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PEC do Arrendamento divide Senado e povos indígenas em audiência pública

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Proposta que altera o artigo 231 da Constituição abre debate sobre autonomia produtiva e risco de arrendamento das terras indígenas; no Acre, comunidades avaliam impactos diretos na economia e na preservação ambiental

Em uma audiência pública marcada por tensão e divergências, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado discutiu, na última quarta-feira (3/12), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 10/2024. O texto, de autoria do senador Zequinha Marinho (Podemos-PA) e apoiado por dezenas de parlamentares, entre eles os senadores Alan Rick (Republicanos) e Márcio Bittar (PL), pretende modificar o artigo 231 da Constituição Federal (CF) para permitir que povos indígenas produzam e comercializem livremente sua produção, com a obrigação da União de prestar assistência técnica.

A proposta mexe em um dos pilares do usufruto exclusivo das terras indígenas. Atualmente, a Carta Magna garante que essas áreas são inalienáveis e indisponíveis, cabendo apenas às comunidades decidir como utilizá-las. A PEC, ao introduzir termos como “arrendamento” e “parcerias”, abre espaço para que terceiros explorem economicamente os territórios, o que, segundo críticos, ameaça a autonomia e a proteção conquistadas há quase quatro décadas.

De um lado, defensores da emenda afirmam que ela representa uma oportunidade de modernização e independência financeira para os povos originários. De outro, organizações indígenas e socioambientais denunciam que o texto esconde interesses externos e pode fragilizar direitos fundamentais.

Passo a passo

A sessão foi conduzida pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE), com a participação de lideranças, representantes de entidades e especialistas.

Luís Ventura Fernández, do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), abriu os trabalhos destacando que a PEC desconfigura o núcleo dos direitos indígenas, ao permitir arrendamento e contratos com terceiros.

Silvia Waiãpi, ex-deputada federal, defendeu a proposta, argumentando que comunidades devem ter liberdade para adotar técnicas modernas e alcançar autonomia econômica, sem depender de repasses governamentais.

Kleber Karipuna, da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), classificou a PEC como inconstitucional e perigosa, por abrir brechas que fragilizam cláusulas pétreas da Constituição.

José Lucas Duarte, cacique da etnia Tukano, no Amazonas, apoiou parcialmente a medida, mas rejeitou o arrendamento. Para ele, indígenas precisam celebrar parcerias e contratos para garantir autossuficiência.

Márcio Santilli, presidente do Instituto Socioambiental (ISA), foi categórico: o arrendamento é inviável constitucionalmente. Ele apresentou dados que comprovam a cultura de produção e comercialização, sem necessidade de alterar a CF.

Argumentos contrários

Os opositores insistem que não há impedimento legal para que indígenas produzam e vendam seus produtos. O que falta, segundo eles, é demarcação e proteção efetiva das terras, além de políticas públicas consistentes. Santilli trouxe números que reforçam essa visão. Em 2023, o IBGE registrou R$ 17 bilhões em produtos extrativistas, enquanto a plataforma Origens Brasil movimentou R$ 21,2 milhões em 28 terras indígenas.

Além disso, iniciativas como turismo comunitário, apicultura, produção de mel, castanha e café especial já geram renda significativa. Para críticos, a proposta ignora essa realidade e tenta abrir caminho para interesses externos, colocando em risco a integridade cultural e ambiental dos territórios.

Argumentos favoráveis

Os defensores da proposta, como Silvia Waiãpi e parte das lideranças presentes, sustentam que a PEC garante autonomia produtiva e permite que indígenas avancem em áreas como agricultura e pecuária, sem depender exclusivamente de programas governamentais. Eles citam exemplos de comunidades que já utilizam técnicas modernas e buscam ampliar sua produção para alcançar independência financeira.

Recorte do Acre

No estado, a discussão ganha contornos particulares. Os senadores Alan Rick e Márcio Bittar, co-autores da PEC, defendem que a medida pode impulsionar a economia indígena local, especialmente em regiões como o Vale do Juruá e o Alto Rio Purus.
Entretanto, lideranças dos povos Ashaninka e Huni Kuin, como Francisco Piyãko e representantes da Federação do Povo Huni Kuin, já se manifestaram em entrevistas e atos públicos contra essas mudanças constitucionais que fragilizam direitos. Eles defendem que seus povos já produzem e comercializam de acordo com seus modos de vida e que o problema não é a falta de autorização, mas sim a ausência de políticas públicas e de proteção territorial.

Pano de fundo político

O debate ocorre em um momento em que o Brasil é pressionado internacionalmente por compromissos ambientais, especialmente após a COP 30. Alterar o artigo 231, considerado cláusula pétrea por juristas e pelo Supremo Tribunal Federal (STF), pode gerar repercussões externas e internas, colocando em xeque a credibilidade do país na defesa dos direitos humanos e da preservação da Amazônia.

Próximos passos

A PEC 10/2024 ainda está em fase inicial de tramitação. Após a audiência pública, os próximos passos envolvem:

CCJ: elaboração de relatório e votação interna.

Plenário do Senado: caso aprovada na comissão, será votada em dois turnos, exigindo apoio de três quintos dos senadores (49 votos).

Câmara dos Deputados: se passar no Senado, segue para dois turnos na Câmara, também com quórum qualificado.
Promulgação: se aprovada nas duas Casas, não vai à sanção presidencial. É promulgada diretamente pelo Congresso e passa a integrar a Constituição.

BR-364 é liberada após protesto de moradores do Santa Cecília por melhorias no bairro

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A BR-364 foi desbloqueada na manhã desta quinta-feira, 4, após o encerramento do protesto realizado por moradores do bairro Santa Cecília, no segundo distrito de Rio Branco. A informação foi confirmada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), que acompanhou toda a mobilização.

O ato, iniciado nas primeiras horas da manhã, bloqueou o quilômetro 5 da rodovia, no sentido Porto Velho, próximo ao posto da PRF. Durante o protesto, os moradores solicitaram a presença de um representante da Prefeitura de Rio Branco para dialogar sobre as demandas da comunidade.

Entre as reivindicações estavam melhorias na infraestrutura do bairro, ajustes no transporte coletivo e o reforço do efetivo na unidade de saúde local.

O fluxo de veículos foi restabelecido e segue normalizado nos dois sentidos, após o encerramento das manifestações.

Adailton Cruz se destaca como o parlamentar mais produtivo da ALEAC pelo terceiro ano consecutivo

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O deputado estadual Adailton Cruz aparece, mais uma vez, como o parlamentar mais produtivo da Assembleia Legislativa do Estado do Acre (Aleac), conforme dados preliminares de balanço de seu mandato. Pelo terceiro ano consecutivo, seu trabalho ocupa o topo do ranking interno da Casa, reacendendo o debate sobre o impacto da produtividade legislativa na vida cotidiana da população acreana.

Volume de indicações ultrapassa 900 demandas

De acordo com as informações divulgadas, Cruz já contabiliza mais de 900 indicações, número que ainda pode aumentar até o fim das atividades legislativas. As indicações são solicitações encaminhadas ao Governo do Estado para atender demandas identificadas em bairros urbanos, comunidades rurais e setores públicos. Parte dessas solicitações já resultou em obras e serviços implementados, enquanto outras seguem em análise ou execução.

Atuação por meio de requerimentos

O parlamentar também foi autor de 68 requerimentos, documentos oficiais utilizados para solicitar informações, cobrar providências do poder público e levar ao debate temas considerados urgentes pela população. Por meio desses instrumentos, ele destaca pautas relevantes para a sociedade acreana, reforçando a prática de escutar as comunidades, identificar necessidades reais e buscar soluções que possam transformar o futuro do Estado.

Produção legislativa: 117 projetos de lei apresentados

Na produção legislativa, o deputado soma 117 projetos de lei apresentados e 42 já sancionados, números que seguem em constante atualização. As propostas abrangem áreas como saúde, educação, proteção social e geração de emprego.

Entre as legislações aprovadas estão:

  • a criação da Semana Escolar de Avaliação em Saúde para alunos do 1º ano do ensino médio;
  • o Programa Meu Primeiro Emprego, voltado à inserção de jovens no mercado de trabalho;
  • a Lei de Segurança e Proteção aos Profissionais de Saúde, que estabelece medidas protetivas contra a violência na área;
  • além de normativas dedicadas à prevenção da violência contra mulheres e idosos.

Atuação orçamentária e medidas inéditas

Outro ponto de destaque é a atuação orçamentária do mandato. O parlamentar foi autor da iniciativa que garantiu, pela primeira vez na história, o pagamento da emenda de R$ 30 milhões à Lei Orçamentária Anual, assegurando R$ 1.400 líquidos a cada servidor da saúde estadual.

O deputado também levou esse compromisso aos municípios, destinando R$ 500 mil ao Hospital Regional do Juruá, recurso que permitiu o pagamento inédito de R$ 800 líquidos a cada trabalhador, como verba indenizatória voltada à qualificação profissional. Além disso, destinou emendas individuais que fortaleceram diferentes áreas do serviço público, incluindo saúde, assistência social e esporte.

Resultados como medida de produtividade

Para Adailton Cruz, produtividade não se resume ao volume de proposições apresentadas, mas aos resultados efetivos que chegam à população. Segundo ele, cada ação é planejada para responder a demandas reais e contribuir para um Acre mais estruturado, eficiente e socialmente protegido.

Perspectiva para o encerramento de 2025

Com números que seguem em evolução até o encerramento dos trabalhos legislativos de 2025, o deputado deve concluir o ano com mais um ciclo de entregas expressivas, consolidando-se como um dos parlamentares mais atuantes e próximos da sociedade acreana.

Polícia prende 12 membros do CV que extorquiam comerciantes em Rio Branco

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Delegado revela como facção se espalha pela cidade e mantém conexões nacionais

A Polícia Civil do Acre prendeu 12 homens ligados ao Comando Vermelho (CV), durante a execução da quarta etapa de uma série de operações batizadas de “Desmonte”. Nesta quinta-feira (4/12), os agentes de segurança cumpriram 11 detenções em Rio Branco e uma em Várzea Grande (MT), com apoio da Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso.

“Dentre os presos, um é liderança regional e os demais são pessoas que fazem a roda da facção girar”, afirmou o delegado Gustavo Henrique da Silva Neves, responsável pela investigação.

Segundo a polícia, os alvos foram identificados após a prisão de um chefe regional em 2024. A partir desse caso, os investigadores conseguiram mapear outros crimes relacionados à disputa por território, tráfico de drogas e extorsão de comerciantes.

“Eles pediam dinheiro em troca de uma suposta proteção, mas na prática era para que eles mesmos não furtassem os comércios”, explicou o delegado.

“Eles pediam dinheiro em troca de uma suposta proteção, mas na prática era para que eles mesmos não furtassem os comércios”, explicou o delegado/Foto: Folha do Acre

As prisões ocorreram em diferentes pontos da capital acreana, como Tropical, Placas, Segundo Distrito, Centro e Wilson Ribeiro. O objetivo, segundo a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), é enfraquecer a capacidade de articulação da facção, que mantém influência em várias regiões da cidade.

“Esses grupos atuam sempre da mesma forma, em diversos bairros, e por isso a gente precisa de ações constantes”, disse Gustavo.

A ofensiva desta semana faz parte de uma estratégia iniciada três meses atrás. Em setembro, a primeira fase cumpriu mandados de captura e busca em Rio Branco e Bujari, atingindo a base da facção. Em outubro, a etapa seguinte levou à detenção de integrantes que já estavam no sistema prisional e evitou a soltura de outros investigados. Já em dezembro, a terceira ação mirou lideranças regionais, com apreensão de suspeitos em Rio Branco, Bujari e Goiânia (GO).

“Apesar de ter surgido no Rio de Janeiro, o Comando Vermelho já está presente em quase todos os estados. O Acre não fica de fora”, disse o delegado, ao destacar que a facção mantém conexões nacionais, como mostram as prisões em Goiás e Mato Grosso.

A Polícia Civil afirma que não há indícios imediatos de retaliação, mas não descarta riscos. Para os investigadores, a continuidade das operações é fundamental para reduzir a violência e afirmar a presença do Estado.

“Não gosto da expressão ‘enxugar gelo’. O que fazemos é mostrar que o Estado está presente e que a segurança precisa ser garantida todos os dias”, concluiu o delegado.

Mailza anuncia mais de mil vagas de empregos no 1º Feirão do Emprego em parceria com instituições

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A vice-governadora do Acre e secretária de Assistência Social e Direitos Humanos (SASDH), Mailza Assis, visitou nesta quinta-feira, 4, o Museu dos Povos Acreanos, em Rio Branco, onde será realizado o primeiro Feirão do Emprego e da Empregabilidade. O evento, marcado para esta sexta-feira, 5, e sábado, 6, reunirá serviços públicos, empresas e instituições parceiras com a expectativa de ofertar cerca de mil vagas de trabalho para a população acreana.

Durante a visita, Mailza destacou que o feirão é fruto de uma articulação entre o Governo do Estado, o Ministério do Trabalho e o setor produtivo, com o objetivo de ampliar as oportunidades de contratação e fortalecer o mercado de trabalho local. Segundo ela, o Acre já apresenta avanços significativos na geração de empregos e a iniciativa surge como uma estratégia para acelerar ainda mais esse crescimento. “O Feirão do Emprego nasceu nesse pensamento de unir nossas forças com a parceria do Ministério do Trabalho e governo com as empresas e todos os serviços relacionados com esse tema. Nosso Estado, graças a Deus, já teve um crescimento, já mudamos níveis positivos na geração de emprego e esse é para fortalecer ainda mais”, afirmou.

Vice-governadora Mailza Assis reforçou a importância do evento. Foto: Clemerson Ribeiro/Secom

A vice-governadora ressaltou que o evento tem potencial para empregar até mil pessoas diretamente, oferecendo uma chance especialmente para quem busca recolocação profissional neste fim de ano. “É possível que a gente consiga empregar essas mil pessoas, dar essa oportunidade a quem aguarda há tanto tempo, especialmente quem espera conquistar o emprego nesse final de ano”, disse.

O feirão reunirá diversos serviços voltados ao trabalhador. O Ministério do Trabalho prestará atendimentos específicos, enquanto o Sine atuará em parceria com a Secretaria de Indústria, Ciência e Tecnologia (Seict). A Secretaria de Turismo e Empreendedorismo (Sete) fará o cadastro de artesãos interessados em expor seus produtos, e a SASDH oferecerá serviços como emissão de registro civil, orientação sobre o programa Bolsa Família e encaminhamento direto para vagas compatíveis. Também estarão presentes SENAI, SENAC e SEBRAE, responsáveis por orientar empresas e candidatos, além de auxiliar na elaboração de currículos, revisões, dicas para entrevistas e testes vocacionais. A ACISA será parceira no atendimento sobre SPC e Serasa.

Mailza enfatizou ainda a importância da participação das lideranças comunitárias, responsáveis por mobilizar moradores dos bairros e ampliar o alcance da iniciativa. Ela convidou a população a participar do feirão, reforçando que se trata de uma oportunidade concreta para fortalecer famílias que dependem de uma nova chance no mercado de trabalho.

O Feirão do Emprego e da Empregabilidade é gratuito, aberto ao público e funcionará das 8h às 17h, no Museu dos Povos Acreanos, localizado na Avenida Epaminondas Jácome, nº 2700, no centro de Rio Branco. A iniciativa oferecerá desde encaminhamento direto às vagas disponíveis até serviços essenciais para quem busca recolocação profissional ou a primeira oportunidade no mercado de trabalho.

Saída de gado do Acre dispara 74% em 2025, mas apenas 60% dos animais geram impostos

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A comercialização de bovinos para fora do Acre cresceu 74,3% em 2025, na comparação com igual período do ano anterior, mas um detalhe tributário tem preocupado lideranças do setor: apenas 60% dos animais que deixam o estado geram imposto para os cofres públicos. Os dados são da Análise de Fluxo de Produção, Abate e Comercialização de Bovinos no Acre, elaborada pela Federação da Agricultura e Pecuária do Acre (Faeac) com base em números do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf).Turismo no Acre

Entre janeiro e novembro deste ano, 351.915 bovinos foram comercializados para outros estados – alta expressiva frente aos 201.886 do mesmo período em 2024. Em novembro, o total foi de 26.924 cabeças, sendo que 10.782 (40%) foram transferências para o mesmo proprietário (mesmo CPF ou CNPJ), movimento permitido por lei e não tributado. Apenas os 16.142 animais (60%) vendidos para terceiros geram cobrança de imposto.

Para representantes da indústria frigorífica, os números evidenciam um desequilíbrio na competição: enquanto os frigoríficos locais arcam com todos os custos tributários, parte expressiva do gado sai sem incidência fiscal, pressionando os preços e a viabilidade das unidades instaladas no Acre.

— Sem o Estado pautar a saída de boi pelo preço de mercado, o cenário vai ficar insustentável para os frigoríficos — alertam lideranças do setor, que participaram da Câmara Temática de Agronegócio do Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento do Acre.

Outro indicador que chama atenção é o abate de fêmeas, que segue superior ao de machos – sinal de possível descapitalização do rebanho. Em novembro, 55,73% dos animais abatidos eram fêmeas, volume 11,40% maior que no mesmo mês de 2024, embora tenha havido redução de 4.751 cabeças na comparação com outubro.

O estoque total de bovinos no Acre foi estimado em 5.158.779 animais em novembro, mas o aumento expressivo na comercialização para fora do estado – especialmente sob regime de transferência não tributada – mantém o alerta sobre a sustentabilidade da cadeia produtiva localno médio prazo.

Moradores em situação de rua tentam invadir casa e incêndio atinge terreno próximo ao Caps em Cruzeiro do Sul

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Moradores em situação de rua e dependentes químicos tentaram invadir uma residência na Avenida Mâncio Lima, em Cruzeiro do Sul, nesta quarta-feira, 3. Durante a ação, um incêndio também foi provocado na vegetação de um terreno baldio localizado em frente ao Centro de Atenção Psicossocial (Caps).

O proprietário da casa alvo da tentativa de invasão, Alfredo Dene, afirmou que episódios semelhantes são frequentes. “É o inferno essa parte aqui. Aí eu chamei a polícia, a polícia veio, eles tocaram fogo. Eles estão sempre tentando invadir. Se não fossem os cachorros bravos que eu tenho lá, a minha vida seria um inferno. Os terrenos aqui são abandonados, só servem para drogados”, desabafou.

A Polícia Militar realizou buscas na região, mas não conseguiu localizar os envolvidos. O cabo Jandson Sena relatou que a guarnição foi acionada para averiguar uma possível violação de domicílio. “Quando chegamos, a solicitante informou que vários moradores em situação de rua estavam tentando quebrar o muro. Logo vimos a fumaça e acionamos os bombeiros. Infelizmente não foi possível identificar os autores do incêndio, que possivelmente foi criminoso. Segundo alguns moradores de rua, o fogo teria sido provocado por ciúmes: uma mulher, com ciúmes do companheiro, teria iniciado as chamas”, afirmou.

O Corpo de Bombeiros empregou duas viaturas no atendimento. De acordo com o militar Verne Ferreira da Silva, a corporação foi acionada inicialmente para um incêndio em vegetação, mas ao chegar ao local constatou que parte de uma estrutura de madeira também queimava. “Armamos uma linha direta para iniciar o combate e, pela rapidez no acionamento, conseguimos debelar o incêndio, evitando danos maiores à estrutura vizinha”, explicou.

Apesar da mobilização policial e dos bombeiros, os responsáveis pela invasão e pelo incêndio não foram identificados.

Mais de 5 mil pessoas fizeram inscrição no vestibular de medicina da Ufac

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Aula do curso de medicina da Ufac — Foto: Arquivo/Ufac

Das mais de 7 mil pessoas que iniciaram o processo, 5,3 mil efetivaram a inscrição no vestibular de medicina da Universidade Federal do Acre (Ufac), que ocorrerá em janeiro de 2026. Os dados são da Pró-Reitoria de Graduação da Ufac.

A quantidade equivale a cerca de 71% das 7.451 inscrições registradas, entre 3.383 candidatos que precisaram pagar a taxa e outros que foram isentos. O prazo para o pagamento da taxa R$ 120 terminou nessa terça-feira (2).

A pró-reitora de Graduação, Ednaceli Damasceno, disse que o numero surpreendeu pela quantidade de inscritos no primeiro ano do novo modelo de ingresso ao curso de medicina, que antes, era feito via Sistema de Seleção Unificada (Sisu).

O certame é gerido pelo Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe) e o prazo de inscrição, que antes era até 10 de novembro, foi prorrogado por dois dias.

As provas do vestibular estão marcadas para acontecer em dois domingos, 11 e 18 de janeiro de 2026, nas cidades de Rio Branco e Cruzeiro do Sul, interior do Acre.

Informações G1

A ‘OAB da Medicina’: por que EUA, Canadá e Reino Unido exigem exames e o Brasil ainda não

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Para compreender o impacto da medida, a Folha do Acre comparou o modelo proposto no Brasil com os sistemas de avaliação profissional dos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido — três referências globais em rigor educacional e regulação médica.

Estados Unidos: o USMLE, a prova que ninguém escapa

Nos EUA, não existe médico sem aprovação no USMLE (United States Medical Licensing Examination). A avaliação é dividida em etapas que testam desde conhecimento científico até habilidades práticas e raciocínio clínico em simulações realistas.

Características do modelo norte-americano:
• prova padronizada nacionalmente;
• alto custo de preparação, que pode ultrapassar US$ 10 mil;
• reprovações frequentes, inclusive entre formados em boas escolas;
• alto impacto emocional e financeiro para os estudantes.

Resultado: médicos aprovados saem com forte domínio técnico, mas o modelo é criticado por fomentar ansiedade extrema e pressionar financeiramente estudantes de baixa renda.

Canadá: duas provas, padrão elevadíssimo e foco em competências

O Canadá exige aprovação em duas avaliações principais: o MCCQE Part I e II. Parte do exame usa pacientes padronizados e estações práticas que simulam consultas, urgências e decisões éticas.

Diferenciais do Canadá:
• avaliação altamente prática;
• forte integração entre universidades e conselhos médicos;
• reprovação de candidatos formados no exterior supera 50%.

O sistema é visto como uma das seleções mais exigentes do mundo, com ênfase clara em comunicação clínica, ética e segurança do paciente.

Reino Unido: o PLAB e a nova geração de exames nacionais

O Reino Unido utiliza o PLAB (Professional and Linguistic Assessments Board) para médicos formados fora do país e está implementando um novo exame nacional, o MLA (Medical Licensing Assessment), que será obrigatório para todos os graduados.

Pontos de destaque:
• alinhamento direto com padrões do NHS;
• foco no atendimento seguro e eficiente;
• modelo progressivamente universalizado para garantir equidade.

O Reino Unido aposta em distribuir a responsabilidade entre universidades, governo e órgãos reguladores — e não apenas no candidato.

Onde o Brasil entra nesse cenário

Com 380 faculdades de Medicina — a maioria privadas —, o Brasil possui mais cursos que China, EUA e Canadá somados. A velocidade de abertura tem levantado alertas sobre infraestrutura inadequada, estágios insuficientes e disparidades curriculares profundas entre escolas.

A criação de uma prova nacional pode:
• estabelecer um piso mínimo de competência técnica;
• pressionar instituições deficitárias a melhorar;
• fornecer um indicador público de qualidade do ensino médico.

Mas também pode:
• transferir ao aluno o ônus das falhas institucionais;
• aumentar desigualdades entre estudantes de diferentes perfis socioeconômicos;
• gerar uma corrida por cursinhos milionários, como ocorreu nos EUA.

O que dizem os especialistas

A Folha do Acre ouviu três especialistas para entender como o Brasil deve se preparar (entrevistas produzidas na edição anterior):

• O Conselho Federal de Medicina defende o exame como garantia mínima de segurança ao paciente.
• Educadores alertam: sem reforma profunda do ensino, a prova vira “paliativo elegante”.
• As instituições privadas pedem transição gradual e regulação rígida do MEC para evitar injustiças.

O que está em jogo — e por que este debate não é corporativista, mas civilizatório

No centro da disputa está a pergunta decisiva: o Brasil quer quantidade ou qualidade na formação médica?

Sem critérios claros de proficiência, o risco é entregar à população profissionais sem preparo adequado para lidar com diagnósticos complexos, urgências, procedimentos e decisões éticas que literalmente definem vidas.

Por outro lado, sem políticas de equidade educacional, avaliações nacionais podem aprofundar a desigualdade e penalizar justamente os alunos que mais lutam para se formar.

O desafio é equilibrar rigor técnico com justiça social — e isso exige muito mais que uma prova. Exige projeto de país.

Próximos passos na Câmara

Agora nas mãos da Câmara dos Deputados, o tema deve se tornar um dos debates mais intensos da área da saúde em 2025. Caso aprovado sem alterações, o exame ainda precisará ser regulamentado: formato, prazos, competências avaliadas e implementação.

O Brasil entra, enfim, no jogo dos países que cobram excelência de seus médicos.
A questão é: estamos prontos para jogar no mesmo nível?

Com articulação do senador Alan Rick, Acre realiza maior peneira de futebol de sua história e leva esperança a 879 crianças

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Nesta quinta-feira, 4, O Estádio Tonicão amanheceu tomado por crianças de 10 a 15 anos, cheias de sonho e com a oportunidade de participar da maior peneira de futebol já realizada no Acre. O evento, articulado diretamente pelo senador Alan Rick (Republicanos), reuniu 879 atletas, de 32 escolinhas da capital e do interior, e trouxe ao estado avaliadores do Athletico Paranaense, do Vitória-BA e o próprio Léo Moura.

Para muitos jovens, esta quinta-feira não foi apenas um teste, foi a primeira vez em que sentiram que seus sonhos eram vistos, ouvidos e levados a sério. Danilo da Silva Rodrigues, 11 anos, disse, emocionado: “A gente vem treinando sempre. O professor Psica falou que um dia a gente estaria num estádio grande, disputando como gente grande. Só de estar aqui já dá orgulho nos nossos pais. A gente veio agradecer a Deus e tentar fazer o melhor.”

Os profissionais dos clubes também reconheceram o potencial da base acreana. O olheiro do Vitória-BA, César Augusto de Sousa, explicou o que busca. “O Vitória procura um jogador aguerrido, determinado, com capacidade de decisão. Quando encontramos esse perfil, convidamos para uma semana de avaliação no clube. Aqui no Acre há muito talento.”

O avaliador do Athletico Paranaense, Welton Souza, também reforçou “a gente procura o diamante, o jogador que mostra brilho, coragem e inteligência dentro de campo. Em peneiras assim, sempre aparece alguém. O Acre tem potencial e estamos aqui para descobrir esses talentos.”

A coordenadora geral da Federação Acreana de Futebol, Gelhy Costa, que representou o presidente da FFAC, Adem Araújo, destacou a importância da articulação. “É a reafirmação do compromisso da Federação e do senador Alan Rick com o futebol acreano. O estado já teve um calendário forte na base este ano, e ver nossos atletas aqui mostra que o trabalho está dando frutos.”

O ex-jogador Léo Moura, um dos nomes mais emblemáticos do futebol brasileiro, lembrou sua própria trajetória. “Eu sei o que passa na cabeça desses meninos, porque já estive no lugar deles. O que estamos fazendo aqui, junto com o senador Alan Rick, é abrir portas reais. O esporte transforma vidas, e tenho certeza de que daqui sairão futuros craques.”

Para o senador Alan Rick, o momento consolida uma política pública de impacto social.

“O Acre sempre teve talento, mas poucas portas abertas. Essa articulação que fizemos com clubes nacionais, federações e projetos sociais prova que quando a política é séria, ela muda vidas. Nosso compromisso é ampliar isso. O Acre não será coadjuvante. As nossas crianças precisam de portas abertas, de futuro e de esperança.”

Os resultados da peneira serão divulgados nesta sexta-feira (5), às 18h30, durante o jogo beneficente “Amigos do Léo Moura Contra a Fome”, também no Tonicão, com entrada gratuita e sorteio de camisas do Flamengo autografadas e outros brindes. O público poderá participar doando dois quilos de alimentos não perecíveis, destinados a famílias em situação de vulnerabilidade social.

Após atender à imprensa, o senador Alan Rick e Léo Moura seguiram para agendas no interior – entrega de material esportivo para escolinhas de futebol do Jordão e instalação da escolinha do Léo Moura em Feijó -, ampliando o alcance do projeto e consolidando uma política esportiva que chega a quem mais precisa.