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Pedro Longo, Fernanda e Tadeu Hassem decidem apoiar Alan Rick ao governo

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O tabuleiro da política acreana está se movimentando com velocidade nas últimas horas. De acordo com informações de uma fonte que será mantida em sigilo, o deputado Pedro Longo decidiu por se filiar ao PSDB e caminhar em apoio à pré-candidatura de Alan Rick.

Outro nome importante que decidiu por apoiar Alan Rick é a ex-prefeita de Brasiléia, Fernanda Hassem. Fernanda, de acordo com a fonte, estaria articulando sua filiação ao partido Novo para assim apoiar Alan Rick.

O irmão de Fernanda Hassem, o deputado estadual Tadeu Hassem, já integra o Republicanos e deverá manter apoio a Alan Rick, segundo orientação da direção estadual da sigla.

A motivação de Pedro Longo seria as insatisfações com o governo diante da preferência descarada por candidaturas como de Fábio Rueda para a Câmara Federal.

“Ele está obviamente chateado, pois sempre ‘deu a cara a tapa’ e agora onde chega os que se acham donos do governo querem entregar secretaria de porteira fechada para o Rueda”, frisou.

A reportagem não conseguiu resposta do deputado Pedro Longo confirmando ou negando a informação de que apoiará Alan Rick. O jornal Folha do Acre mantém espaço reservado para os devidos esclarecimentos por parte dos citados.

Zé Lopes questiona edital do transporte coletivo e aponta possível favorecimento à empresa Ricco

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Vereador Zé Lopes/Foto: Folha do Acre

Durante entrevista concedida nesta terça-feira (17), o vereador Zé Lopes levantou questionamentos sobre o edital do transporte coletivo de Rio Branco, apontando indícios de possível direcionamento à empresa Ricco Transportes, que atualmente opera o serviço na capital acreana.

Segundo o parlamentar, há inconsistências entre as exigências previstas no edital e a situação financeira da empresa. Zé Lopes destacou que um dos critérios para participação na licitação é a comprovação de solvência financeira por meio de balanços contábeis algo que, de acordo com ele, entraria em contradição com a realidade da Ricco.

“O proprietário da Ricco já disse que a empresa está operando no prejuízo. E o edital que foi lançado diz que a empresa só pode participar da licitação se demonstrar, nos seus balanços, que é solvente”, afirmou.

O vereador também relembrou episódios recentes envolvendo a empresa, como paralisações no serviço de transporte coletivo, incluindo ocorrências registradas no último fim de semana, quando motoristas cruzaram os braços em razão de atrasos salariais.

Além disso, Zé Lopes citou denúncias de trabalhadores que teriam sido demitidos e, posteriormente, constatado a ausência de depósitos do FGTS durante o período trabalhado.

Apesar das denúncias e dos problemas recorrentes, o parlamentar criticou a postura da Prefeitura de Rio Branco, afirmando que, até o momento, não houve qualquer medida mais rigorosa contra a empresa.

“A Ricco, nos últimos quatro anos, paralisou a prestação de serviço diversas vezes. Há relatos de trabalhadores demitidos que descobriram que o FGTS não havia sido depositado, mesmo assim, a prefeitura nunca declarou a empresa inidônea”, completou.

Frente com 22 sindicatos pressiona por RGA e reajuste de auxílios: ‘Não há impedimento para o cumprimento das pautas’

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Servidores ocupam prédio da Aleac/Foto: Kauã Esdras/Folha do Acre

Centenas de sindicalistas que compõem a Frente Sindical estiveram manhã de terça-feira (17) na Assembleia Legislativa do Acre protestando pela concessão dos benefícios acordados com o governo e que estão há 200 dias aguardando.

De acordo com um dos representantes da Frente Sindical, composta por 22 sindicatos, Luiz Fernando, as categorias estão há 200 dias aguardando que seja concedido a marjoração do auxílio-alimentação que eles querem que chegue a R$ 1 mil, auxílio-saúde em igual valor e a concessão da Revisão Geral Anual (RGA), a reposição inflacionária anual obrigatória dos salários dos servidores públicos, garantida pela Constituição, visando corrigir perdas do poder aquisitivo.

Servidores cobram resjuste de benefícios durante protesto na Aleac/Foto: Kauã Esdras/Folha do Acre

“Estas três pautas foram entregues à Secretaria de Governo há mais de 200 dias e seguimos aguardando. Não há qualquer tipo de impedimento legal para que seja concedido as três pautas, inclusive há previsão orçamentária para isto”, disse.

Entre os sindicatos que encabeçam a frente parlamentar está o Sindicato dos Trabalhadores em Saúde, que há muito tempo luta pela nova pactuação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários dos servidores.

Servidores cobram resjuste de benefícios durante protesto na Aleac/Foto: Kauã Esdras/Folha do Acre

“Assinem a merda dessa CPI do transporte”, diz Neném Almeida a vereadores na Câmara

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Vereador Neném Almeida/Foto: Folha do Acre

Durante a sessão desta terça-feira (17), na Câmara Municipal de Rio Branco, o vereador Neném Almeida (MDB) fez duras críticas aos colegas parlamentares ao cobrar a assinatura para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o transporte público na capital acreana.

Em seu discurso, o vereador demonstrou indignação com a demora na coleta das assinaturas necessárias. “Assinem a merda dessa CPI. Na hora de assinar essa CPI se escondem, escondem-se atrás do paletó, escondem-se atrás do prefeito. Falta só duas assinaturas”, declarou.

Neném Almeida também criticou a postura da Casa em outras decisões, citando que, em situações envolvendo repasses financeiros, os vereadores agiram com rapidez.

“Mas quando é pra mandar dinheiro pra Ricco, reuniram-se de madrugada. A culpa é nossa, a culpa é dessa Casa, a culpa é da nossa omissão”, afirmou.

O parlamentar ainda estabeleceu um prazo para que a CPI seja viabilizada. Segundo ele, os vereadores terão um mês para conseguir as duas assinaturas restantes. Caso contrário, ele pretende retirar seu nome do pedido.

“Eu vou dar um mês pra essa Casa conseguir essas duas assinaturas. Se daqui um mês não tiver mais duas assinaturas, eu vou retirar a minha, porque eu não vou ser ‘boi de piranha’ pra base ganhar cargos do prefeito”, concluiu.

 

 

Deracre vistoria preparativos para manutenção da pista de pouso de Marechal Thaumaturgo

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Pista do aeródromo de Marechal Thaumaturgo receberá serviços de manutenção. Foto: Gabriel Freire / Deracre

O governo do Acre, por meio do Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária (Deracre), realizou na quinta-feira, 12, vistoria nos preparativos para o início dos serviços de manutenção da pista de pouso do aeródromo de Marechal Thaumaturgo. As intervenções incluem nivelamento da pista, correção de pontos desgastados e recomposição da superfície de pouso.

A presidente do Deracre, Sula Ximenes, explicou que os serviços fazem parte das ações de manutenção realizadas pelo órgão para garantir melhores condições de operação nos aeródromos do estado. “Nosso objetivo é manter as pistas em condições seguras de uso, principalmente em municípios onde o transporte aéreo é fundamental para o deslocamento de pessoas, pacientes e insumos”, destacou.

Durante a execução dos serviços, são estabelecidas janelas operacionais por meio de NOTAM (Notice to Airmen), aviso oficial da aviação civil utilizado para informar pilotos e operadores sobre alterações temporárias nas condições de funcionamento dos aeródromos.

“Esses avisos são necessários para organizar as operações e garantir que as equipes consigam trabalhar com segurança na pista, ao mesmo tempo em que mantemos a comunicação com pilotos e companhias aéreas”, explicou a presidente.

No aeródromo de Marechal Thaumaturgo, os voos poderão ser realizados das 14h às 18h, entre 16 de março e 15 de maio. Fora desse horário, a pista permanecerá temporariamente fechada para operações regulares, a fim de permitir a execução dos serviços de manutenção.

Mesmo com as restrições operacionais temporárias, voos de emergência continuam autorizados a qualquer momento. Situações como transporte de pacientes, missões médicas, operações de segurança e resgates poderão utilizar o aeródromo independentemente do horário estabelecido.

“Os voos de emergência têm prioridade absoluta. O transporte de pacientes e as operações de saúde não podem esperar. Mesmo durante a manutenção, essas operações continuam acontecendo sempre que necessário”, reforçou Sula Ximenes.

Assessoria Deracre

Servidores públicos protestam na Aleac por reajuste e ampliação de benefícios

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Servidores ocupam prédio da Aleac/Foto: Kauã Esdras/Folha do Acre

Servidores públicos estaduais realizam um protesto na manhã desta terça-feira, 17, na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), em Rio Branco. A mobilização reúne trabalhadores de diferentes categorias que reivindicam melhorias salariais e a ampliação de benefícios.

O ato foi organizado por sindicatos que representam servidores das áreas de educação, saúde, segurança pública — incluindo policiais civis, militares e penais —, fazenda e administração direta. Os manifestantes cobram do governo estadual a abertura de diálogo para discutir a pauta de reivindicações.

Servidores ocupam prédio da Aleac/Foto: Kauã Esdras/Folha do Acre

Entre as principais demandas apresentadas está o aumento do auxílio-alimentação, atualmente fixado em R$ 420, para R$ 1.000. Os servidores também pedem a ampliação do auxílio-saúde, hoje concedido apenas a profissionais da área da saúde, para todo o funcionalismo público estadual, incluindo servidores ativos e aposentados.

Outro ponto defendido pelas categorias é a concessão de reajuste linear por meio da Revisão Geral Anual (RGA), com reposição estimada em cerca de 20%.

Servidores ocupam prédio da Aleac/Foto: Kauã Esdras/Folha do Acre

O presidente da Associação dos Militares do Acre, sargento Jean Messias, afirmou que o movimento busca diálogo com o governo e reconhecimento das demandas das categorias.

“Foram 8 anos de governo Gladson e oito anos de enrolação e nós levamos várias pautas e alternativas para que o governo nos valorizasse, mas infelizmente até hoje, essa valorização que ele tanto diz que fez, não chegou para todos os servidores. Então, estamos aqui unidos em busca dessa valorização”, declarou.

Servidores ocupam prédio da Aleac/Foto: Kauã Esdras/Folha do Acre

Os manifestantes permanecem concentrados no prédio do Legislativo estadual durante a mobilização.

Servidores ocupam prédio da Aleac/Foto: Kauã Esdras/Folha do Acre

Rio Branco cria comissão para revisar plano de carreira dos servidores da educação municipal

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A Prefeitura de Rio Branco instituiu, por meio do Decreto nº 485, publicado na edição do Diário Oficial do Estado (DOE) desta terça-feira, 17, uma Comissão Paritária responsável por revisar e apresentar propostas de alteração na Lei nº 35/2017, que trata do Plano de Cargos, Carreira e Remuneração dos servidores da educação pública municipal. A medida foi assinada pelo prefeito Tião Bocalom.

A iniciativa tem como objetivo analisar a legislação vigente e elaborar sugestões de atualização do plano de carreira dos profissionais da rede municipal de ensino.

A comissão será composta por representantes da Secretaria Municipal de Educação, de órgãos públicos, sindicatos e conselhos municipais. Entre os integrantes estão membros de setores como Ensino Fundamental, Educação Infantil, Educação Especial e Rede Escolar, além de representantes do Conselho Municipal de Educação, de sindicatos que representam professores e técnicos administrativos e da Procuradoria Geral do Município.

A coordenação dos trabalhos ficará sob responsabilidade do presidente da comissão, indicado pela Secretaria Municipal de Educação.

De acordo com o decreto, a participação dos integrantes ocorrerá sem prejuízo das funções exercidas em seus cargos e sem pagamento de remuneração adicional.

A comissão terá prazo de 30 dias, a partir da publicação do decreto, para concluir os estudos e apresentar um relatório final com a minuta de proposta de alteração da lei. O documento será encaminhado ao Secretário Municipal de Educação, que deverá submetê-lo à análise do prefeito.

O prazo para conclusão dos trabalhos poderá ser prorrogado por igual período, caso haja justificativa apresentada pela comissão.

Vereadores recebem motociclistas por aplicativos e garantem ajustes em PL de regulamentação

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Na manhã desta terça-feira (17), motociclistas de aplicativos realizaram uma manifestação pacífica em frente à Câmara Municipal de Rio Branco. O ato foi motivado pela aprovação de um Projeto de Lei (PL) que trata da regulamentação do transporte por aplicativo no município.

Durante a mobilização, uma comissão de representantes da categoria foi recebida por vereadores para um diálogo direto sobre as demandas dos trabalhadores. A reunião marcou um avanço nas negociações, já que os parlamentares demonstraram abertura para ouvir as reivindicações apresentadas.

Segundo os vereadores, houve consenso em relação à necessidade de ajustes no texto do projeto. Eles garantiram que irão atender aos principais pontos levantados pela categoria e se comprometeram a apresentar uma emenda para corrigir trechos da proposta que geraram insatisfação entre os profissionais.

Cidade do Povo: do refúgio das enchentes ao medo da violência

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Após perder a casa onde morava com a mãe no bairro Taquari durante a grande enchente de 2015, M.J., que prefere não se identificar, encontrou na Cidade do Povo a oportunidade de recomeçar. Naquele ano, o Rio Acre atingiu a marca histórica de 18,40 metros, a maior registrada, segundo a Defesa Civil do Acre. A água cobriu completamente a residência da família, destruindo grande parte dos pertences.

Sem reposição dos bens perdidos, a família foi incluída no cadastro de programas habitacionais do governo, assim como outros moradores das áreas atingidas pela cheia. No entanto, passados 11 anos da inauguração do bairro, M.J. afirma que parte dos residentes da Cidade do Povo convivem atualmente com outro tipo de preocupação: a segurança.

“Existem regras aqui dentro: se você não mexer com ninguém, ninguém mexe com você. Acaba que temos que aprender a lidar com isso no dia a dia, com essa insegurança”, afirma.

Lixo e entulhos acumulados no bairro Taquari após a enchente de 2015 em Rio Branco. Foto: Aline Nascimento.

O que para muitas famílias que vivem em áreas consideradas de risco parecia representar um novo começo, com o passar dos anos passou a ser visto por parte da população como última alternativa. M.J. afirma que, apesar de morar no bairro e não ter planos de sair, a Cidade do Povo ainda enfrenta desafios relacionados também à infraestrutura e à localização.

“Apesar de ter saído do Taquari por conta da cheia, ainda assim tem vezes que chove muito aqui e também alaga. Sem contar a distância. Aqui é muito longe de tudo, principalmente se não tiver transporte”, relata.

Dados do Ministério Público do Acre (MPAC), divulgados no último Anuário de Indicadores de Violência, mostram que a Cidade do Povo aparece entre os bairros com maior incidência de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) em Rio Branco entre os anos de 2021 e 2024.

Vista aérea do bairro Cidade do Povo, em Rio Branco. Imagem: Google Earth.

Segundo o levantamento, em 2021 foram registrados cinco casos no bairro, o que corresponde a 8,6% do total de ocorrências. Em 2022, o número se manteve em cinco registros, representando 11,9%. Já em 2023 houve aumento significativo, com 13 casos, correspondendo a 21% das ocorrências. Em 2024, o número caiu para seis casos, equivalente a 12% do total.

Um caso recente de violência reforçou a preocupação de moradores com a segurança no bairro. Na noite da última quinta-feira, 12, dois trabalhadores da construção civil foram sequestrados e executados em uma área de mata próxima à rua Geraldo Leite, no bairro Cidade do Povo.

O crime repercutiu nas redes sociais e gerou comoção entre moradores e internautas. Em uma publicação sobre o caso no Instagram do portal de notícias ContilNet, diversos comentários expressaram indignação e preocupação com a situação de segurança na região. Entre as manifestações, internautas criticaram a falta de políticas públicas eficazes para enfrentar a criminalidade.

Remoção dos corpos das vítimas pelo Instituto Médico Legal (IML), após o crime registrado na Cidade do Povo/Foto: Reprodução

Comentários como “Esse povoado deveria ser extinto”, “E o governo construindo casa num lugar desse”, “Cidade do Povo foi criada para isolar a criminalidade, no entanto a segurança pública não deu conta” e “Daqui a pouco ninguém nem vai querer entrar nesse bairro” ilustram a percepção de parte da população diante da violência registrada na região. O episódio reforça o debate sobre os desafios enfrentados pela Cidade do Povo.

Um bairro que nasceu da esperança

Planejada inicialmente com o lema “um recomeço com dignidade”, o bairro Cidade do Povo foi criado em 2014 por meio do programa Pró-Moradia do Governo Federal brasileiro, que busca financiar projetos habitacionais voltados para famílias de baixa renda e garantir melhor qualidade de vida a moradores de áreas de risco, principalmente aqueles afetados pelas enchentes que atingem a capital acreana. Com mais de 4 mil casas, a Cidade do Povo abriga atualmente mais de 15 mil moradores.

Apesar disso, o cenário revela uma realidade mais complexa, o que tem influenciado também a adesão dessas famílias vulneráveis ao programa. Fazendo com que algumas pessoas prefiram permanecer em áreas consideradas de risco.

Kessya Patrícia, que vive no bairro Cadeia Velha há 21 anos, não pensa em deixar a região, apesar das cheias recorrentes. “O bairro é atingido pela enchente, e durante a cheia a gente precisa sair de casa. Nossa casa só foi invadida pela água uma vez, mas a rua alaga e fica impossível sair para trabalhar ou estudar”, explica.

Para ela, apesar de ter direito ao benefício, a permanência no bairro, além de ter relação direta com a família, que vive próxima a casa, é um local bem localizado e seguro. “Mesmo com os riscos, nosso bairro é bem assistido e tem seus prós e contras”, conclui.

Casas da Cidade do Povo, entregues em 2014. Foto: Secretaria de Habitação do Acre (Sehab)

Reassentamento habitacional

As pessoas atingidas pelas enchentes estão entre os principais públicos da política chamada de reassentamento habitacional. Segundo o coordenador de Gestão de Riscos e Desastres da Defesa Civil do Acre, Pedro Henrique Corrêa, retirar famílias de áreas vulneráveis é uma estratégia importante dentro das ações de adaptação às mudanças climáticas.

“Quando falamos de reassentamento habitacional como política de adaptação a enchentes como as do Rio Acre, uma das medidas é exatamente remover o risco, ou seja, retirar as pessoas de áreas vulneráveis. No entanto, essa medida sozinha não é suficiente como política de adaptação climática, porque existem muitas outras variáveis envolvidas”, afirma.

Ele também aponta que há relação entre o aumento desses episódios e as mudanças climáticas, que têm intensificado fenômenos naturais extremos. “As mudanças climáticas têm feito com que os fenômenos sejam cada vez maiores e mais prejudiciais. Desde 2019, todos os anos, Rio Branco tem registrado uma ou mais enchentes. Em 2025, por exemplo, tivemos três transbordamentos do rio”, explica.

Outro ponto destacado é que áreas consideradas seguras atualmente podem se tornar vulneráveis no futuro, dependendo das transformações ambientais ou urbanas. Segundo ele, há um plano governamental integrado para retirar populações dessas áreas mais vulneráveis.

“Existe um planejamento envolvendo governo federal, estadual e municipal por meio de projetos habitacionais. Nessas iniciativas, as populações que vivem em áreas vulneráveis costumam ter prioridade”, acrescenta.

Enchente do Rio Acre em 2026. Foto: Dayane Leite

Espaços de vulnerabilidade

Para o cientista social e professor da Universidade Federal do Acre (Ufac), Nilson Euclides, o fenômeno envolvendo projetos habitacionais e criminalidade não é exclusivo do local, muito menos do Acre. “O aumento da criminalidade está ligado a transformações sociais, econômicas e tecnológicas que o estado não acompanhou. É um fenômeno complexo, que se reproduz por décadas, e envolve desde políticas equivocadas de segurança pública até o crescimento das organizações criminosas”, explica.

Segundo ele, a forma como bairros planejados como a Cidade do Povo foram ocupados, afastados de centros urbanos, com infraestrutura inicial custosa e serviços públicos pouco mantidos, contribui para criar “espaços de vulnerabilidade”, onde jovens e famílias muitas vezes encontram poucas oportunidades de educação, emprego e lazer. É nesse vazio que grupos organizados se instalam, controlando territórios e impondo medo.

“Não se trata apenas de criminalidade. É a sociedade que, por desigualdade e abandono, oferece terreno fértil para essas atividades. O crime organizado preenche lacunas que o estado deixou, do acesso à justiça à presença da polícia, passando por educação e assistência social”, acrescenta Euclides.

Para ele, políticas públicas que priorizem a manutenção de serviços, o engajamento comunitário e a integração urbana poderiam reduzir esses riscos. “Investir apenas em repressão é combater o efeito, não a causa. É preciso desenvolver projetos que envolvam a comunidade, escolas, saúde, segurança e o próprio espaço público. Um bairro planejado que não garante cidadania, acaba virando território de disputa”, resume.

A busca por segurança

Diante desse cenário, órgãos de segurança pública têm buscado ampliar estratégias de combate à atuação de organizações criminosas no estado. Uma das iniciativas recentes é a criação de um canal específico para recebimento de denúncias da população.

O canal Investigador Cidadão foi lançado pelo Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) em 2025, voltado ao enfrentamento de organizações criminosas que atuam no estado. A ferramenta permite que moradores enviem informações anônimas que possam auxiliar investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) ou por outros órgãos de segurança pública.

Por meio do canal, é possível encaminhar textos, vídeos e áudios, além de realizar denúncias de forma anônima pelo WhatsApp, (68) 99993-2414. Segundo o site do MPAC, o objetivo da iniciativa é incentivar a participação da população no combate ao crime organizado e ampliar a rede de informações que auxiliam as investigações.

Entre os tipos de denúncias que podem ser feitas estão a identificação de membros de organizações criminosas, informações sobre lideranças e hierarquias dentro das facções, além da localização de foragidos da Justiça.

O canal também recebe relatos sobre torturas aplicadas por integrantes de grupos criminosos, bem como denúncias de crimes como homicídios, tráfico de drogas, sequestros, roubos e extorsão de comerciantes.

Casas erguidas, esperança em construção

Entre enchentes que forçam partidas, políticas públicas que tentam oferecer novos caminhos e desafios que persistem no cotidiano, a história da Cidade do Povo revela uma realidade marcada por contradições: o bairro que nasceu como símbolo de recomeço também convive com dificuldades estruturais, distância e preocupações com a segurança.

Ainda assim, para muitas famílias que perderam tudo nas águas do Rio Acre, o lugar representou a possibilidade concreta de reconstruir a vida pouco a pouco. M.J., que viu a antiga casa desaparecer sob a cheia de 2015, reafirma que permanecer ali é também um exercício de esperança.

“A gente perdeu muita coisa naquela enchente, mas aqui pelo menos tivemos a chance de começar de novo. A esperança da gente é que, com o tempo, o bairro também melhore e vire de verdade o lugar seguro que prometeram pra gente”.

Assim como o rio que um dia levou sua casa, a esperança também segue correndo em meio a insegurança da Cidade do Povo.

A equipe do A Catraia entrou em contato com o Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) para saber como o órgão avalia os índices de violência registrados na Cidade do Povo. No entanto, até o fechamento desta matéria, não houve retorno. O espaço permanece aberto para eventuais manifestações.

Fonte: Por Diogo José e Vitória Messias, para o jornal A Catraia

Um abraço invisível: a importância da doação de plaquetas por aférese

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Com validade de apenas cinco dias, as plaquetas exigem reposição constante para garantir o tratamento de pacientes

Devido ao estado crítico do estoque do Hemocentro, o Centro de Hematologia e Hemoterapia do Estado do Acre (Hemoacre) está em busca de novos doadores voluntários de plaquetas por aférese. A mobilização ocorre durante todo o ano e tem como finalidade ajudar pacientes em tratamentos oncológicos e emergenciais que dependem desse componente, cuja validade é de apenas cinco dias, necessitando de reposição constante para garantir a continuidade dos tratamentos.

Gerente do setor de Captação de Doadores do Hemoracre, Quésia Nogueira, destaca que a doação de plaquetas por aférese é essencial. Segundo ela, uma única bolsa coletada pode equivaler a seis ou sete doações de sangue total, permitindo que o paciente receba plaquetas de apenas um doador, reduzindo riscos transfusionais e garantindo maior qualidade e segurança.

Quésia Nogueira, Gerente do setor de Captação de Doadores do Hemoacre/Foto: Larissa Paiva

De acordo com a profissional, para se tornar doador é necessário possuir boa relação entre peso e altura, acesso venoso adequado e disponibilidade de tempo, já que o procedimento dura cerca de 60 minutos. Ela ressalta ainda a importância do comprometimento com o agendamento, pois cada coleta costuma ser destinada a um paciente específico.

Quésia explica que o incentivo à doação de plaquetas começa, geralmente, pela doação de sangue total, momento em que o voluntário conhece o serviço, perde o medo do procedimento e realiza seus primeiros exames. Campanhas informativas, divulgação nos meios de comunicação e o compartilhamento de experiências entre os próprios doadores são estratégias fundamentais para ampliar o número de voluntários. De acordo com ela, a informação acessível e o contato direto entre profissionais e população são essenciais para despertar o interesse e fortalecer a cultura da doação regular.

Enfermeira formada pela Universidade Federal do Acre com Pós Graduação em Clínica Transfusional, Elba Luiza é a profissional referência no Hemocentro do Acre quando o assunto é “plaquetaférese”. “As plaquetas são o hemocomponente responsável pela coagulação sanguínea. Esse tipo de doação é completamente segura. Com o uso de kits descartáveis são realizadas duas etapas: extração e retorno – A máquina fará todo o procedimento sozinha”, explica.

Enfermeira Elba Luiza de Souza Oliveira, especialista em Clínica Transfusional. Foto: Larissa Paiva

Em consideração à baixa procura ou falta de conhecimento por parte da população, Elba alerta: “Estamos com o estoque do Hemocentro em estado crítico. As plaquetas têm uma vida de cinco dias úteis, por isso precisamos de comprometimento dos doadores. Pedimos que o voluntário venha realizar a doação sem pressa, pois essa é uma doação especial de suma importância para tratamento em pacientes oncológicos”.

Motivações para doar plaquetas

Josué Azevedo, técnico em análises clínicas e doador de plaquetas por aférese há dois anos, conta que conheceu o procedimento por meio do trabalho na área da saúde. Segundo ele, apesar da doação durar um pouco mais que a convencional, a experiência é tranquila e segura. “Saber que uma única doação pode ajudar várias pessoas é o que me motiva a continuar”, ressalta.

O arquiteto Ille Derze é doador de sangue há três anos e decidiu aumentar sua contribuição e se tornar um doador de plaquetas após ser convidado pelos profissionais do Hemocentro. Segundo ele, a principal motivação é ajudar pacientes em tratamento contra o câncer. “Eu já doava sangue há muitos anos. Quando me explicaram que as plaquetas são muito usadas no tratamento de crianças com câncer, isso mexeu muito comigo”, relata.

O doador realiza o procedimento sempre que é convocado pelo Hemocentro. Com o tempo, a experiência também mudou sua postura sobre o tema. Ele passou a incentivar familiares e amigos a se tornarem doadores. “Eu virei um testemunho de doador. Fico convidando todo mundo. Já trouxe vários amigos”, conta.

Thatyane Nobre enfrentou o linfoma de Hodgkin e recebeu transfusões durante o tratamento. Hoje, incentiva a doação de sangue e plaquetas. Foto: arquivo pessoal

Thatyane Nobre descobriu o linfoma de Hodgkin durante a gestação e precisou iniciar imediatamente o tratamento contra o câncer. Durante esse período, recebeu diversas transfusões de sangue e plaquetas.

“Cada bolsa que eu recebi era como um abraço invisível de pessoas que eu nem conhecia. Foram esses doadores que me mantiveram de pé”, relata. Ela, que já foi doadora, passou a ser receptora e hoje reforça a importância de manter os estoques abastecidos. “A gente nunca sabe o dia de amanhã. Uma bolsa de sangue pode salvar até quatro vidas”, finaliza.

Por Alessandra Akemi, Ana Rita Balbino, Gilliane Silva, José Victor Albuquerque, Larissa Rodrigues e Maria Naiara Santos, para o jornal laboratório da Ufac, A Catraia