Motorista que matou amigos em acidente sai do Acre e processo segue parado há 1 ano

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Israel Filgueira (E) e Gilson Teixeira morreram em um acidente de trânsito no mês de maio de 2018 – Foto: Arquivo da família

Um ano após o acidente que matou os amigos Gilson Teixeira Rodrigues e Israel Ériston Filgueira, o processo segue parado na Justiça do Acre. Os amigos estavam em uma motocicleta, quando foram atingidos por uma caminhonete no dia 19 de maio do ano passado, no km 142 da BR-364, em Rio Branco.

O carro era dirigido por Diego Felipe Moraes. Segundo informou a Polícia Rodoviária Federal do Acre (PRF-AC), a caminhonete estava na contramão quando colidiu de frente contra a moto. A PRF-AC falou também que o motorista tentou fugir a pé do local, mas foi encontrado e levado para a delegacia.

Menos de um mês após o acidente, a Vara de Delitos de Drogas e Acidentes de Trânsito da Comarca de Rio Branco autorizou Moraes a deixar o Acre e se mudar para uma cidade no estado de Santa Catarina.

A advogada de Moraes, Vanessa Chalub, confirmou a mudança do rapaz. Segundo ela, a defesa aguarda a audiência de instrução, que ainda não tem data programada.

“Depende de quando a Justiça vai agendar. Possivelmente será ouvido por precatória”, argumentou.

O G1 tentou ouvir o Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC), mas não obteve retorno até esta publicação.

Nova mudança

A família chegou a fazer protesto e se reunir em frente ao Ministério Público do Acre (MP-AC) para pedir Justiça e a prisão do motorista. Os familiares queriam que o rapaz respondesse por homicídio doloso, quando há intenção de matar, o MP-AC ofereceu denúncia por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

Ao G1, a secretária e tia de Gilson Rodrigues, Helena Rodrigues contou que Diego Moraes foi autorizado novamente pela Justiça a se mudar de cidade. A reportagem não conseguiu contato com os familiares de Israel Filgueira.

“Está tudo parado. Não foi julgado, tudo que ele pede a Justiça cede. Alegou que casou, a esposa passou em um concurso público e agora mudou de Joinville para o Rio Grande do Sul. O processo está esperando julgamento, foi denunciado por homicídio culposo. No máximo pega quatro anos”, lamentou.

Ainda segundo Helena, Moraes alegou que casou e a mulher passou em um concurso público no Rio Grande do Sul e precisava mudar de endereço novamente. Ele teria solicitado voltar a dirigir, mas a Justiça negou o pedido.

“Enrolaram para depois denunciar por isso [homicídio culposo], que era aquilo mesmo, que não tinha culpa. Não sei se vão ouvir de novo as testemunhas. Só quem ouviu foi o Ministério Público, agora nessa fase a juíza pode intimar as testemunhas, mas não sabemos como funciona. Mas, tem mais de seis meses que está parado”, criticou.

Missa

Neste domingo (19), data que completou um ano do acidente, os familiares e amigos dos dois rapazes se reuniram em uma missa na Paróquia São Jorge, em Rio Branco.

“Ele vai pagar a pena em serviços prestados. Essa é a verdade. [Pai do Gilson] passou o dia indo pro cemitério e para o local do acidente e à noite teve a missa de um ano com amigos e familiares. Foi um ato bem bonito e, infelizmente, é o que se pode fazer”, frisou.

Helena revelou que o pai de Gilson Rodrigues não se conforma com o a morte do filho. Além disso, o homem mandou construir uma cruz no local do acidente e coloca até flores.

“Vive inconsolável, fala que se não se conforma e nem aceita. Todos os dias vai no cemitério, mandou fazer uma cruz no local do acidente, plantou flores e grama e vai todos os dias. Pedimos justiça, mas a gente já desistiu. Onde vamos? Se o Ministério Público era pra ser o acusador não fez nada. Muito difícil”, concluiu.

G1/AC

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