No Acre, armas de fogo mataram 329 jovens em 19 anos, aponta estudo

Estudo da Sociedade Brasileira de Pediatria considerou dados do Ministério da Saúde, de 1997 a 2016. Ano com maior registro foi 2016, com 54 mortes

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Equipe do IML resgata corpo de homem morto em Rio Branco/Foto: Folha do Acre

Em quase duas décadas, 329 crianças ou adolescentes, com idades entre zero e 19 anos, morreram em decorrência de disparos de armas de fogo, acidentais ou intencionais, como em casos de homicídio ou suicídio no Acre. Os números fazem parte de um levantamento divulgado nesta quarta-feira (20) pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

O estudo considerou os dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, registrados entre os anos de 1997 a 2016, ano mais recente disponível.

Em 2016, foi o ano com maior número de casos, sendo registrados 54 mortes por ferimentos de arma de fogo. O número é o triplo do identificado há 19 anos, quando foram contabilizadas 18 mortes em 1997.

Os anos com menores registros de óbitos decorrentes de ferimentos por armas de fogo foram 2005, 2006 e 2008, quando foram contabilizadas oito mortes.

‘Temos crianças no crime’, diz secretário

O secretário de Segurança Pública do Acre, Paulo Cézar dos Santos, afirmou que, se for feito um recorte da população carcerária do estado, é possível verificar que se trata de uma população “extremamente” jovem. Segundo ele, as pessoas estão entrando no mundo do crime cada vez mais cedo.

“Temos crianças no crime, isso é uma realidade pontual que aporta a sociedade acreana e a brasileira. Nosso planejamento estratégico prevê a elaboração de um programa que, através da escola, vai chegar a esse jovem. Vamos ampliar as atividades do antigo observatório de segurança”, disse o secretário.

Santos ressaltou que o efetivo também deve ser aumentado com militares da reserva remunerada para a refundação da companhia escolar.

“Para que, na comunidade, nós possamos fazer a abordagem adequada principalmente, das crianças e adolescentes que estão ainda na fase que nós denominamos como ‘namoro com crime’. É nessa fase que cabe a nossa intervenção, é nessa fase que vamos procurar agir, no sentido de desviar essas pessoas do caminho do crime e, consequentemente, impactará na redução desses números”, concluiu Santos.

Dados nacionais

Em todo o país, mais de 145 mil jovens faleceram em consequência de disparos de armas de fogo. Em 2016, foram registrados 9.517 óbitos. O número é praticamente o dobro do identificado em 1997, quando foram contabilizados 4.846 casos.

Ainda conforme o levantamento, 45% do volume total de óbitos em 2016 ficou concentrado em estados da região Nordeste. Outros 26% dos casos ficaram no Sudeste e os demais foram divididos entre o Centro-Oeste (8%), Norte e Sul (ambos com 10%).

Dentre os estados, a situação mais preocupante atinge a Bahia, que desde 2009 lidera o ranking nacional, com o maior número proporcional de óbitos de crianças e adolescentes por arma de fogo. Em 2016, 14% das mortes registradas no país com esta causa ocorreram na Bahia.

No mesmo ano, São Paulo, que entre 1997 e 2004 esteve em primeiro lugar nas estatísticas, registrou 6% dos casos. Já o estado do Rio de Janeiro, que liderou o ranking entre os anos de 2005 e 2008, contabilizou 9% das mortes entre os mais jovens por conta de disparos com armas de fogo em 2016.

G1/AC

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