Início / Versão completa
Geral

Covid-19 não será facilmente erradicada e teremos que aprender a conviver com o vírus

Por Redação Folha do Acre 23/02/2022 11:08
Publicidade

Segundo Fernando Bellissimo Rodrigues, as precauções com relação à higiene e comportamentos que foram adquiridos durante a pandemia se manterão por muito tempo

Publicidade

Desde o início da pandemia de covid-19, o mundo contabilizou cerca de 5,84 milhões de mortes e mais de 417 milhões de infectados. Mas, com o avanço da vacinação e depois da onda provocada pela variante ômicron, alguns países europeus já estão tratando a doença como uma endemia. E, no Brasil, não deve ser diferente; os profissionais da saúde e pesquisadores já aceitam o fato da convivência com a doença, que não será erradicada tão facilmente.

Para especialistas como o infectologista Fernando Bellissimo Rodrigues, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, a covid-19 tende a se estabilizar, tornando-se uma endemia. Explica que, diferentemente da pandemia e da epidemia, a endemia é uma espécie de doença controlada, que se manifesta em partes ou em todo o ano na forma de surtos, como é o caso da influenza. “Endemia é a situação em que uma determinada doença segue os padrões normais, os padrões habituais, o que naturalmente varia de doença para doença”, diz o infectologista.

Covid endêmica, como a influenza

Publicidade

“A gente não acredita que essa epidemia possa ser erradicada como foi a do Sars-cov-1 (Sars e Mers). O Sars-cov-1 teve uma epidemia que terminou e a doença não se prolongou da forma endêmica”, comenta o professor Bellissimo. Como a quantidade de infectados assintomáticos é muito menor que a da covid-19, conta, foi possível isolá-los e impedir a expansão do vírus e de novas cepas.

Assim, continua o especialista, o comportamento dos surtos de sars e mers não deve se repetir com o novo coronavírus, já que “o número de pessoas com infecção assintomática é muito grande, daí a gente não consegue erradicar a doença; é provável que ela se torne endêmica, mais ou menos como é o vírus da influenza”.

Cuidados pós-pandemia devem se manter

Segundo Bellissimo, as precauções com relação à higiene e comportamentos que foram adquiridos durante a pandemia se manterão por muito tempo. “A gente vai ter que desenvolver uma resiliência, no sentido de aprender a conviver com o vírus, já que não é esperado que ele vá ser erradicado, e é possível, e provável, que vários dos nossos padrões de higiene e comportamento que nós adotamos hoje tenham que ser adotados de forma contínua por muito tempo ainda”, informa.

Quanto aos hábitos de higiene, o professor lembra que, antes da pandemia, não era tão comum encontrar uma pia ou um dispensador de álcool em gel para a higienização das mãos em restaurantes de fast food. Prática que já “não se admite hoje mais, e não deve-se admitir nunca mais porque é uma questão de higiene básica que precisa ser observada”.

JORNAL DA USP

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.