Advogado preso por ser ‘pombo-correio’ do CV é acusado de armação contra diretor do Iapen

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O advogado Max Araújo, arrolado na Operação Tróia sob suspeita de servir de ‘pombo correio’ para a facção criminosa Comando Vermelho, foi denunciado na manhã de quinta-feira (18) por um agente, que quer ter a identidade preservada, como tendo sido o mentor da denúncia contra o diretor da Unidade Prisional Francisco de Oliveira Conde, Fagner Souza, que foi acusado de pressionar um dos reeducandos.

Segundo o agente, Max Araújo armou contra Fagner por vingança por que o diretor havia emitido relatório para a Vara de Execuções Penais e Ordem dos Advogados do Brasil dando conta que Max havia levado recado de um preso chamado “Bolinha”, que estava isolado no Antônio Amaro.

“Ele estava trazendo recado de um preso lá do Amaro, uma liderança que estava em isolamento e ele trouxe recado dele para os faxineiros da FOC e ele falou na cara dos agentes que estava levando recado do ‘Bolinha’. Foi feito relatório e depois disso começou as armações”, diz.

O agente diz ainda que o reeducando Marcos Vieira, que denunciou sofrer pressão do diretor da Unidade e ser espancado pela escolta, é cliente de Max Araújo e que, supostamente, teria agido instruido pelo advogado.

A denúncia feita pelo reeducando Marcos Vieira ocorreu através de uma carta encaminhada à juíza Luana Campos, titular da Vara de Execuções Penais, e se tornou de conhecimento público através de matérias jornalísticas divulgas no último dia 05 de julho.

Advogado diz que está sendo perseguido por agente de segurança pública. Confira a nota enviada por Max:

Primeiramente, estou na qualidade como Advogado e amparado pelos Textos e fundamentos constitucioinais e fico estarrecido e horrorizado com a perseguição desenfreada realizada em meu desfavor por agentes de segurança pública.

Faço por destacar que sempre desfrutei de efetuar e receber um tratamento cordial pelos Diretores anteriores que passaram pelas Administrações da Unidade Prisional Francisco D’ Oliveira Conde – FOC, de outras unidades e até mesmo do IAPEN.

Com relação ao Diretor do IAPEN Lucas Bolzoni, este sempre desempenhou um tratamento adequado a minha pessoa e eu sempre a pessoa dele. Nunca tivemos quaisquer problemas.

Com relação ao fato expresso é creditado que seja apenas uma tentativa de falseamento de fatos e de criação de argumentos de Defesa para alguém que está respondendo representações em diferentes setores.

Adiante ao tomar conhecimento de tal conteúdo relacionado a Denuncia nesta reportagem jornalística e ao relatório desenvolvido por Agentes Penitenciários e repassado de maneira indevida a este meio jornalístico, simplesmente tal conteúdo revela a configuração do Crime de Abuso de Autoridade, bem como de ilícitos Administrativoa diversos ocasionados pelos envolvidos, pois primeiramente está claro a ocorrência de violação do Sigilo Funcional, pois é dever do Agente Penitenciário fornecer local apropriado ao atendimento de Advogado em que se prime pelo Sigilo de sua comunicação com os seus clientes e não que seja em local aberto para terceiros escutarem os seus diálogos. Tal fato já será levado ao conhecimento da OAB para tomar as Medidas Judiciais cabíveis em Desfavor dos responsáveis por tamanha violação das Prerrogativas e possível cometimento do Crime de Abuso de Autoridade. Inclusive existe parecer da OAB repudiando atitudes semelhantes a esta que relatam supostas conversas entre Advogados e presos e são lançados em relatórios.

Agora sobre o conteúdo da Carta este Advogado já tomou medidas nas diferentes esferas em relação a conduta descrita em tal escrita dada publicidade na Imprensa em que consta a realização de torturas e ameaças de RDD efetuadas em desfavor do Reeducando Marcos Vieira de Andrade, bem como imputaçoes de práticas indevidas a terceiros, destacando que jamais teve a posse de tal documento, mas soube depois que chegou ao conhecimento de representantes institucionais da OAB e da Juíza da Vara de Execuções Penais.

Analisando o teor do Documento, bem como de outros que chegam ao conhecimento de outros Advogados e até mesmo relatos que a Juíza da Vara de Execuções penais relatou em diferentes seguimentos da Midia. Trata-se de condutas graves supostamente desempenhadas por Agentes que deveriam realizar seus trabalhos competentes. Destacando que Agente Penitenciário não possui função de desenvolver investigações de caráter policial.

É de imensa estranheza todos esses recentes fatos que mostram e revelam vazamentos de informações em procedimentos que estão situados em segredo de Justiça, ainda mais do vazamento da imagem de minha pessoa, assim, condutas estas que Denunciadas a terceiros se constitui em crime de violação do sigilo funcional.

O que está sendo apurado nas esferas Policiais para responsabilizar todos os individuos que participaram dessa Armação desempenhada em desfavor de minha pessoa.

Eu sou Advogado Criminalista e atuo livremente e sem efetuar quaisquer ações ilícitas em quaisquer esferas, assim, quanto ao reconhecimento de clientes, este reconheceu todos os seus clientes, com exceção de Maurício Andrei, pois este era meu cliente novo. Logo, é impossível um Advogado conhecer o seu pretenso cliente antes de efetuar o atendimento.

Portanto, a Denuncia apresentada a esta reportagem possui conteúdo de imputação criminosa e se constitui em mais um dos instrumentos desenvolvidos por um Grupo Criminoso que está desenvolvendo um conjunto de armações que objetivam prejudicar a minha pessoa e criminalizar a Advocacia Criminal.

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