Criança infarta na Fundhacre, Samu nega ambulância e médica paga Uber até o PS

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Denúncia feita com exclusividade ao Diário do Acre revela uma série de trapalhadas cometidas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), na última quinta-feira (13). A negligência dos servidores do órgão poderia ter, inclusive, custado a vida de uma criança que recebia atendimento na Fundação Hospitalar. Ela só não morreu porque a médica, a cardiopediatra Melissa Chaves Vieira, pagou do próprio bolso a corrida de Uber até o Pronto Socorro do Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb).

De acordo com relato feito por uma servidora da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), a criança estava com a mãe na Fundhacre e foi submetida a um ecocardiagrama. Através deste se identificou o princípio de infarto.  

A doutora Melissa então acionou o Samu, mas seu pedido de transporte até o Pronto Socorro foi recusado. Como a paciente começou a passar mal minutos depois, e a mãe não dispunha de meios para arcar com a condução, a médica se viu obrigada a chamar um Uber a bordo do qual encaminhou a vítima ao Huerb.

“A mãe da criança não tinha condições, a criança era cardíaca, estava infartando, não tinha condições nenhuma de [se fazer a] desfribilação na Fundação. A doutora mais do que depressa ligou pro Samu, e o Samu se recusou a ir buscar a criança”, sustenta a funcionária em um áudio que pode ser conferido ao final desta reportagem.

Através da narrativa é possível vislumbrar uma série de erros cometidos por servidores do Samu e nomeados para cargos de confiança na Sesacre. E se pode entrever também que os serviços de saúde, ao passo que não estão acessíveis a muitos acreanos que aguardam atendimento (em alguns casos até a morte), são facilitados a outros, graças às relações que mantêm com os poderosos de plantão.

‘Uma bomba’

O áudio enviado ao site começa com a notícia de um paciente encaminhado de Cruzeiro do Sul à Fundação Hospitalar depois de um acidente não especificado. Graças à amizade que ele mantém com a família Cameli, seu translado foi garantido pela empresa que presta serviços de transporte aéreo para o setor do TFD (Tratamento Fora de Domicílio).  

Acamado, e sob risco de ficar paraplégico, o paciente teria chegado à capital sob recomendações feitas pelo próprio governador Gladson. Uma delas era de que necessitava de uma cama especial que em Rio Branco só existe na Maternidade Bárbara Heliodora. O equipamento então foi removido de lá e levado à Fundação.

Na última quinta-feira, o paciente recebeu alta médica e seu regresso foi marcado para às 11h40, quando o chamado Aeromed pousaria no aeroporto da capital para levá-lo de volta ao Juruá.

Aconteceu, porém, que a turma de nomeados pelo governador na Sesacre esqueceu de avisar à direção do Samu, e quando uma ambulância foi solicitada, por volta das 11h, o motorista – que não sabia de quem se tratava – teria se recusado a buscar o protegido de Cameli para deixá-lo no aeroporto, sob a justificativa de que estava próximo ao horário de almoço.

“Quando descobriram quem era o paciente todo mundo ficou desesperado”, diz a denunciante, que em seguida avisa: “Vai ser uma bomba na segunda-feira. Uma bomba!”.

A reportagem editou o áudio para distorcer a voz da servidora, resguardando-a de possíveis retaliações – e também para preservar nomes de pessoas envolvidas nos episódios narrados por ela.  

Fonte: Diário do Acre

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