu em ajudar todos os desabrigados”, conta o ex-bancario. Ele não sabe precisar números da tragédia e nem faz questão. O caos total deixou o acreano em outro patamar. “Aprendi muito diante de uma tragédia sem precedentes”, finaliza pelo telefone.

MORTOS

O número de mortos por causa das chuvas no litoral norte de São Paulo chegou a 65. Do total, 64 das vítimas foram localizadas no município de São Sebastião e uma em Ubatuba. Profissionais do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil e fuzileiros da Marinha seguem as buscas por desaparecidos.

Acre News

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.