Estudante e atleta encontrado morto em Rio Branco teria anunciado suicídio no Facebook

Sídney era acadêmico de Radiologia e representou o Acre no Campeonato Nacional de Taekwondo. Velório acontece numa igreja do bairro Recanto dos Buritis.

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Estudante foi encontrado morto dentro de casa/FOTO: Arquivo Pessoal

O jovem estudante e atleta de taekwondo Sídney Cardozo, mais conhecido pelo apelido de “Sidy”, foi encontrado morto no início da noite de quinta-feira (28), na casa em que morava na Rua das Flores, localizada no bairro Belo Jardim I, em Rio Branco. Devido as circunstancias de como o corpo foi encontrado, a polícia, familiares e amigos suspeitam  que ele tenha cometido suicídio. Um inquérito policial foi aberto para apurar o caso.

Sídney era acadêmico do curso de Radiologia em uma faculdade particular, e representou o Acre no Campeonato Nacional de Taekwondo, realizado no ano passado em Brasília. Em sua última postagem no Facebook, ele teria anunciado que iria tirar a própria vida, dando sinais evidentes que sofria de depressão. “Não é suicídio quando se já estar morto por dentro. GAME OVER!”, escreveu o jovem em seu perfil na rede social.

Última postagem feita na rede social de Sidy/FOTO: Reprodução Internet

Um irmão do estudante, teria sentido sua falta e foi até a casa procurar por ele, mas ao entrar na residência, acabou o encontrando sem vida. Após os procedimentos necessários na sede do Instituto Médico Legal (IML), o corpo de Sídney foi liberado para que a família pudesse realizar o velório, que acontece numa igreja evangélica na parada final do bairro Recanto dos Buritis, que também fica na região do 2º Distrito da capital.

As taxas de suicídio dos jovens brasileiros subiu mais de 30% nos últimos 10 anos, e os números apontam um crescimento preocupante desses casos no Acre.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio é um problema de saúde pública em países de alta renda e um problema emergente em países de baixa e média renda. É uma das principais causas de morte no mundo, especialmente entre os jovens. Mais de 800 mil pessoas morrem por suicídio no mundo a cada ano. Isso corresponde a uma morte a cada 40 segundos. O número supera, inclusive, homicídios e guerras.

PREVENÇÃO

Diversos fatores podem impedir a detecção precoce e, consequentemente, a prevenção do suicídio. O estigma e o tabu relacionados ao assunto são aspectos importantes. Durante séculos, por razões religiosas, morais e culturais, o suicídio foi considerado um grande “pecado”, talvez o pior deles. Por esta razão, ainda existe o medo e a vergonha de se falar abertamente sobre esse problema com os amigos ou até mesmo com a família.

No Hospital de Urgência e Emergência (Huerb), existe uma equipe de profissionais que identifica os pacientes que dão entrada na unidade por tentativa ou indução ao suicídio. Internações e acompanhamento familiar fazem parte do atendimento. Durante o mês de setembro, ações e palestras foram realizadas em unidades de saúde para conscientizar profissionais e a sociedade sobre o tema. O núcleo funciona 24 horas por dia.

“O suicídio atualmente é considerado uma epidemia silenciosa. É como se fosse invisível, ainda por questões de tabu. Qualquer ameaça ou tentativa de suicídio deve ser levada a sério. Se for ignorada, uma vida pode ser perdida”, afirma a psicóloga Andreia Vilas Boas, atual coordenadora do Núcleo de Prevenção ao Suicídio. Ela mesmo atende e faz o acompanhamento de vários pacientes, e diz estar preocupada com os altos números.

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