Candidato denuncia que governo contrata enfermeiros provisórios e abandona aprovados em concurso

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Durante a manhã de quinta-feira (18), dezenas de aprovados no concurso de 2014 para provimento de vagas de enfermeiros para a Secretária de Saúde (Sesacre) estiveram na Assembleia Legislativa do Acre buscando apoio parlamentar para que o Estado cumpra o prazo na convocação dos aprovados. Os enfermeiros alegam que suas vagas estão sendo ocupadas por pessoas contratas de forma provisória e emergencial que não se submeteram a nenhum tipo de concurso.

Nesse sentido, o deputado Jenilson Leite (PCdoB) garantiu se reunir com a chefe da Casa Civil do governo do Estado, Márcia Regina, para tomar conhecimento dos fatos em relação ao assunto. Ele pontuou que o problema tem que ser encarado de frente, tendo em vista que há uma determinação judicial para a saída dos profissionais contratados pelo Pró-Saúde. O parlamentar defendeu o diálogo como caminho para uma solução que beneficie a todos, sem prejuízos para o usuário do SUS.

“É preciso um planejamento. Fala-se em acabar com o Pró-Saúde, mas queremos saber qual a proposta, qual a estratégia de reposição desses profissionais. Precisamos saber a sinalização do governo. Me comprometo acompanhá-los na reunião que terão junto à Sesacre”, disse o deputado ao relatar sobre a reunião que acontecerá na terça-feira (22), na sede da Sesacre.

Corroborando com a fala do deputado Jenilson Leite, o deputado Nelson Sales (PV) disse que um estudo para realocação e contratação de servidores se faz necessário. O parlamentar teme que caso sejam contratados de última hora, o impacto para o usuário poderá ser maior. São necessárias ações gradativas. “Se deixar tudo para março ou abril, o impacto será maior”, defendeu ele.

A presidente do Spate/AC, Rosa Moreira, agradeceu aos membros da Comissão de Saúde da Aleac pela receptividade ao tema apresentado e destacou que é necessário também uma revisão na carga horária nos plantões extras. Atualmente o limite é de 15 horas, entretanto, a ideia é que esse percentual caia para apenas 10 horas. Para a sindicalista, isso permitiria a contratação de novos profissionais e evitaria a sobrecarga de trabalho.

“A gente precisa rever aqui na Aleac essa questão dos plantões, que sejam de 10 horas apenas. Hoje são 15 horas”, disse ela.

“A batalha maior nesse estado não é ser aprovado em concurso, é ser chamado para assumir a vaga”, diz Enfermeiro que aguarda convocação

Um dos enfermeiros aprovados no concurso da Sesacre e que aguarda convocação é Jeziel Santana que afirmou à reportagem da Folha do Acre que uma das maiores batalhas dos jovens é serem convocados para assumirem suas vagas de forma legal.

“A batalha maior não é nem passar no concurso público, porque para isso nos dedicamos, estudando até meia noite e conseguimos, o que tem sido mais difícil é fazer valer nosso direito para assumirmos nossas vagas” diz.

Jeziel criticou o governo por estar convocando enfermeiros para contratos emergênciais ao invés de realizar a chamada dos profissionais aprovados e com concurso vigente.

“Enquanto a gente se dedicou, passou no concurso, a Sesacre está chamando enfermeiros para contratos provisórios para tomar nossas vagas. Isso é um absurdo e se nada for feito nós iremos protestar nas ruas até que nos ouçam”, diz.

O desabafo de Jeziel Santana é apoiado pela sindicalista Rosa, que frisou que o governo tem protelado as convocações colocando em risco toda a rede de atendimento.

“Temos municípios como Santa Rosa onde não temos enfermeros. Aqui em Rio Branco quando falta em uma unidade eles mandam buscar de outra, descobrindo um setor para garantir funcionamento em outro. Não pode ser dessa forma”, diz.

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