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‘Parece um pesadelo’, diz liderança Ashaninka do Acre sobre assassinato de jornalista e indigenista

POR Redação

O assassinato do jornalista inglês Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira, desaparecidos desde o início de junho na região do Vale Javari, na Amazônia, tem mobilizado todo o país. Para a liderança indígena do Povo Ashaninka do Acre, Francisco Piyãko, o caso “parece um pesadelo”.

A declaração foi dada por Francisco durante uma live do Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa (IREE ECO), coordenada pelo ex-senador Jorge Viana (PT), na tarde desta quarta-feira, 15. Beto Marubo, coordenador da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), instituição que realizou a denúncia de desaparecimento dos dois, também participou do bate-papo.

“Parece um pesadelo, parece que não está acontecendo. A gente imagina que isso tenha acontecido puramente por eles serem dois amigos da floresta, amigos dos povos indígenas. Lembro que em 2014, numa comunidade vizinha aqui da Apiwtxa, assassinaram quatro lideranças de uma vez só, simplesmente porque lutavam para ter sua terra demarcada”, destacou Piyãko.

Em maio deste ano, Dom Phillips visitou a comunidade Apiwtxa na Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, em Marechal Thaumaturgo, para conhecer de perto o protagonismo e sucesso dos Ashaninka em proteger sua terra, das artes e trabalho artesanal, da maneira de viver, e da sua cultura.

Na live, Jorge Viana relembrou a história de Chico Mendes, também assassinado por defender a floresta e as populações que nela vivem. “Isso me remete aos últimos dias do Chico Mendes. Ele também só queria que as populações da floresta pudessem viver, ser feliz e que as florestas não fossem derrubas”, afirmou Jorge.

Francisco Piyãko, que já foi secretário de Estado de Povos Indígenas do Acre, também criticou a atual gestão da Fundação Nacional do Índio (Funai). “O Estado ficou muito longe da gente, através da Funai. Então assim, temos a sensação de que estamos só. E isso é muito ruim, pois a agente percebe que o crime organizado e as frentes que tentam invadir os nossos territórios, se organizaram em coletivos para que de várias formas cheguem na nossa região. As nossas fronteiras estão desprotegidas”, alertou.

Na tarde desta quarta-feira, os irmãos Amarildo da Costa Oliveira, conhecido como Pelado, e Oseney da Costa de Oliveira, conhecido como Dos Santos, confessaram envolvimento no assassinato do indigenista brasileiro e do jornalista inglês.

Segundo uma fonte da PF, Pereira e Phillips foram mortos a tiros e tiveram os corpos queimados e enterrados. A motivação do crime ainda é incerta, mas a polícia apura se há relação com a atividade de pesca ilegal na região.

Fonte: A Gazeta do Acre

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