Após final de semana violento, número de mortes no Acre sobe para 27 em duas semanas de 2018

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“Um filme de terror sem fim”, é assim que uma moradora do bairro Recanto dos Buritis, no 2° Distrito de Rio Branco, descreve a sensação que é morar na periferia da capital acreana. Dona Maria, de 60 anos, chora ao contar que cuidava quando ainda era criança, do jovem Wesley Araújo, 18 anos, torturado e morto com três tiros no sábado (13), no Ramal do Mutum. O rapaz teria mudado de facção criminosa e por esse motivo acabou perdendo a vida. Araújo é apenas uma, das 27 pessoas assassinadas nessas duas primeiras semanas de 2018 no Acre.

“Quem diria, eu cuidei desse menino com 5 anos de idade. Eu ficava com ele e os irmãos dele pra mãe deles trabalhar, e agora estou vendo ele morto dentro de um caixão. Hoje em dia está ficando horrível né, nossos jovens se envolvem no crime e são mortos, toda manhã sai no jornal, menino de 15, 17, 20 anos, tudo já metido na criminalidade e sendo morto desse jeito. A gente só pode chorar mesmo, lamentar tudo isso”, disse a dona de casa.

O levantamento independente realizado pela Folha do Acre, tendo como base dados coletados junto ao Instituto Médico Legal (IML), aponta que do dia 8 ao dia 14 de janeiro pelo menos 14 homicídios foram registrados no estado. Desses, 10 ocorrem em bairros de Rio Branco e outros 4 nos municípios do interior. Ds vítimas, somente uma era do sexo feminino, sendo quase sua totalidade jovens homens entre 17 e 35 anos.

Crimes bárbaros que chocam a sociedade já estão se tornando comum, nesta última semana tivemos casos como o de Débora Bessa, 19 anos, esquartejada e enterrada numa cova rasa no bairro Caladinho. Ela gravou um vídeo anunciando que estava saindo do “Bonde dos 13”, e desapareceu na terça-feira (9), na tarde do sábado (13) seu cadáver foi encontrado por uma de suas irmãs. Um dia antes, um cadáver em estado avançado de decomposição foi achado aos fundos da Cidade do Povo.

A Polícia Civil, mesmo com dificuldade por falta de agentes e estrutura adequada, segue investigando os crimes, mas grande parte acaba sem ser solucionado. Dona Maria é pontual ao afirmar o que para ela é uma realidade que jamais poderá ser mudada. “Pode investigar, prende um dois, mas quem fica peso mesmo é a família. A família vai sentir essa dor para sempre. Justiça nesse nosso país não temos, por isso que digo, não adianta prender hoje e soltar amanhã, que ele vai sair de lá e vai matar outra vez”, disse ela com os olhos cheios de lágrimas.

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